Acabo de lançar meu mais recente e maior quadrinho, o Pico do Petróleo.
Mantendo minha tradição de publicar artigos sobre a criação de meus trabalhos, discutirei aqui minhas reflexões sobre o processo criativo do Pico do Petróleo.
Este é o primeiro, de uma série de sete artigos, que abordam vários aspectos do processo de criação dos quadrinhos.
Meu papel como cartunista-comunicador de ciências
Como um cartunista-comunicador de ciências, eu escolho deliberadamente tópicos que são pouco compreendidos pelo público em geral.
Meu objetivo é atrair temporariamente a atenção dos leitores através de quadrinhos profundos e bem desenhados, e depois desviar essa atenção de mim e direcioná-la para especialistas que têm soluções e informações abrangentes.

Em outras palavras, sou uma espécie de Flavor Flav, e Hubbert, de Chuck D.
Sou apenas um hype-man para a ‘voz da autoridade’, M. King Hubbert.
Hubbert: “Não acredite no hype sobre o crescimento da produção de petróleo!”
McMillen: “Yo Hub, eles devem estar fumando um, tá ligado?”
Escolhendo um tema sobre o qual o público tem pouco conhecimento
O Pico do Petróleo é um excelente exemplo de um tema importante que é mal compreendido pelo público em geral. Tenho conhecimento do problema há 10 anos e ainda me deparo com uma ignorância gigantesca ao falar com outras pessoas sobre o assunto:

- “Ah, o petróleo vai acabar? Bom, nós podemos simplesmente mudar para outro combustível.”
- “Mas eu ouvi dizer que encontraram um novo campo de petróleo enorme na costa [do Brasil, da Rússia, da Suazilândia…].”
- “Mas o preço baixou. Problema resolvido, certo?”
- “Ótimo! Mal posso esperar pelo Pico do Petróleo! Finalmente os árabes vão falir!”
Esses são exemplos do caleidoscópio de respostas mal informadas que ouço sempre que cito o Pico do Petróleo, ou outras questões relacionadas à sustentabilidade energética.
Meu quadrinho não aborda questões mês-a-mês, como a queda do preço de Dezembro de 2014. Também não entra em temas importantes como EROEI (sigla em inglês para Energia Retornada sobre Energia Investida).
Eu queria que meu quadrinho fosse mais “generalizado e atemporal”, em vez de “atual, mas prestes a se tornar obsoleto”.

Meu objetivo: criar a cartilha definitiva sobre o Pico do Petróleo
Eu sabia que não conseguiria produzir um compêndio absoluto sobre o Pico do Petróleo por meio de um quadrinho. Eu não poderia simplesmente incluir todos os fatos, números e nuances do assunto.
Em vez disso, decidi escrever a cartilha definitiva sobre o Pico do Petróleo, que funcionaria para o leitor como um curso básico de 20 minutos sobre o tema.
Meu objetivo era fazer um quadrinho que levasse uma pessoa com nenhum conhecimento sobre o Pico do Petróleo a uma compreensão razoável dentro de 20 minutos.
Mais importante: eu queria que fosse um recurso online gratuito, disponível no maior número possível de idiomas, dependendo apenas de quantos tradutores voluntários eu conseguisse recrutar. Ele está disponível atualmente em francês, alemão, espanhol, chinês, português do Brasil e outros idiomas (clique na ‘bandeira’ no canto direito superior do meu website:
).

Uma plataforma de lançamento para pesquisa independente
Espero que, após lerem meu quadrinho, os leitores sintam o desejo de aprender mais sobre o assunto por meio de suas próprias pesquisas e reflexões.
É através delas que as pessoas entenderão a EROEI (Energia Retornada sobre Energia Investida, em inglês). É através da pesquisa que as pessoas perceberão que a queda de preços em dezembro de 2014 não altera o problema fundamental: de que nós estamos queimando petróleo a uma velocidade muito maior do que o processo geológico da Terra o regenera.
Meu quadrinho leva os leitores à metade do caminho do conhecimento, mas conta que eles completarão a jornada por conta própria.

Pico do Petróleo: o irmão incompreendido do aquecimento global
Na minha experiência, a maioria das pessoas já ouviu falar de aquecimento global, mas nunca ouviu falar do Pico do Petróleo. O que é uma grande vergonha, pois acredito que ambos os fenômenos têm a mesma importância. Além disso, esses dois fenômenos provavelmente acontecerão simultaneamente.
Uma vez que o público já detém um conhecimento sólido sobre o aquecimento global, tratei o Pico do Petróleo como um fenômeno isolado no meu quadrinho.
Na realidade, o Pico do Petróleo e o aquecimento global serão fenômenos politicamente relacionados, com influências de um respingando no outro.
O Pico do Petróleo vai acontecer independente do aquecimento global e vice-versa. Mas seremos forçados a considerá-los como parte de um problema interligado.

Por exemplo, a necessidade de descarbonizar nossas economias pode resultar em uma “bolha de carbono não-utilizável” de combustíveis fósseis cuja queima consideramos inconcebível, dado aos conhecidos efeitos do aumento de gases do efeito-estufa. Isso respingará nos mercados de ações, e então, em economias maiores.
Nessa situação, a inclinação da “montanha-russa” será muito diferente do funcionamento da curva do Pico do Petróleo. Podemos ser obrigados a reduzir rapidamente a nossa utilização de petróleo, construindo uma montanha-russa que cai rapidamente e deixando muitas de nossas ‘treliças’ trancadas no estoque.

Esses são cenários além da minha previsão, e além do escopo do quadrinho. Com o Pico do Petróleo eu quis simplesmente aumentar o conhecimento público sobre o fenômeno de Hubbert, para que discussões bem informadas possam ser feitas sobre as decisões que precisam ser feitas.

Um chamado para apoiadores
Se você desejar, pode contribuir para a sua próxima experiência de leitura de quadrinhos no stuartmcmillen.com
Caso possa, por favor, compre uma cópia de $5 do Pico do Petróleo via PayPal, cartão de crédito ou Bitcoin. Caso deseje fazer uma doação maior, basta editar o valor de $5 no carrinho de compras. Uma outra alternativa é se tornar um apoiador mensal via Patreon.com. Desde já, agradeço!
Outros artigos sobre a ‘criação do Pico do Petróleo’
Este é o primeiro, de uma série de sete artigos, que abordam vários aspectos do processo de criação dos quadrinhos. O próximo da série é A Criação do Pico do Petróleo, parte 2: a filosofia do storytelling.
Tradução: Alana Carvalho
Revisão: Daniel Kossmann Ferraz e Mara Vanessa Torres
O interrogAção é o tradutor oficial do Stuart McMillen. (Texto Original)

























































































































Quando éramos crianças, corríamos para o sofá (ou cadeira) com o intuito de assistir aos desenhos animados que envolviam personagens-animais, tais como Taz, Pernalonga, Tom, Jerry, Mickey, entre outros. Mas o que não sabíamos acaba de ser revelado na obra “Três Dedos: Um escândalo Animado” (2009), de Rich Koslowski.








Ao ler “Trilogia Nikopol”, do Enki Bilal, nos deparamos com a seguinte reflexão gilbertiana: “Quem hoje fala de futuro, sabemos que fala num tempo que já é quase presente, tal a rapidez com que estamos passando de presente a futuro. Nunca mais do que hoje o homem viveu tempo aparente só moderno já tão alcançado pelo pós-moderno e ainda influenciado pelo pré-moderno”. O que um pernambucano tem em comum com um iugoslavo?





E assim, tomo essa obra como elemento de reflexão sobre o mal-estar do autor perante o futuro, que se aproxima-chega de forma assustadora. Um futuro cinza, demarcado pela desesperança do homem pelo homem, este atirado numa disputa animalesca pelo controle do Outro e de si.

Entre empregos, namorados, sustos, experiências culturais, decepções e imaturidades, Megan nos encanta com sua vontade de descentrar o Eu que a habita, pulverizando as raízes que a prendem no chão, carregando nas costas sua mochila recheada de desejos e sonhos. Quebrar as linhas rígidas do mapa e compreender-se enquanto cartografia: se jogar sem medo ou culpa, pelo Não do previsível.
O trânsito pelo mundo é encerrado (por enquanto) na casa da falecida mãe, em Vermont, sozinha. O lar materno é chave para o auto-conhecimento. Recolher-se para o descanso, até que novas aventuras e convites para futuros saltos apareçam por aí.
Sentada na varanda da velha casa, ela pensa: “No fim, o que realmente importava era o que eu pensava, como eu respondia às minhas próprias perguntas. Demorei muito tempo pra perceber isso. E com o tempo, eu fiquei verdadeiramente feliz comigo mesma.”
Diante das tensões políticas que estão explodindo na Ucrânia, Síria e uma possível re-polarização internacional, tento montar o quebra-cabeças individual desta conjuntura turbulenta. Esse “redesenhar” de fronteiras do Leste europeu e adjacências me obrigam a compreender (como professor de História) minimamente isso tudo. Assim, desde que tive acesso às reflexões de Edward Said com “Orientalismo” (2007), da diretora de cinema Kathryn Bigelow e das conversas em sala de aula, fui atrás de novas referências sobre algo que desconhecemos: O outro lado do mapa.



Antes de falar de “Por Dentro do Máscara de Ferro”, vale a pena situar a importância do autor na cena das HQs na cidade. Autor de “Foices e Facões – A Batalha do Jenipapo” (junto com Caio Oliveira, seu irmão e artista dos bons, que participa do livro como desenhista convidado), Bernardo faz parte do 

E assim, vamos acompanhando o processo de autodescoberta do Máscara. Após a cômica “carga dramática” que movimenta a performance do nosso herói, ele salta pelo ar e vivencia um conjunto de experiências fundamentais para reorganizar seus sentimentos, mesmo em conflito com seu melhor amigo: “Alguma vez, da altura desses teus vinte e poucos anos, tu já sentiu uma maldita certeza de que queria fazer alguma coisa na vida e que só o que te impedia era tu mesmo?”




O projeto iniciou antes das primeiras passeatas do país, quando ainda pairava no ar um clima desconfortável de calmaria. Na época, André (que é também escritor, ilustrador, caricaturista e professor), queria fazer algo mais autoral, que fosse relevante e falasse sobre o momento atual brasileiro. Quando começou a publicar a história na internet, viu que ela poderia tomar proporções bem maiores e que também havia uma certa urgência para publicá-la, pois a realidade estava se mostrando coerente com suas ideias. Assim, decidiu financiar coletivamente o seu trabalho, através do 

Iniciando o nosso ciclo de entrevistas com autores nacionais de Histórias em Quadrinhos, conversamos diretamente de Curitiba com o André Caliman, que recentemente teve seu projeto “Revolta!” financiado pela plataforma Catarse.
















































Arranjar um novo emprego, ajudar a pagar o aluguel e as contas da casa, estudar pras provas no colégio, aceitar o novo namorado da mãe dentro da família. Esses são os problemas de Malu.
Os personagens no traço de José Aguiar ganham uma forte expressão gráfica em linhas geométricas e formas simples. O estilo de desenho ajuda na narrativa que flui de maneira natural e aumenta ainda mais a sensação de “cotidiano”.
Lançada esse mês, essa edição de 232 páginas reúne um grande apanhado de diversas histórias publicadas pelo selo Vertigo, da editora norte-americana 


A Frequência Global é uma força-tarefa não governamental, independente, composta por 1001 agentes. Miranda Zero, a líder do grupo, e Aleph, a moça que coordena a comunicação da equipe, são as únicas personagens constantes nas histórias. O elenco da equipe principal, assim como os próprios desenhistas da série, não se repete nunca.

O grande mérito de Frequência Global é a valorização do trabalho coletivo. É a coletividade, a cooperação e a diversidade de seus agentes que permite atingir soluções para os problemas mais terríveis e emergenciais.
Essa história em quadrinhos mostra um mundo muito, muito parecido com o nosso. A principal diferença é que nele o maior best-seller de fantasia não é Harry Potter, mas um garoto bruxo chamado Tommy Taylor. Ao invés de enfrentar Voldmort, o inimigo é Conde Ambrósio. No lugar de uma coruja, temos um gato com asas.
À medida que se acompanha as aventuras de Tom Taylor, percebemos que a história é fantástica, mas baseia-se na força das ficções, dos personagens inventados. Partindo da premissa que algo não precisa ser real para ser verdadeiro (e vice-versa), os autores apresentam uma trama instigante onde os mistérios do destino de Wilson Taylor, de uma sinistra organização secreta e de um mapa com os locais de livros e ficções se misturam e prendem a atenção do leitor.

Como toda boa história de super-herói, O’Hara é vítima de um acidente no laboratório que, ao invés de matá-lo, lhe confere superpoderes. Esse Homem-Aranha do futuro possui garras nas pontas dos dedos e com elas é capaz de escalar paredes, além de rasgar inimigos. Também é capaz de produzir organicamente a própria teia, produz veneno, é sensível à luz. Enfim, é muito mais “aranha” do que o Homem-Aranha atual.






Ignazio era irmão gêmeo idêntico de Asterios Polyp, mas morreu durante o parto. Sua ausência foi sentida pelo sobrevivente durante toda sua vida e é justamente esse gêmeo fantasma que narra essa história fabulosa sobre arte, caos e ordem.
Polyp interage com diversos personagens interessantes, cada um interpretando uma perspectiva sobre a vida, a arte, o caos e a ordem. Para cada personagem foi desenvolvida uma caligrafia especial para caracterizar suas falas.

Roger Cruz trabalhou muito tempo como desenhista de gibis de super-heróis. X‑men, Hulk, Motoqueiro Fantasma. Mas em 2009, entre um trabalho e outro, Cruz arranjou tempo pra fazer uma série de histórias com um estilo de desenho, enredo e espírito completamente diferentes do modelo do super-herói.
O estilo rock

Uma história em quadrinhos que usa apenas imagens e nenhuma palavra. Ou melhor, nenhuma palavra em idioma conhecido. Vemos textos em caracteres imaginários, letras fantásticas incompreensíveis que acabam se tornando parte das imagens.


Imagine uma mistura insana de Robocop com A Incrível Jornada e pitadas de Matrix. O resultado disso é We3 – Instinto de Sobrevivência.
