Ignazio era irmão gêmeo idêntico de Asterios Polyp, mas morreu durante o parto. Sua ausência foi sentida pelo sobrevivente durante toda sua vida e é justamente esse gêmeo fantasma que narra essa história fabulosa sobre arte, caos e ordem.
O autor Dave Mazzucchelli trabalhou nesse livro durante 10 anos. Durante os anos 80 desenhou alguns clássicos dos quadrinhos de super-heróis, como Batman – Ano Um e Demolidor – A Queda de Murdock. Ao longo dos anos 90 dedicou-se à produção de diversas histórias em quadrinhos alternativas. Asterios Polyp foi sendo desenvolvido lentamente, enquanto Mazzucchelli lecionava na School of Visual Arts de Nova York. E, de fato, é a obra-prima do autor.
Asterios Polyp é uma ironia viva. Um brilhante arquiteto que foi consagrado no meio acadêmico graças à inovação e ousadia de seus projetos, que, apesar de geniais, jamais foram construídos.
Mazzucchelli explora ao máximo a linguagem dos quadrinhos, brincando com recursos gráficos como cor e estilos de desenho para ampliar a gama de significados que permeiam a história. O design da edição é belíssimo e todo detalhe tem função narrativa.
Polyp interage com diversos personagens interessantes, cada um interpretando uma perspectiva sobre a vida, a arte, o caos e a ordem. Para cada personagem foi desenvolvida uma caligrafia especial para caracterizar suas falas.
Ao mesmo tempo em que aborda diversas ideias e abre portas para muita discussão e reflexão, o livro não é em nenhum momento pedante ou modorrento. A narrativa flui e os personagens cativam o leitor. Além de Asterios, a adorável Hana, a excêntrica Ursula e o vaidoso Willy Ilium se destacam.
Trata-se de uma obra espetacular, plena de significados e leituras, que conquistou a crítica ao redor do mundo e estabeleceu um novo patamar de qualidade para as chamadas graphic novels.
Quem quiser se aprofundar um pouco mais na obra, veja também este post no meu blog que escrevi sobre ele.
Asterios Polyp
Autor: David Mazzucchelli
Editora: Quadrinhos na Cia.
Preço estimado: R$ 63,00
O diretor inglês Peter Greenaway já vem divulgando desde a década de 80 a sua ideia de que o cinema morreu e em seus últimos projetos, como na trilogia As maletas de Tulse Luper, expande a experiência do cinema inicialmente limitado apenas às suas salas escuras. Devido a exploração mercadológica cada vez maior nesta indústria, é fácil que subprodutos de um longa sejam produzidos para tentar simular esta expansão, mas na verdade são somente pequenos extras ou um making of do que já foi feito, não mudando realmente a experiência cinematográfica em si. Ou seja, são apenas outros meios para conseguir mais dinheiro do consumidor.
É aí que está a grande diferença da graphic novelThe Fountain, escrita por Darren Aronofsky e ilustrada por Kent Williams, que foi lançada pelo selo Vertigo da DC Comics em 2005 e ainda é inédita no Brasil. Apesar de ter sido praticamente desenvolvida em paralelo ao filme A Fonte da Vida, lançado em 2006 e dirigido pelo próprio Aronofsky, ela foi criada de maneira completamente independente. A base dos dois é a sua história, mas as semelhanças praticamente acabam por aí. Temos em cada um desses projetos uma versão diferente do enredo inicial, que utilizam ao máximo todas as possibilidades da mídia na qual foi adaptada, respeitando a sua própria linguagem e estilo. Algo similar acontece quando uma adaptação de um livro para as telas não tenta reproduzir a experiência da leitura, mas sim criar algo novo utilizando a linguagem do cinema.
Tomás em busca da Árvore da Vida
Se você ainda não conhece a história principal, ela narra em três diferentes tempos a jornada de um mesmo personagem (Tomás, Tommy e Tom) em busca da imortalidade para poder ficar junto a sua amada. As três narrativas vão se alternando e uma é interdependente da outra, ou seja, é necessário que o personagem resolva a mesma questão nesses espaços diferentes de tempo para que ele possa finalmente concluir a sua própria história.
Darren Aronofsky
Este provavelmente ainda é o projeto mais ambicioso de Aronofsky — posição que talvez vai ser tomada pelo seu novo longa Noé, previsto para 2014 — e também foi o que mais dividiu o público, como ele mesmo comentou em uma entrevista. Isso não só pelo estilo narrativo e pela complexidade dos cenários e situações, algo parecido com que o recente A Viagem dirigido por Tom Tykwer e pelos irmãos Wachowski fez, mas também pelo seu tema principal: aceitar a morte, ou o fim, assim como as nossas próprias limitações como seres humanos.
Tom em direção a Xibalba
Por conta do seu alto custo, o projeto foi oficialmente encerrado em 2002, mas o diretor resolveu reescrever todo o roteiro para que ele deixasse de ser uma super produção e seguisse a mesma linha de filmes indie de baixo orçamento, que o mesmo havia feito até aquele momento.
Kent Williams
Logo no início das negociações do filme, Aronofsky sabia que este seria um projeto muito difícil, então ele e o produtor lutaram de antemão para que os direitos da graphic novel fossem garantidos de qualquer forma. Quando entrou em contato com a Vertigo, lhe indicaram o artista Kent Williams e, apesar de não o conhecer, cada vez que ia recebendo mais exemplos de seus trabalhos, ficava ainda mais empolgado com essa parceria. Depois de iniciado as produções, eles brincavam bastante a respeito de qual dos dois iriam terminar primeiro, o longa ou a HQ. Quase houve um empate, mas a graphic novel ficou pronta um ano antes do filme.
Capas da série lançada pela Editora Abril
Williams é um ilustrador americano que já trabalhou para várias editoras de quadrinhos, sendo responsável pelas artes do Wolverine na aclamada série Wolverine & Destrutor: Fusão, lançado aqui no Brasil em quatro edições pela Editora Abril no ano de 1989. Hoje em dia ele deixou um pouco as HQs de lado para se focar mais em suas pinturas, apesar de ter admitido em uma entrevista que está trabalhando em um quadrinho autoral, mas que não tem prazo para terminar. Se você tiver interesse, pode acompanhar seus trabalhos mais recentes neste blog ou em seu site oficial.
Em The Fountain foi possível realizar graficamente todos os detalhes do enredo, que em outra mídia como o cinema, provavelmente seria financeiramente impossível. Este é na real é um dos grandes trunfos de uma história em quadrinho, em um desenho pode-se criar tudo que se imagina e até coisas que são impossíveis de existir. M.C. Escher era, por exemplo, um especialista nesta área, sem ficar se preocupando muito com orçamentos. Isso vale também no quesito de sair do pudor hollywoodiano, nos desenhos não é preciso lidar com a limitação dos estúdios e dos próprios atores. Por exemplo, os personagens da HQ estão completamente nus dentro da bolha, enquanto no filme estão vestidos dos pés á cabeça.
Tommy em busca da cura do câncer
No começo, os desenhos de Williams podem gerar um certo estranhamento, pois ele varia bastante o estilo ao longo da história. Os traços vão desde somente alguns contornos, parecendo um pouco com rascunhos, à páginas completamente coloridas até nos mínimos detalhes. Além dessa grande variação de detalhamento e cor, que cria uma personalidade muito interessante nos desenhos, se nota uma clara separação entre os três diferentes tempos que a história se passa, tanto pela divisão gráfica dos quadros e suas cores determinantes, quanto pela cor utilizada no fundo para preencher o espaço vazio.
O uso de somente duas fontes nos textos, uma para os diálogos e outra para narração, acaba quebrando um pouco toda essa diversidade dos desenhos, mas consegue assim manter uma experiência de leitura bem agradável. É interessante também notar que algumas legendas no início são descrições de sons ou estados dos personagens naquele quadro, como se fosse um roteiro para o filme, mas que durante o desenvolver da história assume uma linguagem mais característica dos quadrinhos.
Tom começando a aceitar o seu destino
Pode-se até pensar que The Fountain poderia ser algo como uma “versão do diretor” do longa, mas isto seria equivocado. Também está longe de ser um storyboard do mesmo. Como mencionei anteriormente, ela é uma experiência completamente diferente do filme, sendo uma nova interpretação ao invés de apenas mais uma repetição do que você já viu nas telas. Alguns talvez até podem afirmar que esta HQ é algo mais para um fã do longa ou do diretor. Não posso discordar desta afirmação, mas acredito que a mesma sobrevive tranquilamente como uma obra independente e única no mundo das graphic novels.
Como a HQ ainda é inédita aqui no Brasil, é possível comprá-la em inglês no site de livrarias como a Saraiva e a Cultura. Se você já comprou ou pretende comprar, uma experiência que pode ser bem interessante é a leitura dela junto com a trilha sonora do filme criada por Clint Mansell, que é simplesmente sensacional.
Saber a história de seus ancestrais não é apenas uma jornada histórica, mas também uma jornada pessoal de auto-conhecimento e, certas vezes, de cura também. Belle Yang nasceu em Taiwan, passou parte da infância no Japão e depois foi para os Estados Unidos com seus pais e lá cursou biologia. Mas para fugir de um violento ex-namorado, chamado por eles de “ovo podre”, voltou a China (1986), estudou artes plásticas e se deparou também com a luta dos chineses pela democraria e fim da corrupção (1989). Sentiu então pela primeira vez em sua vida o que é estar privada da sua liberdade de expressão e ao voltar no final de 1989 para Califórnia, decide que precisa fazer alguma coisa com essa liberdade, mas ainda não sabia ao certo o que.
Você tem sua mente e duas mãos. Uma para escrever e outra para pintar. Se sua alma alcançar a paz, você pode atingir suas metas.
De volta na casa dos pais, fica confinada naquelas quatro paredes com medo de que “ovo podre” apareça novamente, enquanto seus amigos, já formados, estão desfrutando de uma carreira promissora no mercado de trabalho. Seu ex-namorado ainda continuava a perseguindo, chegando inclusive disparar tirosno escritório do advogado de Yang, afastando assim também muitas pessoas que a família conhecia. Passava então o tempo praticando caligrafia e em uma noite escura e tempestuosa, quando faltou luz, seu pai narra um pouco a história de sua família na Manchúria e, não conseguindo depois dormir, resolve começar a escrever o que ouviu. Assim nasceu a obra “Adeus Tristeza — A História dos meus ancestrais” (Forget Sorrow), de Belle Yang, com tradução de Érico Assis, lançado pela Quadrinhos na Cia.
Todo o processo da criação da própria HQ é contada paralelamente a história de sua família — por parte de do pai — junto com os pensamentos da autora e de seus pais sobre as várias situações, que enriquece bastante a narrativa e a deixa em certos momentos bem divertida. É possível dizer que esta obra é um verdadeiro mergulho em fragmentos da história da antiga China, abrangendo um período de cerca de cem anos. Mas não é esse aspecto, de certa forma até documental, que chama mais atenção na obra. São as relações entre os familiares, cada pessoa com sua particularidade, que a torna tão interessante.
Para o Pai, a vida era como cuidar de um jardim… Toda vez que as flores estavam prestes a abrir… a urtiga tomava conta. O budismo ensina os homens a amar as ervas daninhas, mas o Pai não conseguia.
O estilo de narrativa autobiográfica de Yang, lembra bastante a de Marjane Satrapi (Persépolis), principalmente pelo seu senso de humor, se diferenciando nesse sentido de outros autores como Art Spiegelman (Maus) e Joe Sacco. Já seus desenhos são de uma simplicidade muito poética, com forte influência da caligrafia e do desenho oriental, mas que muitas vezes lembra a técnica de xilogravura.
Você viu o touro que eles espõem no templo aos feriados? Aquele touro recebera do melhor pasto, mas suas entranhas foram retiradas, então o vestem com um brocado e o sacrificam aos deuses. Se eu aceitasse a oferta do rei, acabaria como o touro. Se quisesse voltar a meu modo de vida mais simples, não conseguiria.
Apesar de inicialmente parecer que, por se tratar de uma outra cultura e outra época, apenas poucas situações irão soar familiares, você provavelmente irá se espantar com a quantidade de situações e tipos de pessoas que se assimilam com as do seu cotidiano. Certas vezes parece até novela mexicana, tamanha as intrigas e jogos vividos por essas pessoas. Isso, somado a um bocado de filosofia e reflexões taoístas e budistas e cultura popular chinesa. interessante, não?
Sobrinho, num livro de cem páginas, você terá sorte se encontrar dez que tragam alguma verdade. Pense nisso: dez, se o livro for excelente. Geralmente você só vai tirar algumas poucas frases úteis. O resto são apenas palavras desperdiçadas. Se você vai ler um livro, lembre-se apenas das partes úteis. Não se dê ao trabalho de guardar as tolices. Quando acabar de ler, queime tudo. A verdade é que mesmo as partes que fazem sentido não são de todo úteis. Não leve os livros tão a sério. se não se lembrar de nada, também não há problema. É tudo um monte de bobagem.
Essa jornada pela história de seus ancestrais, lembra bastante o livro “Quando Teresa brigou com Deus”, de Alejandro Jodorowsky, que também é repleto de reflexões a respeito das pessoas e da vida, assim como personagens bem curiosos, com “Yuan, o Idiota”, um pedinte taoísta que era o amigo do Bisavô de Yang, que deixa todos intrigados pelos seus costumes e modo de viver.
Quem tem interesse em ver um pouco dos “bastidores” da produção desta obra, segue abaixo um vídeo da produção de umas das páginas.
Depois do sucesso da graphic novelPersépolis(2007), adaptada para o cinema em uma fabulosa animação, a quadrinista iraniana Marjane Satrapi, novamente em parceria com Vincent Paronnaud, deixa um pouco de lado a sua autobiografia, para resgatar uma antiga história de família, agora em Frango com Ameixas(Poulet aux Prunes,2011,França, Alemanha, Bélgica).
Frango com Ameixas, que também se trata de uma adaptação dos quadrinhos para o cinema, conta a vida de Nasser Ali (Mathieu Amalric de O Escafandro e a Borboleta), um talentoso músico, tocador do tar (uma espécie de violino, típico do Irã). Seu instrumento, além de ser a única coisa que ainda lhe traz prazer, traduz em cada nota o amor que mantém por Irâne, uma antiga paixão da qual teve que abrir mão.
Desiludido, para satisfazer os desejos de sua mãe, Ali se casa com Nahid, com quem tem dois filhos. Um dia, cansada do isolamento e falta de obrigações do marido para com ela e as crianças, em um excesso de raiva quebra o adorado instrumento de Ali. O músico decide então deitar em sua cama e esperar pela morte. A partir daí a espera de Ali é narrada em oito capítulos, nos quais conta desde o relacionamento com seus filhos Farzaneh e Mozaffar, até o dia em que se encontra com Azrael, o anjo da morte islâmico.
Diferente das primeiras obras de Marjane Satrapi, como Persépolis e Bordados, Frango com Ameixas traz uma história peculiar de um homem, cuja melancolia e desilusão com a vida que gostaria de ter tido e não teve, o faz optar por desistir. Mas ao mesmo tempo Satrapi não perde o humor para tratar de temas delicados como a vida e a morte. Frango com Ameixas em vários momentos apresenta cenas cômicas, como quando Ali em um de seus devaneios imagina o futuro de seu filho Mozaffar: após sair do Irã e ir morar nos EUA, comprar uma casa e um carro, vive um típico ‘sonho americano’ com sua mulher e seus filhos obesos.
Apesar de não ser mais uma autobiografia, Nasser Ali foi um tio-avô querido de Satrapi, por isso Frango com Ameixas traz ainda, alguns temas já abordados em suas antigas obras, como a arte, a mitologia, a decadência familiar e a felicidade. Para quem gosta da autora, Frango com Ameixas é mais um belo trabalho que merece ser saboreado.
Trailer:
Olá. Você pode me chama de Bruno, mas o que eu mais quero é que você me chame de amigo. Estamos certos? Eu acredito que sim. Então pegue na minha mão e vamos embarcar nessa empreitada juntos.
Pensando em você, caro leitor (a) jovem e baladeiro (a), eu vou aqui relatar três livros com selo de qualidade “Que Trem Bão, Sô” para temporada de férias que está por vir. Mas olha só, livros são legais, mas tudo tem limite. Eles não vão deixar você mais inteligente ou algo do tipo. Como diria o sábio Arnaldo Branco: se quiser posar de inteligente, use um cachimbo. Enfim, segue o baile.
Ruído Branco, Don DeLillo – Um personagem que usa túnica e óculos escuro para lecionar precisa — mais do que nunca — ser amado. E como não amar Jack Gladney, um professor universitário pioneiro no estudo de Hitlerologia (!), mas que não sabe falar uma palavra em alemão? Ruído Branco é focado na vida desse professor excêntrico, sua família nada convencional e a sua fascinação por um assunto pouco querido: A morte. Além de tudo, há um acidente nuclear em sua cidade e um sujeito extremamente engraçado chamado Murray. Mais não posso contar, mas posso dizer que DeLillo influenciou uma geração de escritores como David Foster Wallace, Bret Easton Ellis, Chuck Palahniuk, entre outros. O romance inspirou uma música do Mogwai chamada White Noise (duh), que está no álbum Hardcore Will Never Die(but you will) (2011).
Eu Falar Bonito um Dia, David Sedaris – As reminiscências de David Sedaris são uma das coisas mais engraçadas que já li em anos. Mas não espere um clima Clarah Averbuck de falar do próprio umbigo, nada disso. Sedaris trabalha com engenho relatando sua temporada em subempregos, sua fase “artística”, sua família para lá de estranha e como seu namorado, Hugh, o aguenta mesmo David sendo desagradável a todo instante. Seus contos também podem ser vistos como pequenos ensaios sobre gente comum, ralando para ter uma vida digna, extremamente bem escrito. David Sedaris é colaborador frequente de revistas como New Yorker, Esquire e tantas outras. Brilha muito esse rapaz.
The Alcoholic, Jonathan Ames – TREVAS. Assim mesmo, com caps lock e tudo, é a palavra perfeita para descrever essa HQ de Jonathan Ames, roteirista do seriado Bored to Death, daHBO. Jonathan (o personagem, não o autor) quando jovem, era um ótimo aluno até conhecer o álcool. Sua vida cai num abismo gigantesco, mas ele consegue se safar do problema e vira um escritor de romances policiais de sucesso – claro que o álcool volta para tornar a vida de nosso herói um inferno dos diabos novamente. Além disso, a trama conta com sua relação com seu chapa, Sal, que não é das melhores. Nota 10 de dez estrelas possíveis. Confira para entender porque virei um fã constragedor desse autor.
Espero que as recomendações agradem pelo menos um ou outro jovem interessado nessas coisas. Estou aqui para contribuir com seu bem estar. É o mínimo que posso fazer por vocês, lindezas. Até a próxima e evitem serem flagrados fazendo besteira. Sabemos que assim é feita a juventude, mas vamos com calma.
De 15 a 17 de julho de 2011, Curitiba será o destino dos fãs de quadrinhos, HQs, Graphic Novels, Gibis ou como preferir chamar. Nesses dias acontecerá a Gibicon — Convenção Internacional de Quadrinhos de Curitiba, com realização da Prefeitura de Curitiba, Quadrinhofilia e ZnorT! ilustradores.
A capital paranaense além de contar com um ótimo número de bons quadrinistas e ilustradores de renome, também sempre esteve no circuito de lançamentos de estilo. Contando com a primeira gibiteca do Brasil, a cidade resolveu realizar o evento com três dias recheados de atrações nacionais e internacionais, além de oficinas e muitas atividades voltadas aos fãs de quadrinhos. Segundo os realizadores, o evento é intitulado de número zero por ser justamente um aquecimento ao próximo que será em comemoração aos 30 anos da Gibiteca.
Mas como diz o texto de introdução do site, não se enganem achando que a Gibicon desse ano será menor, contando com nomes como Lourenço Mutarelli, os gêmeos Fábio e Gabriel Bá, o curitibano Solda e mais uma trupe de peso, o evento promete ser extremamente interessante e intenso durante os três dias.
A Gibicon acontece em vários lugares da cidade e vai ser gratuito, para se inscrever somente é necessário a doação de um gibi ou livro sobre o assunto. Confira maiores informações no site do evento e acompanhe a coberturas de algumas atividades aqui, no interrogAção!
Macanudo, em espanhol: extraordinário, excelente, estupendo, magnífico.
E é essa palavra que é usada para o título da coleção de tirinhas do cartunista argentino Liniers, ou melhor, Ricardo Siri Liniers, nascido em Buenos Aires, que quando cursou publicidade percebeu que o que mais gosta(va) de fazer é desenhar.
Dono de um traço encantador, é difícil dizer qual personagem é o mais interessante, porque todos trazem um pouco da questão do existencialismo e quase sempre faz referência a outros artistas. Nada melhor que palavras de uma cartunista para explicar melhor quem é Liniers:
“Qualquer um pode desenhar um gato, qualquer um pode desenhar uma garota ou um homem com chapéu, mas não é qualquer um que pode fazer com que esse gato, essa garota ou esse homem com chapéu sejam diferentes de todos os que tivéssemos visto anteriormente e passem a fazer parte do mundo como se os conhecêssemos.
Liniers desenha personagens, e seus personagens são extraordinários. E os desenha tão bem que são todos lindos, até os feios são tão perfeitamente feios que são belos. Solitários, com uma inocência pop à vezes meio perversa, movem-se com elegância entre a tristeza e o assombro, como atores anônimos de pequenos filmes B caseiros.
Lápis, nanquim e aquarela se unem habilmente com a poesia e o absurdo em um mundo cheio de surpresas. Qualquer coisa pode acontecer em Macanudo. Suas histórias caem no humor inocente com a pureza de quem desfruta das coisas mais bobas da vida.
Liniers desenha um mundo duro com absoluta delicadeza. Uma alegria melancólica que contrasta com a felicidade boba. Seu trabalho é belo e divertido. E ele é um rapaz macanudo.”(Maitena in: Macanudo n. 1 / por Liniers. Campinas, SP: Zarabatana Books, 2008.)
Quem quiser conhecer um pouco mais desse cartunista, pode visitar seu site ou espiar a Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo, de segunda a sexta.
Aqui no Brasil suas tirinhas são publicadas pela Zarabatana, e infelizmente só tem publicado até o volume 3. Infelizmente, porque na Argentina as tirinhas estão no 8º volume.