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  • Amantes Eternos (2013), de Jim Jarmusch | Crítica

    Amantes Eternos (2013), de Jim Jarmusch | Crítica

    amantes-eternos-2013-de-jim-jarmusch-critica-posterSer imor­tal, ou pelo menos algo próx­i­mo a isso, é um dese­jo que inspi­ra muitas histórias e pesquisas, pas­san­do des­de abor­da­gens mais mís­ti­cas às mais tec­nológ­i­cas. Essa condição, além de ofer­e­cer várias pos­si­bil­i­dades, tam­bém lev­an­ta várias questões que são muitas vezes difí­ceis de se imag­i­nar dada a bre­v­i­dade de nos­so tem­po de vida. Como será que uma criatu­ra per­pé­tua se sen­tiria em relação ao cam­in­har da história da humanidade? E uma relação amorosa que durasse sécu­los? Estes são os dois fios con­du­tores da tra­ma de “Amantes Eter­nos” (“Only Lovers Left Alive”, Inglaterra/Alemanha/Grécia, 2013), dirigi­do e escrito por Jim Jar­musch.

    Pas­san­do longe da ficção cien­tí­fi­ca para cri­ar tal condição, Jar­musch traz um novo olhar a criatu­ra imor­tal­iza­da (nos dois sen­ti­dos) por Bram Stok­er: o vam­piro. Antes que alguns torçam o nar­iz, não se tra­ta de mais uma adap­tação pueril ou uma des­cul­pa para colo­car pes­soas em colantes pre­tos lutan­do entre si ou com mon­stros em câmera lenta. “Amantes Eter­nos traz nova­mente os vam­piros para o seu auge nas telonas, assim como fez “Entre­vista com o Vam­piro” (1994), de Neil Jor­dan, basea­do na obra da escrito­ra Anne Rice. Só que des­ta vez, o con­fli­to prin­ci­pal não é uma crise exis­ten­cial con­si­go mes­mo, mas sim com a espé­cie humana em ger­al, aqui apel­i­da­da car­in­hosa­mente de zumbis.

    Tal crise tem seus motivos mais que óbvios. Afi­nal, deve ser depri­mente ver, e as vezes tam­bém con­viv­er, com várias mentes bril­hantes que são igno­radas e até mor­tas por con­ta de suas ideias rev­olu­cionárias, para somente depois de décadas, serem final­mente escu­tadas, mes­mo que ape­nas par­cial­mente. Jun­tan­do isso a todo o con­hec­i­men­to que esta pes­soa iria acu­mu­lar durante sécu­los, cria-se uma situ­ação no mín­i­mo desan­i­mado­ra. Os dois per­son­agens prin­ci­pais de “Amantes Eter­nos são extrema­mente cul­tos, sem­pre lem­bran­do de seus ami­gos do pas­sa­do (Schu­bert, Gus­tave Flaubert, Shake­speare…) como se ontem hou­vessem con­ver­sa­do. Por con­ta dis­so, se tor­nam até meios esnobes, mas nun­ca sendo pedantes e sem­pre com um óti­mo sen­so de humor nas suas refer­ên­cias e brincadeiras.

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    Para sobre­viv­er todo esse tem­po, além da con­stante mudança de local, há algo ain­da mais impor­tante a ser preza­do: o anon­i­ma­to. Afi­nal, seria difí­cil, para não diz­er impos­sív­el, escon­der a “imor­tal­i­dade” sob qual­quer tipo de holo­fote. Ou seja, nada de virar astros de rock ou vig­i­lantes noturnos. Faz­er isso seria como se inti­t­u­lar “agente secre­to” quan­do todos sabem que seu nome é James Bond e que você é o 007. Mas voltan­do ao assun­to do lon­ga em questão… Adam vive em Detroit, uma cidade nos Esta­dos Unidos que atual­mente está prati­ca­mente aban­don­a­da, ten­do declar­a­do con­cor­da­ta no ano pas­sa­do. Com certeza um dos mel­hores lugares para alguém se escon­der atual­mente no EUA.

    Em “Amantes Eter­nos, acom­pan­hamos o casal Adam (Tom Hid­dle­ston, o óti­mo Loki de “Thor”), um músi­co ávi­do e genial, e Eve (Til­da Swin­ton, a imor­tal “Orlan­do”), uma amante da lit­er­atu­ra, ten­tan­do sobre­viv­er no mun­do atu­al. Mas a com­posição de músi­cas já não con­segue mais mas­carar a insat­is­fação de Adam em relação a vida e a humanidade e Eve vai vis­itá-lo para ajudá-lo nes­ta crise. Falan­do em músi­ca, a tril­ha sono­ra é um dos grandes destaques do lon­ga, sendo bas­tante som­bria mas ao mes­mo tem­po sedu­to­ra, um ver­dadeiro post-rock vampiresco.

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    Com uma fotografia bem som­bria, o filme se pas­sa quase todo em ambi­entes fecha­dos e mal ilu­mi­na­dos, sem­pre a noite é claro. Este foi o primeiro lon­ga fil­ma­do dig­i­tal­mente por Jar­musch, que tem sérias restrições a respeito desse for­ma­to por não pos­suir, segun­do ele, uma qual­i­dade boa para áreas aber­tas e com mui­ta ilu­mi­nação. Mas como neste lon­ga não há nada dis­so, acabou se adap­tan­do per­feita­mente a estas lim­i­tações. Out­ra curiosi­dade inter­es­sante é que den­tro do set de fil­ma­gens, não era toca­da nen­hu­ma músi­ca, foi ape­nas dis­tribuí­do um mix­tape entre a equipe.

    Para con­diz­er com todo o dis­cur­so da anon­im­i­dade e con­hec­i­men­to sec­u­lar dos per­son­agens, ess­es vam­piros não pos­suem visual­mente nada de extra­vante, ten­do ape­nas como difer­en­cial um cabe­lo bem ani­male­sco (que foi cri­a­do mis­tu­ran­do a par­tir da mis­tu­ra de cabe­lo humano com pêlo de cabra e iaque). O lon­ga tam­bém brin­ca com várias das con­cepções a respeito dess­es seres da noite, prin­ci­pal­mente com a maneira que eles se ali­men­tam, que é sen­sa­cional. Out­ro detal­he inter­es­sante está rela­ciona­do com a intro­dução de um novo, con­ce­bido pelo próprio dire­tor, para car­ac­ter­izá-los. Vamos ver se você percebe ou perce­beu qual é ele.

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    Resu­min­do em pou­cas palavras: se você gos­ta de filmes inteligentes e fica intri­ga­do com as pos­si­bil­i­dades de per­pé­tu­os sug­adores de sangue, é bem prováv­el que fique com­ple­ta­mente seduzi­do por “Amantes Eter­nos.

  • Rurouni Kenshin (2012), de Keishi Ohtomo | Crítica

    Rurouni Kenshin (2012), de Keishi Ohtomo | Crítica

    rurouni_kenshin-posterDepois do fias­co de Drag­on Ball: Evo­lu­tion (2009), uma adap­tação pavorosa da fran­quia Drag­on Ball, a apreen­são em torno do que pode­ri­am faz­er com o anime/mangá Rurouni Ken­shin era inten­sa e real. Um dos maiores suces­sos japone­ses do gênero, a série de mangá “Rurouni Ken­shin: Crôni­cas de um Espadachim da Era Mei­ji” foi cri­a­da pelo artista Nobuhi­ro Wat­su­ki em 1994, e uma ver­são em ani­me foi lança­da dois anos depois, alcançan­do um suces­so estron­doso. No Brasil, a saga do espadachim andar­il­ho ficou con­heci­da como Samu­rai X, uma alusão à cica­triz que Ken­shin car­rega no ros­to, e que ain­da hoje faz a cabeça de mui­ta gente. Por isso, seria uma desagradáv­el sur­pre­sa ter essa série despe­ja­da na lama, exata­mente como acon­te­ceu com Drag­on Ball.

     

    Capa do mangá lançado pela Editora JBC
    Capa do mangá lança­do pela Edi­to­ra JBC

    Feliz­mente, a adap­tação japone­sa em live-action da saga do “andar­il­ho coração de espa­da” sur­preen­deu até mes­mo os mais céti­cos, unin­do fidel­i­dade e orig­i­nal­i­dade na mes­ma metragem. O cenário, con­tex­to históri­co, per­son­agens e diál­o­gos da ver­são orig­i­nal podem ser facil­mente iden­ti­fi­ca­dos no filme Rurouni Ken­shin: Mei­ji Swords­man Roman­tic Sto­ry (2012), do dire­tor Keishi Ohto­mo, lança­do em agos­to do ano pas­sa­do nos cin­e­mas japone­ses, sendo um grande suces­so de bil­hete­ria, críti­ca e públi­co. Por motivos que descon­heço – e pre­firo nem soltar pal­pites –, os brasileiros não rece­ber­am o filme nas salas de cin­e­ma, razão que impul­sio­nou os amantes da série a “adquirir” o DVD, que foi lança­do no final de dezembro.

    O lon­ga con­ta a tra­jetória do andar­il­ho Ken­shin Himu­ra que, cansa­do da vida de assas­si­no que lev­a­va – e que o fez ficar con­heci­do como o lendário Bat­tou­sai – o Retal­hador –, decide sair de for­ma errante, sem paradeiro ou des­ti­no, car­regan­do uma cica­triz em for­ma de X no ros­to. Ken­shin toma essa decisão após a Batal­ha de Toba-Fushi­mi, fato verídi­co na história do Japão e que foi cru­cial para a der­ro­ta deci­si­va do Shogu­na­to Toku­gawa, força que o Bat­tou­sai com­ba­t­ia. Esse san­gren­to perío­do mar­ca o final do feu­dal­is­mo de Toku­gawa e o iní­cio da Era Mei­ji, car­ac­ter­i­za­da por um proces­so de mod­ern­iza­ção políti­ca e social.

    Takeru Sato como o samurai Kenshin Himura
    Takeru Sato como o samu­rai Ken­shin Himura

    Transcor­ri­dos dez anos dessa batal­ha, a len­da da carnific­i­na do espadachim retor­na viva e inten­sa, pois uma série de mortes vio­len­tas é atribuí­da ao Bat­tou­sai, sus­peito de espal­har sangue e ter­ror em Tóquio. No decor­rer desse tem­po, o andar­il­ho Ken­shin (Takero Sato) con­hece a destemi­da Kaoru Kamiya (Emi Takei), herdeira de um dojo de kendo deix­a­do por seu pai, e a par­tir de um fato inusi­tada­mente perigoso – que não vou men­cionar para não ger­ar spoil­er -, o des­ti­no aprox­i­ma ambos.

    Kaoru Kamiya (Emi Takei) e Kenshin (Takero Sato)
    Kaoru Kamiya (Emi Takei) e Ken­shin (Takero Sato)

    O live-action faz uma mis­tu­ra bem elab­o­ra­da de acon­tec­i­men­tos pre­sentes na história orig­i­nal, sem focar em pon­tos especí­fi­cos, per­mitin­do uma lin­ha de raciocínio ger­al, e não dire­ciona­da somente aos já “ini­ci­a­dos” no enre­do. A tra­ma tam­bém apre­sen­ta out­ros per­son­agens já con­sagra­dos no anime/mangá, como Hajime Saitou (Yōsuke Eguchi) – com­bat­ente destemi­do, frio e de pre­sença extrema­mente mar­cante, que coman­dou o batal­hão do anti­go regime na Batal­ha de Toba-Fushi­mi; o diver­tidís­si­mo Sanosuke Sagara (Mune­ta­ka Aoki), luta­dor de rua que osten­ta uma espé­cie de “topete-crista-de-galo” bem curioso; o estri­dente Yahiko Myo­jin (Take­to Tana­ka), órfão e estu­dante do dojo, e a bela Megu­mi Takani (Yu Aoi), descen­dente de uma família con­ceitu­a­da de médi­cos e que se vê força­da a tra­bal­har para um rico traf­i­cante local na fab­ri­cação de ópio.

    O destemido Hajime Saitou (Yōsuke Eguchi)
    O destemi­do Hajime Saitou (Yōsuke Eguchi)

    O traf­i­cante em questão é Kan­ryu Take­da (Teruyu­ki Kagawa), respon­sáv­el pelas cenas hilárias e excên­tri­c­as do filme, que começam pela sua cara, uma cópia descara­da do pasteleiro Beiço­la, do seri­ado glob­al “A Grande Família”. Ape­sar de ter lido algu­mas críti­cas ao imen­so espaço reser­va­do a Take­da no filme, um per­son­agem cita­do por alguns fãs como “ridícu­lo e fra­co”, eu achei que foi uma boa opção dar esse ar mais engraça­do à tra­ma, já que não desqual­i­fi­ca em nada o cur­so dos acon­tec­i­men­tos, bem como a apre­sen­tação dos três grandes espadachins pre­sentes no live-action: Ken­shin Himu­ra, Hajime Saito e Jin‑E Udou, este últi­mo inter­pre­ta­do pelo ator Koji Kikkawa. No fim da Era dos Samu­rais, ess­es três destemi­dos san­guinários ficaram sem espaço e tiver­am que procu­rar novos cam­in­hos, já que a anti­ga práti­ca não era vista com bons olhos na nova refor­ma políti­ca. Ken­shin se tornou um andar­il­ho com muito amor – e cul­pa — no coração, Saitou pas­sa a ocu­par um car­go no depar­ta­men­to de polí­cia do gov­er­no e Jin‑E vira um mer­cenário con­trata­do pelo crime organizado.

    Teruyuki Kagawa como o hilário Kanryu Takeda
    Teruyu­ki Kagawa como o hilário Kan­ryu Takeda

    O filme não tem efeitos espe­ci­ais espal­hafatosos, pirotec­nia ou algo do tipo. Em con­tra­parti­da, a fotografia e a tril­ha sono­ra são exce­lentes, dan­do uma aura espe­cial às cenas e inter­pre­tações. Achei muito inter­es­sante o fato de terem usa­do uma tril­ha sono­ra difer­ente da uti­liza­da no ani­me, pos­si­bil­i­tan­do a cri­ação de uma iden­ti­dade própria e longe de cópias puris­tas e lim­i­tadas. Assi­na­da por Nao­ki Sato, o track-list é incon­fundív­el, com destaque para a lindís­si­ma “Hiten” (algo como “voan­do no céu”)!

    A escol­ha do elen­co foi acer­ta­da e, de cer­ta for­ma, sur­preen­dente. Con­fes­so que assim que come­cei a assi­s­tir, pen­sei que o intér­prete de Ken­shin, Takero Sato, fos­se que­brar ao meio de tão magro! Mas o magér­ri­mo ator foi uma das sur­pre­sas do filme, con­seguin­do trans­por para a tela todo o sen­ti­men­to de solidão, opressão e angús­tia do ex-retal­hador. Out­ro pon­to alto está com a atu­ação pri­morosa de Yōsuke Eguchi na pele do ina­baláv­el Saitou. Os des­falques ficam com a inter­pre­tação de Emi Takei, dan­do à Kaoru uma fem­i­nil­i­dade e obe­diên­cia que ela não pos­sui, e a lacu­na deix­a­da pela ausên­cia do vilão Shishio Mako­to, o mais implacáv­el dos inimi­gos do andar­il­ho Ken­shin. Tam­bém acho que a relação de amizade entre Ken­shin e Sanosuke dev­e­ria ser mais explo­ra­da, pois ficou meio sol­ta no ar e mes­mo no momen­to em que os dois lutam lado a lado — nas cenas finais do filme -, não dá para acom­pan­har de onde aque­le entrosa­men­to surgiu.

    Personagens dos filmes com os do anime/manga
    Per­son­agens do filme e seus respec­tivos per­son­agens do anime/manga

    Ao que tudo indi­ca, a saga vai ter con­tin­u­ação. Quem sabe os per­son­agens secundários ten­ham mais espaço, Shishio dê o ar da graça e Kaoru seja mais Kaoru e menos Amélia.

    P.S: Esse tex­to foi escrito com a pre­ciosa colab­o­ração de Rafaela Tor­res, psicólo­ga, gamer e amante do uni­ver­so ani­me e mangá.

  • Oz, Mágico e Poderoso | Crítica

    Oz, Mágico e Poderoso | Crítica

     Oz, Mágico e Poderoso PosterUm trail­er de encher os olhos e um grande inves­ti­men­to em mar­ket­ing. Foi assim que a Dis­ney criou uma enorme expec­ta­ti­va com Oz, Mági­co e Poderoso (Oz the Great and Pow­er­ful, EUA, 2013), seu mais novo lança­men­to dirigi­do por Sam Rai­mi. Explo­ran­do a história de como surgiu o famoso per­son­agem do icôni­co filme O Mági­co de Oz (1939), o lon­ga bus­ca agradar toda a legião de fãs já exis­tentes e tam­bém uma nova ger­ação que provavel­mente nun­ca ouviu falar da estra­da amarela e dos sap­at­in­hos de rubi.

    A história começa em 1905 em Kansas com Oscar Dig­gs, um mul­heren­go mági­co circense apel­i­da­do de Oz. Ao ten­tar fugir em um balão por con­ta de um de seus “truques” sedu­tores, é sug­a­do para o meio de um tor­na­do, chegan­do à fan­tás­ti­ca Ter­ra de Oz, onde há uma pro­fe­cia rela­tan­do que o grande mági­co de Oz viria dos céus para der­ro­tar a Bruxa Má, trazen­do paz para todos. Oscar acred­i­ta que esta pode ser final­mente a sua grande opor­tu­nidade de obter o suces­so que tan­to alme­ja, porém não tem a mín­i­ma ideia das pro­porções do que impli­ca ser este herói.

    A famosa estrada amarela
    A famosa estra­da amarela

    Para quem já assis­tiu O Mági­co de Oz, dirigi­do por Vic­tor Flem­ing, é impos­sív­el olhar para este novo lon­ga sem procu­rar algu­ma refer­ên­cia — que são inúmeras. Temos o famoso iní­cio todo em pre­to e bran­co e a tam­bém diver­ti­da repetição de alguns atores fazen­do per­son­agens sim­i­lares nos dois mun­dos. Dev­i­do aos dire­itos autorais da história e do filme de 1939 serem deti­dos pela Warn­er Bros, muitos dos ele­men­tos mais icôni­cos (como o sap­at­in­ho de rubi) não pud­er­am ser uti­liza­dos — prob­le­ma que irá ces­sar no ano de 2034, quan­do a obra entrará em domínio públi­co. Algu­mas vezes foi pos­sív­el con­tornar este prob­le­ma: para o visu­al da Bruxa Má foi usa­do um tom de verde difer­ente do orig­i­nal e a estra­da amarela foi man­ti­da, mas sem o seu iní­cio em espiral.

    O visual impressionante da terra fantástica de Oz
    O visu­al impres­sio­n­ante da ter­ra fan­tás­ti­ca de Oz

    Um dos grandes atra­tivos do lon­ga é com certeza o seu visu­al fan­tás­ti­co, que fica ain­da mais sur­preen­dente se for assis­ti­do no IMAX. Alguns movi­men­tos de câmera panorâmi­ca são bem inusi­ta­dos, só sendo pos­síveis graças a uti­liza­ção de uma câmera vir­tu­al em um ambi­ente ger­a­do pelo com­puta­dor. O 3D do filme foi muito bem uti­liza­do, lem­bran­do bas­tante o óti­mo tra­bal­ho feito no A Invenção de Hugo Cabret (2011), val­en­do a pena ser assis­ti­do com o uso des­ta tecnologia.

    Apesar de todos os cuidados, em algumas cenas ficou bem evidente o uso do chroma key
    Ape­sar de todos os cuida­dos, em algu­mas cenas ficou bem evi­dente o uso do chro­ma key

    Os pon­tos neg­a­tivos do lon­ga ficaram prin­ci­pal­mente na fal­ta de real­is­mo em alguns momen­tos. Mes­mo com os cuida­dos para os atores inter­a­girem ao máx­i­mo com ele­men­tos reais (foi feito por exem­p­lo uma mar­i­onete da boneca de porce­lana), ficou bem evi­dente em cer­tas cenas o uso do chro­ma key, assim como a inserção dig­i­tal de per­son­agens. Para pio­rar, essas situ­ações ficaram ain­da mais acen­tu­adas por uma atu­ação beiran­do o teatral, supon­do dar mais cred­i­bil­i­dade aos efeitos espe­ci­ais. Mas são poucos os momen­tos que isso acon­tece e na ver­dade, acabou até de cer­ta for­ma sendo diver­tido, lem­bran­do as pro­duções em que o orça­men­to é cur­to demais e foi pre­ciso impro­vis­ar, ape­sar de não ter sido este o caso neste filme. Para quem gos­ta, tem um vídeo bem inter­es­sante no canal Mak­ing Of do YouTube, sobre os back­stages da fil­magem.

    James Franco e o diretor Sam Raimi no set de filmagem
    James Fran­co e o dire­tor Sam Rai­mi no set de filmagem

    O desen­volvi­men­to da história de Oz, Mági­co e Poderoso, reme­teu ao óti­mo, e tam­bém bem arrisca­do, tra­bal­ho feito em TRON: O Lega­do (2010), sequên­cia do filme de 1982, ambos da Dis­ney, assim como a história de Bran­ca de Neve e o Caçador (2012), onde o famoso con­to de fadas é explo­rado de for­ma a agradar um públi­co mais ado­les­cente. Na ver­dade, ele está se sain­do tão bem que a Dis­ney já anun­ciou que fará uma nova sequên­cia (provavel­mente com out­ro diretor).

    Se você não ficou muito empol­ga­do com o remake da Dis­ney de Alice no País das Mar­avil­has (2010), Oz, Mági­co e Poderoso provavel­mente irá te sur­preen­der. Além de explo­rar muito bem toda a história de como surgiu o famoso Mági­co de Oz, ele tam­bém con­tou com uma óti­ma equipe de atores como James Fran­co, Mila Kunis e Rachel Weisz. Para quem gos­ta de tril­has sono­ras, este é out­ro destaque do lon­ga, pro­duzi­do pelo óti­mo Dan­ny Elf­man, que ficou mais con­heci­do pela sua parce­ria com o dire­tor Tim Bur­ton em filmes como O Estran­ho Mun­do de Jack e A Noi­va Cadáver.

    Trail­er:

    httpv://www.youtube.com/watch?v=hBlhviucIxc

  • Dossiê Darren Aronofsky: Pi

    Dossiê Darren Aronofsky: Pi

    poster piVinte zero um. Aque­la capa pre­ta com um grande sím­bo­lo bran­co sem­pre me chama­va atenção na locado­ra, mas por algum moti­vo nun­ca loca­va ou chega­va muito per­to dele.

    Vinte zero três. Alguém aleatório em uma fes­ta de ano novo começa a con­ver­sar sobre filmes comi­go e comen­to da tal capa, ele então fala que ape­sar de mais difer­ente é um lon­ga fab­u­loso que eu dev­e­ria assi­s­tir. Acho inter­es­sante mas não dou mui­ta atenção, vou ali pegar um pouco mais de sal­a­da de batata.

    Vinte zero seis. Pare­cia perseguição, nova­mente aque­la imagem, deci­di final­mente ter cor­agem e ver a parte de trás da caixa, mas ao ver fotos em pre­to e bran­co, achei mel­hor ficar para a próx­i­ma vez, que não tin­ha ideia de quan­do era.

    Nota men­tal. Naque­la época ver filme ain­da era uma sim­ples fuga, as vezes até do filme em si.

    Vinte zero sete. Desafir­mo a suposição a respeito dos filmes na min­ha situ­ação atu­al. Algo havia muda­do den­tro de mim. Reafir­mo min­has novas suposições.

    Um. Filmes podem con­ter muito mais infor­mações do que imaginamos.

    Dois. A escol­ha por um tipo de lon­ga diz mui­ta coisa a respeito da situ­ação atu­al de uma pessoa.

    Três. Quase sem­pre é pos­sív­el decifrar infor­mações inter­es­santes ao assi­s­tir algo.

    Nota men­tal: escr­ev­er a respeito dessas coisas começa a pare­cer uma ideia interessante.

    Imagem filme PiVinte onze. O filme da capa estran­ha não é mais nada estran­ho. Já o assisti pelo menos umas seis vezes, seu títu­lo é Pi (EUA, 1998), dirigi­do por Dar­ren Aronof­sky, e o mes­mo está no topo da lista dos lon­gas que eu mais gos­to, assim como o dire­tor, que ocu­pa o segun­do lugar na min­ha lista de cineas­tas preferidos.

    Nota men­tal: é pos­sív­el cri­ar lis­tas para quase tudo.

    Pi foi a estréia de Aronof­sky no cin­e­ma, real­iza­do com um micro-orça­men­to de 60 mil dólares finan­cia­do pela família e ami­gos, mas já pos­suin­do todas as car­ac­terís­ti­cas bem par­ti­c­u­liares e muito pecu­liares do dire­tor. Max­imil­lian “Max” Cohen (Sean Gul­lette), o pro­tag­o­nista e nar­rador do filme, é um matemáti­co que acred­i­ta que tudo ao nos­so redor pode ser rep­re­sen­ta­do e enten­di­do através de números. Além dis­so, se rep­re­sen­tar­mos grafi­ca­mente os números de qual­quer sis­tema, padrões surgem. Por­tan­to, há padrões em toda a natureza.

    Poster Pi Thiago EsserApe­sar de trans­bor­dar em sim­bolis­mos, mitolo­gias, metá­foras e teo­rias, Pi pode ser vis­to de longe como um filme cha­to e maçante, mas ele não é nada dis­so, muito pelo con­trário. Assim como acon­tece em um tex­to do Jorge Luís Borges, após ser­mos quase que esma­ga­dos pela primeira avalanche de infor­mações, aparente­mente desconexas e sem muito sen­ti­do, a luz logo se tor­na tão inten­sa que chega a doer os olhos. Em con­tra­parti­da ao vol­ume de infor­mação, ao lon­go do filme há várias expli­cações feitas de for­ma muito com­preen­síveis para vários dos con­ceitos abor­da­dos, sem em nen­hum momen­to pare­cer aque­las aulas chatas ou total­mente fora do con­tex­to, como acon­te­ceu um pouco em uma cena de A Origem (2011) quan­do se vai explicar como fun­ciona o mecan­is­mo para entrar nos sonhos.
    Nota pes­soal: Torá, Cabala, Teo­ria do Caos, Euclides, Arquimedes, Pitá­go­ras, Fibonac­ci, Leonar­do da Vin­ci, Go, Pro­porção Áurea, Espi­ral Dourada.

    Tam­bém já é pos­sív­el notar um pouco do rit­mo frenéti­co e pico­ta­do, que mais tarde se con­sagrou em Réquiem para um Son­ho (2000), que muitas vezes cria uma ambi­en­tação de thriller no lon­ga. Além dis­so, o Pi tam­bém pos­sui alguns efeitos espe­ci­ais bem inter­es­santes, ape­sar do seu baixo orça­men­to, sendo um deles a cena em que é feito um zoom em cima de números, assim como o mem­o­ráv­el efeito do iní­cio do filme que Matrix (1999) fez no ano seguinte. Aliás, os filmes de Aronof­sky são bem con­heci­dos por resolverem várias questões de efeitos com­plex­os com solução sim­ples e baratas, mas que causam um efeito estonteante.

    Imagem filme PiA tril­ha sono­ra é out­ro pon­to alto de Pi, sendo o iní­cio de uma pro­lí­fi­ca parce­ria com Clint Mansell, que o acom­pan­hou de algu­ma maneira em todos os seus out­ros filmes. Para quem é fã deste tipo de músi­ca, envol­ven­do prin­ci­pal­mente som intru­men­tal, vai ado­rar escutá-la. Tam­bém recomen­do demasi­da­mente a tril­ha sono­ra do seu out­ro filme A Fonte da Vida, que para mim é a mel­hor de todas.

    A exper­iên­cia de assi­s­tir Pi pode ser um pouco difí­cil nos primeiro min­u­tos, mas uma vez super­a­da essa fase, é difí­cil não achá-lo no mín­i­mo per­tur­bador e cheio de pos­si­bil­i­dades de dis­cussões para quem acred­i­ta que através de números ou não, há muito o que ain­da con­hecer sobre as infini­tudes do novo uni­ver­so quântico.

    Out­ros tex­tos inter­es­santes sobre o filme Pi:

    Trail­er:

    httpv://www.youtube.com/watch?v=xzAjzoNOaaU

  • Crítica: O Espião que sabia demais

    Crítica: O Espião que sabia demais

    O mun­do da espi­onagem sem­pre fas­ci­nou muitas pes­soas com todos os seus que­bra-cabeças, armas e equipa­men­tos. Prin­ci­pal­mente nos últi­mos anos, este uni­ver­so foi inun­da­do com mui­ta ação, explosões, locações exóti­cas, mul­heres boni­tas e um rit­mo tão rápi­do, que as vezes mal dá para res­pi­rar. Indo total­mente con­tra esta tendên­cia, O Espião Que Sabia Demais (“Tin­ker, Tai­lor, Sol­dier, Spy”, Reino Unido/França/Alemanha, 2011), dirigi­do por Tomas Alfred­son, explo­ra a fun­do a capaci­dade de um espião de pesquisa, faz­er conexões e saber esper­ar o momen­to exa­to de agir.

    A história se pas­sa no final da Guer­ra Gria, onde George Smi­ley (Gary Old­man), vet­er­a­no da Cir­cus, a divisão de elite do Serviço Secre­to Inglês, é chama­do para desco­brir quem é o agente dup­lo que tra­bal­ha já há vários anos para os soviéti­cos den­tro deste sele­to grupo. Em um uni­ver­so onde a dis­sim­u­lação é essen­cial para a sobre­vivên­cia, encon­trar o traidor entre ess­es profis­sion­ais alta­mente treina­dos pelo seu próprio país, não será uma tare­fa nada fácil.

    Adap­ta­do do livro homôn­i­mo de John Le Car­ré, lança­do aqui no Brasil pela Record, O Espião Que Sabia Demais segue um viés bem difer­ente do mun­do cri­a­do, por exem­p­lo, pelo escritor Ian Flem­ing em James Bond, ou até por espiões mais atu­ais como Ethan Hunt, do recente Mis­são Impos­sív­el 4 — Pro­to­co­lo Fan­tas­ma, ou do Jason Bourne. Aqui, difi­cil­mente uma arma de fogo é uti­liza­da e o proces­so de espi­onagem envolve basi­ca­mente a habil­i­dade de desco­brir infor­mações e conec­tá-las, muitas vezes por lon­gas horas soz­in­ho den­tro de um quar­to escuro com uma pil­ha de papéis.

    Lidar com essa quan­ti­dade gigante de infor­mações aca­ba tam­bém sendo uma tare­fa para o próprio espec­ta­dor de O Espião Que Sabia Demais, que é con­stan­te­mente envolvi­do por nomes — um pesade­lo para mim que tem difi­cul­dade em lem­brar nomes dos per­son­agens -, fatos históri­cos e peque­nas sutilezas ocor­ri­das no decor­rer da história. Por con­ta deste aspec­to, o filme aca­ba pos­suin­do um rit­mo mais pesa­do — ape­sar de o trail­er dar uma impressão difer­ente -, mas não nec­es­sari­a­mente lento, neces­si­tan­do uma grande atenção de quem está assistin­do. Ape­sar dis­so, há cenas de extrema ten­são, que aju­dam o acom­pan­hamen­to da tra­ma mais facilmente.

    O dire­tor Tomas Alfred­son man­têm em O Espião Que Sabia Demais todo um cli­ma som­brio e meio mór­bido, enfa­ti­zan­do a monot­o­nia dos ambi­entes retrata­dos, que ficaram bem car­ac­terís­ti­cos em Deixe Ela Entrar, filme pelo qual ficou mais con­heci­do por aqui.

    Um fato inter­es­sante é que o autor John le Car­ré, pseudón­i­mo de David John Moore Corn­well, já havia sido um espião britâni­co do MI6, ten­do lança­do seu primeiro livro enquan­to ain­da exer­cia a profis­são. Mas ele teve que largar a car­reia porque sua iden­ti­dade, jun­to com a de out­ros espiões, havia sido rev­e­la­da por um agente duplo.
    O Espião Que Sabia Demais defin­i­ti­va­mente não é aque­le filme para se assi­s­tir com um balde de pipoca e uma pos­tu­ra pas­si­va para rece­ber tudo masti­ga­do na sua frente. Ele está mais para um leitu­ra de um bom livro onde a sua atenção é estri­ta­mente necessária para entrar nesse mun­do som­brio e silen­cioso da espionagem.

    Para quem gos­ta, recomen­do tam­bém a tril­ha sono­ra do filme O Espião Que Sabia Demais, total­mente instru­men­tal, que pode ser escu­ta­da na inte­gra no site ofi­cial da mesma.
    Trail­er:

    httpv://www.youtube.com/watch?v=zT9aWRlB7Xw

  • Sintel

    Sintel

    Quan­do se cria uma história de rap­to com dois dragões e uma mul­her, nor­mal­mente um enre­do onde a mocin­ha é man­ti­da cati­va pelos dragões já vai se for­man­do em nos­sas cabeças. Mas e se a história fos­se com­ple­ta­mente difer­ente desse padrão? Sin­tel (2010), dirigi­do por Col­in Levy, nar­ra jus­ta­mente a jor­na­da de uma mul­her na bus­ca de seu mel­hor ami­go, um dragão que encon­trou feri­do quan­do ele ain­da era bem pequeno, que foi rap­ta­do por um grande dragão enquan­to brin­cavam um dia pelos tel­ha­dos das casas.

    Sin­tel foi cri­a­do inteira­mente uti­lizan­do soft­wares livres como Blender, para mod­e­lagem 3D e ani­mação, GIMP e Inkscape, para trata­men­to de ima­gens e desen­hos, entre out­ros. Se você quis­er, pode ver mais infor­mações sobre o pro­je­to aqui. No site ofi­cial tam­bém é pos­sív­el encon­trar todo tipo de mate­r­i­al extra, pois foi doc­u­men­ta­do e disponi­bi­liza­do grande parte do proces­so de cri­ação, uma exce­lente fonte para quem gos­ta de ani­mação. O pro­je­to do cur­ta foi cri­a­do pela Blender Foun­da­tion como meio de apri­morar a fer­ra­men­ta Blender, finan­cia­do prin­ci­pal­mente por doações fei­ta pela inter­net, assim como a ani­mação Big Buck Bun­ny.

    Sin­tel chama bas­tante atenção não só pela qual­i­dade da ani­mação — que é um soco no estô­ma­go para quem acha que artes feitas em soft­ware livre são feias — mas tam­bém pela qual­i­dade do roteiro e da direção. Tam­bém, não deve ter sido a toa que o Col­in Levy foi tra­bal­har para a Pixar em 2011! Recomen­do tam­bém uma visi­ta no blog do dire­tor, para con­hecer mais sobre o seu trabalho.

    Como sou vici­a­do em tril­has sono­ras de filmes, ani­mações e jogos, fiquei muito feliz em saber que é pos­sív­el baixar a tril­ha sono­ra com­ple­ta de Sin­tel. Se você tam­bém gos­ta escu­tar este tipo de músi­ca, prin­ci­pal­mente instru­men­tal, recomen­do o download.

    No final do vídeo enquan­to rolam os crédi­tos, são exibidos várias ima­gens extras da con­strução dos per­son­agens e do ambi­ente, vale a pena ver até o final! (Se as leg­en­das não car­regarem auto­mati­ca­mente é pre­ciso ativá-la cli­clan­do no ícone “CC” na bar­ra do vídeo)

    httpv://www.youtube.com/watch?v=eRsGyueVLvQ&hd=1

    Você tam­bém pode faz­er o down­load com­ple­to do Sin­tel em vários for­matos e com legendas.

    Quem tiv­er inter­esse em saber mais sobre a pro­dução de Sin­tel, des­de a cri­ação do con­ceito a ani­mação final, pode assi­s­tir ao doc­u­men­tário abaixo de quase uma hora, que abrange os está­gios da pro­dução da ani­mação entre Novem­bro de 2009 e Jul­ho de 2010. Infe­liz­mente o doc­u­men­tário está disponív­el somente em inglês e sem leg­en­das, mas mes­mo assim vale a pena ser vis­to só pelas ima­gens. Quem quis­er ir um pouco mais além pode inclu­sive faz­er o down­load de uma ver­são mais sim­pli­fi­ca­da da per­son­agem prin­ci­pal para brin­car no Blender.

    httpv://www.youtube.com/watch?v=IN6w6GnN-Ic

  • Crítica: Missão Impossível 4 — Protocolo Fantasma

    Crítica: Missão Impossível 4 — Protocolo Fantasma

    Quan­do é anun­ci­a­da uma sequên­cia de um filme que fez muito suces­so já fico com um pé atrás, quan­do se tra­ta da quar­ta… nem pre­ciso diz­er. Mas, feliz­mente, Mis­são Impos­sív­el 4 — Pro­to­co­lo Fan­tas­ma (Mis­sion: Impos­si­ble — Ghost Pro­to­col, USA, 2011), dirigi­do por Brad Bird, é uma grande exceção, con­seguin­do traz­er em grande esti­lo óti­mas cenas de ação com aque­la tril­ha sono­ra prin­ci­pal — cri­a­da por Lalo Schifrin para a série de TV homôn­i­ma — que é inesquecível.

    O enre­do prin­ci­pal lem­bra bas­tante o primeiro Mis­são Impos­sív­el (1996), neste tam­bém após uma oper­ação na qual Ethan Hunt (Tom Cruise) faz parte ter­mi­nar em tragé­dia, ele e o que sobrou de sua equipe caem na ile­gal­i­dade — pois na ver­dade “nun­ca exi­s­ti­ram” — e devem provar que são inocentes, sem qual­quer apoio do governo.

    Difer­ente dos três out­ros filmes, Mis­são Impos­sív­el 4 — Pro­to­co­lo Fan­tas­ma investe pesa­do no humor, indo des­de ques­tion­a­men­tos a respeito da lóg­i­ca uti­liza­da para realizar as mis­sões ao fun­ciona­men­tos dos super equipa­men­tos essen­ci­ais para exe­cu­tar as mirabolantes façan­has físi­cas e tec­nológ­i­cas. Aliás este é um pon­to muito bem tra­bal­ha­do no lon­ga, pois é quan­do um equipa­men­to fal­ha que aí sim a mis­são se tor­na real­mente impos­sív­el. Qual seria a difi­cul­dade se hou­vesse bugi­gan­gas para quase tudo?

    Infe­liz­mente o vilão da tra­ma de Mis­são Impos­sív­el 4 — Pro­to­co­lo Fan­tas­ma foi muito mal aproveita­do, tan­to em moti­vações — voltou em partes aque­la vel­ha picuin­ha dos EUA con­tra a Rús­sia — quan­to em atu­ação, des­perdiçan­do muito do poten­cial do ator Michael Nyqvist, que ficou famoso por faz­er o papel de Mikael Blomkvist no Os Home­ns Que Não Amavam As Mul­heres (2009) e nos out­ros filmes da famosa trilo­gia Mil­len­ni­um.

    Uti­lizan­do lit­eral­mente quase todos os ele­men­tos dos out­ros filmes da série, havia ape­nas algu­mas novi­dades, Mis­são Impos­sív­el 4 — Pro­to­co­lo Fan­tas­ma é um óti­mo lon­ga com mui­ta ação e óti­mas piadas. Den­tre os out­ros lon­gas, con­sidero este o segun­do mel­hor, fican­do ape­nas atrás do primeiro filme.

    Tive tam­bém a opor­tu­nidade de assi­s­tir Mis­são Impos­sív­el 4 — Pro­to­co­lo Fan­tas­ma no IMAX e foi cer­ta­mente uma exper­iên­cia fan­tás­ti­ca. Quem pud­er, com certeza recomen­do! Aliás até hoje não tive nen­hu­ma recla­mação em relação aos lon­gas vis­tos no IMAX, você por aca­so já teve algu­ma exper­iên­cia ruim nele?

    Trail­er:

    httpv://www.youtube.com/watch?v=Nb-YepEENjY

  • Crítica: Rango

    Crítica: Rango

    A qual­i­dade das ani­mações feitas por com­puta­dor atual­mente estão cada vez mais per­feitas, fazen­do com que a bus­ca por enre­dos mais elab­o­ra­dos e inteligentes seja, cada vez mais, um grande difer­en­cial neste tipo de pro­dução. Ran­go (EUA, 2011), dirigi­do por Gore Verbin­s­ki e pro­duzi­do pela Indus­tri­al Light & Mag­ic (ILM), é um lon­ga ani­ma­do que por pos­suir estas car­ac­ter­is­ti­cas, dev­erá agradar prin­ci­pal­mente o públi­co adulto.

    Ran­go (John­ny Depp) é um camaleão solitário que vive em um aquário e son­ha ser o pro­tag­o­nista de uma grande história. Após um aci­dente, ele fica per­di­do no meio do deser­to e a procu­ra de água, aca­ba entran­do em uma ver­dadeira jor­na­da para desco­brir sua real iden­ti­dade e propósi­to de vida.

    Ape­sar da saga do herói — elab­o­ra­da por Joseph Camp­bell em O poder do mito — já ter sido ampla­mente uti­liza­do em vários filmes, Ran­go vai por um viés mais mís­ti­co, engloban­do ele­men­tos mais oníri­cos e espir­i­tu­ais, que lem­bram muitas vezes o lon­ga El Topo, de Ale­jan­dro Jodor­owsky. O sur­re­al é um ele­men­to tão pre­sente na ani­mação, que aca­ba viran­do algo muito nat­ur­al durante o longa.

    Difer­ente das téc­ni­cas de cap­tura de movi­men­to, onde nor­mal­mente se usam sen­sores no cor­po dos atores, na pro­dução de Ran­go, os atores foram primeira­mente fil­ma­dos inter­agin­do entre si, para depois este mate­r­i­al ser usa­do como refer­ên­cia para a cri­ação da ani­mação. Esta téc­ni­ca em si não é nen­hu­ma novi­dade, até então, ela nun­ca havia sido usa­da tão inten­sa­mente. Logo abaixo do trail­er, há um vídeo muito legal com um breve mak­ing off (tam­bém con­heci­do como fea­turette) do lon­ga, onde é mostra­do algu­mas destas cenas.

    Ani­mações com mui­ta músi­ca nun­ca foi algo que me agradou, quan­do começa­va a parte can­ta­da, nor­mal­mente já ia me con­torcendo na cadeira queren­do que ela ter­mi­nasse logo. Mas em Ran­go, a musi­cal­i­dade não me inco­mod­ou em nen­hum momen­to, aliás foi uma das coisas que me agradou muito, sendo um dos pon­tos altos do filme. A tril­ha sono­ra da ani­mação, pro­duzi­da por Hans Zim­mer, tam­bém é fan­tás­ti­ca, lem­bran­do em cer­tos momen­tos a belís­si­ma tril­ha do filme Diários de Moto­ci­cle­ta, com­pos­ta por Gus­ta­vo San­tao­lal­la. Além dis­so, os dubladores brasileiros de Ran­go defin­i­ti­va­mente fiz­er­am um óti­mo tra­bal­ho. É a difer­ença entre escol­her profis­sion­ais em vez de “famosos” para ten­tar ala­van­car a audiên­cia — vide Enro­la­dos- e aumen­tar assim o lucro.

    Ran­go pos­sui uma duração maior do que as ani­mações nor­mal­mente lançadas, poden­do ser um pouco cansati­vo em cer­tos momen­tos — prin­ci­pal­mente para o públi­co infan­to-juve­nil — mas logo depois con­segue retomar ao rit­mo. Com um roteiro e per­son­agens muito bem elab­o­ra­dos, com certeza é um pra­to cheio para o públi­co mais adul­to, prin­ci­pal­mente aos fãs de animação.

    Out­ras críti­cas interessantes:

    Trail­er:

    httpv://www.youtube.com/watch?v=m5BaDD84Xho

    Mak­ing off (infe­liz­mente sem legendas):

    httpv://www.youtube.com/watch?v=r‑Bc43WVoL0

  • Crítica: 127 Horas

    Crítica: 127 Horas


    Histórias de sobre­viventes já eram block­buster ou best­seller muito antes do próprio cin­e­ma ou livro exi­s­tirem. 127 Horas (127 Hours, EUA/Inglaterra, 2010), dirigi­do por Dan­ny Boyle, é mais um filme a explo­rar esse mer­ca­do (que o Dis­cov­ery Chan­nel ado­ra), trazen­do todas as car­ac­terís­ti­cas que o cin­e­ma e o seu dire­tor podem oferecer.

    Durante uma de suas via­gens nas mon­tan­has de Utah, Esta­dos Unidos, o alpin­ista Aron Ral­ston (James Fran­co), aca­ba fican­do com uma parte do seu cor­po pre­so em uma fen­da. Ele fica nes­ta situ­ação durante 127 horas, com pou­ca comi­da e água, não desistin­do em nen­hum momento.

    A mon­tagem de 127 Horas é bem dinâmi­ca, pos­suin­do um rit­mo mais acel­er­a­do, con­tan­do com a união de várias tomadas na tela, sep­a­radas geral­mente por lin­has ver­ti­cais, que já é car­ac­terís­ti­co do dire­tor, aju­da nesse dinamis­mo. Para quem gos­ta de mon­ta­gens difer­entes, recomen­do O Livro de Cabe­ceira, de Peter Green­away, que é um dos poucos (senão o úni­co) que con­heço que soube real­mente ultra­pas­sar os lim­ites dessa téc­ni­ca. Além dis­so, tam­bém é dado uma atenção espe­cial ao inte­ri­or dos obje­tos uti­liza­dos (gar­rafas, câmera, mangueira, …, até um braço) assim como em pequenos ele­men­tos (formi­gas, pupi­la, …). Para quem já viu o filme Réquiem para um Son­ho, do Dar­ren Aronof­sky (que recen­te­mente fez Cisne Negro), não verá nen­hu­ma novi­dade nesse esti­lo, poden­do inclu­sive achar uma cópia descarada.

    O filme real­mente tem umas cenas mais fortes, mas nada exager­a­do. Aliás, são pou­cas vezes que real­mente vemos o per­son­agem prin­ci­pal demon­stran­do dor. Mas vale destacar a atu­ação de James Fran­co, que ficou muito envol­vente e caris­máti­ca. A tril­ha sono­ra de 127 Horas tam­bém aju­da bas­tante na cri­ação de uma ambi­en­tação mais leve, ape­sar da situ­ação deses­per­ado­ra. É curioso notar como no filme, e na própria história de Aron, o reg­istro dos momen­tos e lugares, tan­to por foto como por vídeo, tem um papel muito impor­tante. Como hoje em dia as pes­soas vão acred­i­tar em uma história tão incrív­el como esta se não hou­ver nen­hum reg­istro que pos­sa ser compartilhado?

    127 Horas é um ver­dadeiro mer­gul­ho no instin­to de sobre­vicên­cia de um ser humano, que é capaz de faz­er tudo para sair vivo de uma situ­ação. Ape­sar de não pos­suir nada de muito orig­i­nal, vale mes­mo assim o ingres­so pela experiência.

    Se alguém quis­er assi­s­tir algo real­mente difer­ente, mas com a mes­ma temáti­ca, recomen­do o filme Enter­ra­do Vivo, do dire­tor Rodri­go Cortés. Nele temos um per­son­agem, o úni­co que é exibido em todo lon­ga, pre­so den­tro de um caixão ape­nas com alguns obje­tos, entre eles um celu­lar e um isqueiro, onde só vemos o que a luz deles con­seguem iluminar.

    Out­ras críti­cas interessantes:

    Trail­er:

    httpv://www.youtube.com/watch?v=ivp3I_8shRg

  • Crítica: Tron — O Legado

    Crítica: Tron — O Legado

    tron: o legadoQuan­do ouvi pela primeira vez que esta­va sendo feito Tron: O Lega­do (TRON: Lega­cy, EUA, 2010), dirigi­do por Joseph Kosin­s­ki, não fiquei muito ani­ma­do, afi­nal sequên­cias de filmes são na maio­r­ia das vezes um desas­tre. Assim que saiu o primeiro teas­er, as coisas foram mudan­do, ape­sar de ain­da ter fica­do com os dois pés atrás, afi­nal, um visu­al bem feito não diz nada. Mas a cada novo teas­er, a empol­gação foi aumen­tan­do e no final, ao ver o filme, o sen­ti­men­to de decepção esta­va há anos luz de ter acontecido.

    Sam (Gar­rett Hed­lund), é o fil­ho do gênio da infor­máti­ca Kevin Fly­nn (Jeff Bridges), que esta­va desa­pare­ci­do já há 25 anos. Após um ami­go de seu pai rece­ber um bipe, decide procurá-lo, e aca­ba entran­do, sem quer­er, den­tro da Grade, um mun­do vir­tu­al que seu pai fala­va ter cri­a­do quan­do ele ain­da era pequeno, habita­do ape­nas por pro­gra­mas de computador.

    Tron: O Lega­do é uma sequên­cia de Tron: Uma Odis­séia Eletrôni­ca, dirigi­do por Steven Lis­berg­er em 1982, um dos filmes que mudou, e é claro virou uma grande refer­ên­cia, a indús­tria cin­e­matográ­fi­ca. Con­fes­so que é bem estran­ho assistí-lo hoje em dia, os efeitos que para época eram super rev­olu­cionários, hoje seria quase como jog­ar com um videogame muito anti­go, você de cer­ta for­ma igno­ra as lim­i­tações e a qual­i­dade grá­fi­ca e con­cen­tra-se só na diver­são. Ape­sar de não ser obri­gatório tê-lo assis­ti­do para ver o segun­do, recomen­do muito não só pelas inúmeras refer­ên­cias, muitas vezes bem sutis, feitas ao primeiro, mas tam­bém perce­ber toda a evolução dos ele­men­tos (objetos/máquinas/roupas) de um para o outro.

    Difer­ente do seu ante­ces­sor, Tron: O Lega­do é apre­sen­ta­do a um públi­co já mais famil­iar com o mun­do vir­tu­al dos com­puta­dores e assim, con­segue ir bem mais além, inclu­sive usan­do um embasa­men­to maior, nos ter­mos e con­ceitos (algo­rit­mos genéti­cos, tele­trans­porte quân­ti­co, …) usa­dos para explicar os seus ele­men­tos. Isso sem falar que os coman­dos dig­i­ta­dos des­ta vez nos com­puta­dores são total­mente reais (uma tendên­cia que está final­mente começan­do a se esta­b­ele­cer), difer­ente do primeiro que eram total­mente fantasiosos.

    A tril­ha sono­ra de Tron: O Lega­do é sim­ples­mente fan­tás­ti­ca. Não pode­ria ter sido escol­hi­do uma dupla mel­hor do que Daft Punk para ter feito ela, não só pela seu esti­lo eletrôni­co total­mente dom­i­nante, mas tam­bém pelo seu visu­al futur­ista que com­bi­nou per­feita­mente com toda a estéti­ca do filme. Se uti­lizan­do de refer­ên­cia músi­cas de jogos anti­gos, mas ao mes­mo tem­po inserindo ele­men­tos mais mod­er­nos, crian­do uma sonori­dade que mescla o retrô com o futur­ista de for­ma muito interessante.

    E falan­do em estéti­ca, este é um dos pon­tos pelo qual Tron: O Lega­do vai ser lem­bra­do por muitas pes­soas, assim como acon­te­ceu com seu primeiro, algo que acred­i­to ser admiráv­el de ter sido con­segui­do nova­mente. É prati­ca­mente impos­sív­el não se sur­preen­der e, porque não, se empol­gar com todo aque­le visu­al futurís­ti­co. Bem prováv­el que ele será refer­ên­cia para muitas ino­vações que estarão por vir. Além dis­so, o filme faz várias refer­ên­cia ao mun­do vir­tu­al anti­go, como o ângu­lo de cima, e ao novo, com vários zoom e reflex­os em obje­tos. As vezes parece que se está lit­eral­mente ven­do um pequeno cur­ta den­tro de um jogo.

    Se você ficou inter­es­sa­do em mais detal­h­es sobre o filme, tam­bém poderá ler a lista de Curiosi­dades do Tron: O lega­do.

    Tron: O Lega­do é um filme visual­mente fan­tás­ti­co, se uti­lizan­do de con­ceitos e metá­foras muito bem elab­o­radas e inter­es­santes. A Dis­ney fez um inves­ti­men­to pesa­do no filme e, por isso mes­mo, há um cheiro de sequên­cia no ar. Se a pro­pos­ta con­tin­uar a mes­ma, que ven­ha mais uma versão!

    End of file.

    Out­ras críti­cas interessantes:

    Trail­er:

    httpv://www.youtube.com/watch?v=FyMR1gXW8KQ

  • Crítica: Amor por Contrato

    Crítica: Amor por Contrato

    A mídia ofer­ta prati­ca­mente tudo e os pro­du­tos surgem o tem­po todo, as vezes de for­ma pas­si­va e em out­ros momen­tos de modo agres­si­vo e obri­gatório, há um imper­a­ti­vo nos out­doors e cam­pan­has de TV. Amor por Con­tra­to (The Jone­ses, USA, 2009), do dire­tor Der­rick Borte, foca esse assun­to em um meio pas­si­vo e inclu­sive em uma situ­ação pecu­liar, numa família.

    Os Jones aparentam ser uma família comum ao son­ho amer­i­cano, mudam-se para um sub­úr­bio nobre, são inve­ja­dos pelos viz­in­hos que os vêem como a feli­ci­dade per­fei­ta, rica e feliz. Tudo isso seria real se os Jones não fos­sem parte de uma cam­pan­ha pub­lic­itária, no esti­lo con­heci­do como self-mar­ket­ing, que foca em cam­pan­has mais indi­re­tas que por out­ro lado obtém um resul­ta­do muito supe­ri­or ao esti­lo comum de mar­ket­ing, val­orizan­do exata­mente o que o usuário espera e sente em relação ao produto.

    Kate Jones (Demi Moore) é a cabeça pen­sante do pequeno grupo e a mel­hor vende­do­ra, segui­da pelos jovens que rep­re­sen­tam seus fil­hos e em últi­mo lugar está o estre­ante Steve Jones (David Duchovny), pai dessa supos­ta família, um expe­ri­ente nego­ci­ador de car­ros, mas pés­si­mo nesse ramo de self-mar­ket­ing. Os qua­tro tem alguns meses para faz­er crescer a ven­da de pro­du­tos em seg­men­tos especí­fi­cos, que vão des­de car­ros até jóias e pequenos cos­méti­cos. Tudo pode­ria dar cer­to nesse meio tem­po se os Jones não fos­sem pes­soas comuns con­viven­do em situ­ações comuns, sendo lev­a­dos a ques­tionar até que pon­to vale­ria a pena sem­pre desem­pen­har um papel que gera uma reação em cadeia nas pes­soas em sua volta.

    O mar­ket­ing pesa­do e indi­vid­ual é o foco de Amor por Con­tra­to, o que lev­an­ta, em muitos momen­tos, sen­ti­men­tos assus­ta­dores sobre quem são real­mente as pes­soas que con­vive­mos, fazen­do ques­tionar se não somos parte de uma grande cam­pan­ha pub­lic­itária de for­ma pas­si­va, todos os dias. Claro que a comé­dia fun­ciona muito bem durante o filme, uma fór­mu­la que já fun­cio­nou, mes­mo que de for­ma difer­ente, no óti­mo Show de Tru­man (1998) de Peter Weir. Muitas situ­ações diárias, em que sabe­mos que deter­mi­na­da situ­ação surge exata­mente para causar impacto e dese­jo, são tão sutis no nos­so dia a dia que é impos­sív­el não cair na risa­da com taman­ha orig­i­nal­i­dade no filme. A tril­ha sono­ra e o desen­ro­lar dos acon­tec­i­men­tos são pon­tos chaves, tam­bém. Não optan­do por músi­cas pop­u­lares, como cos­tumeira­mente Hol­ly­wood faz, a tril­ha sabe bal­ancear de for­ma orig­i­nal cada cena, crian­do cli­mas que fun­cionam muito bem no decor­rer do filme

    Amor por Con­tra­to tin­ha tudo para ser mais um filme no grande vol­ume de lança­men­tos de fim de ano nos cin­e­mas. Mas a sur­pre­sa é boa, prin­ci­pal­mente por tratar de um assun­to pecu­liar para a época de lança­men­to, 24 de dezem­bro no Brasil, ques­tio­nan­do a família e as relações de con­sum­is­mo surgi­das com a neces­si­dade de se ter tudo que se vê nas mídias e nas pes­soas com quem se con­vive. Além de ser uma comé­dia inteligente, ele cumpre um papel inter­es­sante ao mostrar que as pes­soas são facil­mente manip­u­ladas, prin­ci­pal­mente se forem estim­u­ladas a faz­er parte de um padrão social.

    Out­ras críti­cas interessantes:

    Trail­er:

    httpv://www.youtube.com/watch?v=ZRnxoNQZA5Q

  • Crítica: Resident Evil 4: Recomeço

    Crítica: Resident Evil 4: Recomeço

    Ape­sar da fran­quia para o cin­e­ma não ter agrada­do muito os fãs do jogo, Res­i­dent Evil 4: Recomeço (Res­i­dent Evil: After­life, EUA/Alemanha/Inglaterra, 2010), de Paul W.S. Ander­son (que foi dire­tor do primeiro e pro­du­tor dos dois out­ros), investe pesa­do nos efeitos espe­ci­ais e refer­ên­cias ao orig­i­nal para final­mente con­seguir agradar aos jogadores e, por que não, ao públi­co que tam­bém gos­tou dos out­ros filmes.

    Nes­ta sequên­cia, Alice (Mil­la Jovovich) vol­ta a ter os poderes de um humano nor­mal (o que é ques­tionáv­el pois ela con­tin­ua sendo um “super humana” em muitos sen­ti­dos) e con­tin­ua a sua bus­ca por out­ras pes­soas não infec­tadas pelo vírus. Ao chegar em uma cidade onde suposta­mente está livre da infecção, reen­con­tra ami­gos e novo ali­a­dos para lhe aju­dar na sua vin­gança con­tra a empre­sa respon­sáv­el por toda esta catástrofe, a Umbrella.

    Não é necessário ter vis­to os out­ros filmes da série para con­seguir acom­pan­har Res­i­dent Evil 4: Recomeço, pois o necessário para enten­der a tra­ma é expli­ca­do durante o lon­ga, ape­sar de que alguns ele­men­tos gan­ham mais sig­nifi­ca­do para quem já viu os out­ros. Alias, o roteiro está bem longe de ser o pon­to forte do filme, os even­tos acon­te­cem quase que sem nen­hum pre­tex­to e os per­son­agens são muito pobres. Não há nen­hum apro­fun­da­men­to e desen­volvi­men­to de suas per­son­al­i­dades, e eles agem de maneira muito automáti­ca. Este vazio e automa­tismo pode ser meio inco­mo­do para algu­mas pes­soas que estão procu­ran­do algo além da ação. Mas de cer­ta for­ma, é jus­ta­mente eles que trazem o lon­ga mais per­to dos jogos (basea­do na min­ha exper­iên­cia pes­soal), prin­ci­pal­mente pela lim­i­tação de se cri­ar expressões faci­ais, movi­men­tos e com­por­ta­men­to mais com­plex­os (o que está grad­ual­mente mudan­do com os avanços tecnológicos).

    Para quem não teve muito con­ta­to, ou nen­hum (que é meu caso), com o jogo, vai sen­tir que muitas vezes está per­den­do algu­ma coisa, pois Res­i­dent Evil 4: Recomeço é cheio de refer­ên­cias á per­son­agens e situ­ações do jogo. O rit­mo do lon­ga é bas­tante de videogame, onde muitas coisas vão acon­te­cen­do, as vezes sem muito propósi­to, ape­nas para traz­er mais ação. A con­dução da história tam­bém segue o mes­mo esti­lo, mas acred­i­to que este esti­lo fun­ciona mel­hor nos jogos do que na tela do cin­e­ma, pois no lon­ga muitas das expli­cações pare­cem care­cer de entu­si­as­mo para se ter con­hec­i­men­to das respostas.

    Um dos pon­tos fortes do Res­i­dent Evil: Recomeço é a sua tril­ha sono­ra, que mis­tu­ra bas­tante ele­men­tos eletrôni­cos, com um rit­mo mais acel­er­a­do, sendo um óti­mo acom­pan­hamen­to den­tro e fora do filme. Pena que a músi­ca usa­da nos crédi­tos, e no trail­er, não está na tril­ha ofi­cial. Para quem gos­tou, o seu títu­lo é “The out­sider” da ban­da “A Per­fect Cir­cle”. Tam­bém, não pos­so deixar de citar a atu­ação da Mil­la Jovovich, que esta cada vez mais con­fortáv­el no papel, sendo bem con­vin­cente, e é um dos grandes atra­tivos do filme.

    E final­mente cheg­amos ao ápice do filme: os efeitos espe­ci­ais. Usan­do e abu­san­do de movi­men­to de câmeras e do bul­let time, temos tomadas muito boas de ação, tan­to em qual­i­dade como em pro­dução, imi­tan­do per­feita­mente os efeitos já onipresentes em muitos jogos do esti­lo. Sem falar tam­bém uma refer­ên­cia clara ao Matrix Rev­o­lu­tions, da famosa cena de luta final na chu­va, só que ago­ra em um ban­heiro (será que foi uma pia­da inten­cional?). É inter­es­sante perce­ber que ini­cial­mente foram os jogos que copi­aram os filmes e ago­ra o con­trário está acon­te­cen­do, não só em relação ao visu­al, mas no roteiro tam­bém. E até ago­ra, este foi o mel­hor lon­ga que soube usar os efeitos em 3D, por­tan­to, sem som­bra de dúvi­das, vale a pena ver Res­i­dent Evil: Recomeço em 3D, espe­cial­mente se for no IMAX.

    Se você não está pre­ocu­pa­do com um roteiro elab­o­ra­do, quer ação e muitos efeitos espe­ci­ais, com certeza vale o ingres­so para o Res­i­dent Evil: Recomeço. Acred­i­to tam­bém que os fãs do jogo não ficarão decep­ciona­dos. Falan­do neles, gostaria de saber a opinião de quem já jogou um dos jogos, a respeito deste últi­mo filme. O que vocês acharam?

    Quan­do o filme acabar, há ain­da uma cena extra após os crédi­tos, que vale a pena esperar.

    Quer assi­s­tir Res­i­dent Evil 4: Recomeço de graça? Então par­ticipe da Pro­moção Res­i­dent Evil 4: Recomeço e con­cor­ra a con­vites para ver o filme em todo o Brasil.

    Out­ra críti­cas interessantes:

    Trail­er:

    httpv://www.youtube.com/watch?v=slnfP3p-y0c

  • Promoção: ganhe vários brindes do filme Eclipse

    Promoção: ganhe vários brindes do filme Eclipse

    Saga Crepúsculo: Eclipse

    O filme “Eclipse” só estreia nos cin­e­mas brasileiros no dia 30 de jun­ho. Mas os fãs da saga e da escrito­ra Stephe­nie Mey­er estão ansiosos pela nova eta­pa da série e já podem adquirir ante­ci­pada­mente os ingres­sos no UCI Estação e no UCI Pal­la­di­um. Além dessa facil­i­dade, o UCI Cin­e­mas está pro­moven­do uma pro­moção exclu­si­va, via inter­net (no site www.ucicinemas.com.br), para seus clientes.

    A pro­moção será divi­di­da em três fas­es. A primeira eta­pa já começou e vai até o dia 21 de jun­ho. Para con­cor­rer, bas­ta ser cria­ti­vo e respon­der a questão: “Que pre­sente você daria a Edward no seu aniver­sário e porquê?”. As mel­hores respostas serão pre­mi­adas com um kit con­tendo uma bol­sa e um livro “Eclipse”.

    Para as próx­i­mas fas­es, os brindes e a mecâni­ca da pro­moção serão diver­si­fi­ca­dos. Na fase 2, o kit será com­pos­to por uma bol­sa, livro, CD e pôster do filme. Já na ter­ceira e últi­ma fase, os pre­mi­a­dos levarão brindes como pôsteres dos filmes “Crepús­cu­lo”, “Lua Nova” e “Eclipse”; os livros “Crepús­cu­lo”, “Lua Nova”, “Eclipse” e “Aman­hecer – edição espe­cial”; CD da tril­ha sono­ra do filme, auto­grafa­do pelo can­tor Fiuk; bol­sa e por­ta-retra­to de “Eclipse”; e, uma câmera fotográ­fi­ca.

    Ven­da ante­ci­pa­da e sessão especial
    Para adquirir o ingres­so ante­ci­pa­do para o filme “Eclipse”, bas­ta ir às bil­hete­rias do UCI Pal­la­di­um e/ou UCI Estação ou aces­sar o site www.ucicinemas.com.br. Na com­pra de dois tick­ets, o cliente gan­ha um boton exclu­si­vo do filme.

    Já no dia 30 de jun­ho (quar­ta-feira), às 0h01, o UCI Pal­la­di­um e o UCI Estação exibem uma sessão espe­cial do filme. A sessão, con­sid­er­a­da uma pré-estreia ao públi­co, é uma opor­tu­nidade extra para os fãs da saga con­ferirem o novo enre­do da história de amor entre o vam­piro Edward e a garo­ta Bella.

    UCI Cin­e­mas Estação
    Endereço: Aveni­da Sete de Setem­bro, 2775 – Shop­ping Estação

    UCI Cin­e­mas Palladium
    Endereço: Rua Pres­i­dente Kennedy, 4121, piso L3 – Pal­la­di­um Shop­ping Center

    Trail­er:

    httpv://www.youtube.com/watch?v=Xq5PgtNLzjU&feature=related