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  • Crítica: Dois Coelhos

    Crítica: Dois Coelhos


    Depois de um ano um tan­to decep­cio­nante para o Cin­e­ma (de entreten­i­men­to) Brasileiro — momen­to em que o seg­men­to resolveu ado­tar o esti­lo Glob­al de fil­mar — 2012 começou muito bem com a estreia de Dois Coel­hos (Brasil, 2012) de Afon­so Poyart. Beben­do da fonte dos games e de cineas­tas como Taran­ti­no e Guy Ritchie, o lon­ga quer traz­er um novo modo de fil­mar o gênero de ação no Brasil.

    Dois Coel­hos usa uma fór­mu­la de enre­do muito próx­i­ma do já con­heci­do e não deixa de explo­rar a malan­dragem e o famoso jeit­in­ho brasileiro de sair — e entrar- nas situ­ações e aca­ba trazen­do isso para um uni­ver­so fic­cional de ação, se aprox­i­man­do do esti­lo com­er­cial amer­i­cano. E é num fervil­har de perseguições, iro­nias sobre cor­rupção e muitas revi­ra­voltas no enre­do que o lon­ga abre a tem­po­ra­da de um out­ro tipo de lon­gas nacionais de entretenimento.

    Brin­can­do com o provér­bio con­heci­do de matar dois coel­hos numa cajada­da só, o per­son­agem Edgar (Fer­nan­do Alves Pin­to) — que é o nar­rador dono de um olhar pecu­liar — decide ser um anti-herói de uma história mal resolvi­da que ele mes­mo cau­sou. O cara acabou de voltar de Mia­mi, uma viagem de férias cal­cu­ladas depois de se envolver num aci­dente e ser sal­vo da justiça por um dep­uta­do ¨amigáv­el¨ no Brasil. Ele vol­ta para o país com um plano per­feito para acabar com dois coel­hos, que ele acred­i­ta serem desnecessários, e ain­da se dar bem com isso tudo.

    Edgar é o tipo de cara que nun­ca se deu mal e aca­ba por deduzir que se todos se dão bem nesse país, porque não colo­car alguns per­son­agens em coal­isão? E é mais ou menos isso que ele plane­ja ao colo­car políti­cos, traf­i­cantes e out­ros esque­mas para guer­rearem entre si e isso tudo é claro, com boas dos­es de revi­ra­vol­ta. Por­tan­to, esqueça o politi­ca­mente cor­re­to ao assi­s­tir Dois Coel­hos, porque afi­nal, todos querem sal­var suas próprias cabeças, custe o que custar.

    O dire­tor estre­ante — que já tin­ha dirigi­do o cur­ta Eu te darei o céu, em 2005 — Afon­so Poyart parece gostar bas­tante de refer­ên­cias pop. Des­de a primeira parte de Dois Coel­hos, que abusa de cenas com ani­mações man­u­ais e uma ver­são própria do game GTA, o roteiro é bem ao esti­lo de Guy Ritchie e afins, com nar­ra­ti­va entrecor­ta­da, enre­do que oscila entre o pas­sa­do, futuro e ações atu­ais e edições exager­adas de cenas, fazen­do isso sem muito medo de se perder.

    O time de atores, que con­ta com Alessan­dra Negri­ni, Caco Cio­cler, o rap­per Thayde e etc, colab­o­ra para que o lon­ga con­si­ga andar de for­ma flu­ente. Mas aci­ma de tudo Dois Coel­hos é um filme de pós-pro­dução, pois é abu­san­do de efeitos visuais, sonoros e de trata­men­to grá­fi­co que o lon­ga se con­strói. A tril­ha sono­ra deve ter ren­di­do um bom din­heiro de copy­rights pois con­ta com nomes como Radio­head, 30 sec­onds to Mars, Tom Waits e Lenine. Você pode assi­s­tir vários vídeos do Mak­ing off no site do lon­ga por esse link.

    Mes­mo que se dis­cu­ta a aprox­i­mação de Dois Coel­hos com o esti­lo de fil­mar amer­i­cano, é inegáv­el a ousa­dia de faz­er algo do esti­lo por aqui, num cenário como São Paulo que aju­da a ter mui­ta história para con­tar. Ele faz muito bem o que prom­ete e não deve nada para os out­ros do gênero. Afi­nal, se você paga para filmes estrangeiros do esti­lo, deve sim dar o braço a torcer para esse lon­ga feito por aqui, que com certeza ele vai abrir um cam­in­ho para um novo jeito de faz­er cin­e­ma no Brasil.

    Trail­er:

    httpv://www.youtube.com/watch?v=uHW3RCtLqbU

  • Crítica: 25 Kilates

    Crítica: 25 Kilates

    25 kilates

    O cin­e­ma em lín­gua espan­ho­la, seja na Améri­ca Lati­na ou Espan­ha, tem mostra­do um grandioso poten­cial há muito tem­po. Não é difer­ente com 25 Kilates (25 kilates, Espan­ha, 2008), filme de Patxi Amézcua, um thriller roda­do na cap­i­tal Madri, com pouco din­heiro e não deven­do nada ao cin­e­ma amer­i­cano atual.

    A pelícu­la traz Kay (Aida Folch), que seria uma jovem comum se não nos fos­se apre­sen­ta­dos dados do seu estran­ho cotid­i­ano como: uma casa extrema­mente bagunça­da, um pai que perde rios de din­heiros em jogati­nas e negó­cios com traf­i­cantes mex­i­canos, e ela, que sai rouban­do car­ros de maneiras pecu­liares. Kay faz o tipo durona, e em um assalto no trân­si­to con­hece Abel (Francesc Gar­ri­do), um “cobrador de dívi­das” e ex-luta­dor frustra­do, e eis que surge a atração pelos iguais. Em uma de suas con­fusões, Sebas (Manuel Móron), o pai de Kay, se envolve num grande esque­ma de jóias envol­ven­do a polí­cia cor­rup­ta e a mídia de Madri. Nesse momen­to, o casal arquite­ta uma estraté­gia para livrar a cara dele, exercendo tudo que apren­der­am em suas vidas criminosas.

    Filmes estrangeiros, com revi­ra­voltas, assim como belís­si­mo O seg­re­do dos seus olhos do argenti­no Juan José Cam­panel­la, têm sido fór­mu­las que fun­cionam muito bem con­tra a já bati­da mesmice amer­i­cana. Claro que 25 Kilates não pos­sui nem um terço da qual­i­dade nar­ra­ti­va do filme argenti­no, porém traz uma óti­ma edição, segun­do o dire­tor fei­ta em sua própria casa, que não perde a veloci­dade em nen­hum segun­do do filme.

    Ape­sar dos clichês de filmes de roubo e crim­i­nosos esper­t­in­hos, os mocin­hos aqui não exis­tem e tudo fun­ciona como na real­i­dade. Tudo é uma grande teia de cor­rupção e você nem sem­pre sabe quem vai acabar fer­ran­do a vida de quem. Além do charme dos ban­di­dos falarem a vari­ação da lín­gua espan­ho­la da região do Catalão, o casal inter­pre­ta­do por Aida Folch e Francesc Gar­ri­do foge de todos os estereóti­pos de casais espiões/fugitivos em lin­das roupas e maquia­gens. 25 Kilates só com­pro­va que, hoje, filmes com enre­dos plausíveis de real­i­dade, sem todo aque­le exagero da época com Mac­Gyver, fun­cionam muito bem. Hol­ly­wood que se cuide!

    httpv://www.youtube.com/watch?v=8aBzXKjVe4I

  • Crítica: Ilha do Medo

    Crítica: Ilha do Medo

    ilha do medo

    O ano é 1954, auge da Guer­ra Fria, onde novos e mais extremos trata­men­tos psiquiátri­cos, talvez influ­en­ci­a­dos pelos exper­i­men­tos nazis­tas, são ado­ta­dos. Ted­dy Daniels (Leonar­do DiCaprio[bb]) é um poli­cial fed­er­al e vet­er­a­no da 2ª Guer­ra Mundi­al, que em con­jun­to com Chuck Aule (Mark Ruf­fa­lo[bb]), vai a Shut­ter Island inves­ti­gar o desa­parec­i­men­to de uma inter­na­da no man­icômio judi­cial local. Esta é a tra­ma prin­ci­pal de Ilha do Medo (Shut­ter Island, EUA, 2009), o novo filme de Mar­tin Scors­ese, um thriller psi­cológi­co mis­tu­ra­do com esti­los como poli­cial e hor­ror gótico.

    O que ini­cial­mente pare­cia ser ape­nas mais uma inves­ti­gação, em um local macabro, trans­for­ma-se em uma imer­são à loucura/sanidade humana. Não ape­nas ques­tio­nan­do difer­entes méto­dos de trata­men­to, e suas eficá­cias, o filme tam­bém inci­ta a dúvi­da sobre o próprio con­ceito de lou­cu­ra e, como tudo pode se trans­for­mar de acor­do com o pon­to de vista. Ele foi basea­do no livro Ilha do Medo, de Den­nis Lehane, lança­do aqui no Brasil pela edi­to­ra Cia das Letras.

    Ini­cial­mente, Ilha do Medo ger­ou a impressão de ser meio exager­a­do e bas­tante ten­den­cioso, prin­ci­pal­mente dev­i­do à tril­ha sono­ra impac­tante (que de tan­to ser repeti­da, aca­ba-se acos­tu­man­do). Quase da metade do filme para o final, o cli­ma enga­ta mais, fican­do tudo mais nat­ur­al, e a tra­ma fica muito inter­es­sante. Mes­mo abor­dan­do um tema já meio bati­do, con­segue envolver bas­tante em toda a bus­ca pela ver­dade na inves­ti­gação de Ted­dy com o seu par­ceiro, trazen­do ape­nas em breves momen­tos a sen­sação de estar­mos acom­pan­han­do e anal­isan­do tudo de fora. Assim como, dev­i­do à óti­ma fotografia e edição, é pos­sív­el facil­mente imer­gir den­tro do cli­ma alu­cinógeno, e às vezes claus­trofóbi­co, cri­a­do por Scorsese.

    Ilha do Medo não é para quem está bus­can­do ação e tiros, mas sim para quem quer imer­gir em uma tra­ma cheia de ram­i­fi­cações ines­per­adas. Com um óti­mo elen­co, desta­can­do a atu­ação de DiCaprio, esta é uma exce­lente opor­tu­nidade para (re)pensar na sua própria sanidade.

    Out­ra críti­cas interessantes:

    Trail­er:

    httpv://www.youtube.com/watch?v=xruhUAK5mbo