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  • Crítica: [REC]³ Gênesis

    Crítica: [REC]³ Gênesis

    Em 2007, o primeiro [REC] (Espan­ha, 2007) meio que abalou qual­quer um lig­a­do ao cin­e­ma de hor­ror. Durante cer­to perío­do, foi assun­to de qual­quer con­ver­sa que desvi­asse para o tema, e com muito méri­to. Não era ino­vador, não era rev­olu­cionário, mas era uma abor­dagem difer­ente de temas bati­dos (found footage, zumbis etc.). A acla­ma­da recepção ger­ou o óbvio remake amer­i­cano, Quar­ente­na (Quar­an­tine, EUA, 2008), que é desnecessário, porém muito bem exe­cu­ta­do, e a ain­da mais óbvia sequên­cia, [REC] Pos­suí­dos ([REC]², Espan­ha, 2009), que divid­iu opiniões, até tem seus defen­sores, mas, para mim, é um fra­cas­so retumbante. 

    Com­preen­sív­el que os parâmet­ros definidos por [REC] eram muito altos, o que difi­cul­taria a vida de qual­quer con­tin­u­ação, mas a coisa é MUITO ruim. Várias séries, espe­cial­mente den­tro do hor­ror, viver­am fenô­meno semel­hante nos anos 70/80, com um bai­ta primeiro filme e sequên­cias ruins/irregulares, mas que ain­da guar­davam cer­to charme – muitas vezes pela total inap­tidão envolvi­da, mas OK

    E aí cheg­amos a [REC]³ Gêne­sis (Espan­ha, 2012)… Enquan­to os dois primeiros foram ambos dirigi­dos pela dupla Paco Plaze e Jaume Bal­a­gueró, o ter­ceiro fica inteira­mente a car­go do primeiro (Bal­a­gueró diri­girá soz­in­ho o já temi­do quar­to – e, queiram os deuses, últi­mo – episó­dio da série). E sim, con­fir­man­do o que eu já temia, a coisa con­segue ficar pior. 

    Só para deixar explíc­i­to, o tex­to a seguir con­tém spoil­ers. O que não faz mui­ta difer­ença num filme que pri­ma pela obviedade durante todos os seus menos de 80 min­u­tos (só uns 70 efe­ti­va­mente de filme e mais uns 8 de inter­mináveis créditos…).

    A história de [REC]³ Gêne­sis se pas­sa durante o casa­men­to do casal de pro­tag­o­nistas menos caris­máti­co que eu vi em muito tem­po, Clara (Leti­cia Dol­era, que, pelo menos, é boni­ta) e Kol­do (Diego Mar­tin). Logo no iní­cio do filme somos apre­sen­ta­dos ao tio que está com a mão enfaix­a­da porque foi mor­di­do por um cão no vet­er­inário que pare­cia estar mor­to. E a lig­ação deste [REC]³ Gêne­sis com os out­ros dois filmes da série ter­mi­na aí. 

    Por mais alguns min­u­tos, somos apre­sen­ta­dos a uma série de per­son­agens desin­ter­es­santes, até que, durante a fes­ta, o tal do tio resolve desen­volver os sin­tomas da con­heci­da infecção e começar a atacar. E aí surgem tam­bém uns out­ros zumbis ( zumbis, infec­ta­dos, dá igual) do nada, sabe-se lá como, aparente­mente vesti­dos como se fizessem parte da fes­ta, mas já infectados. 

    Se as coisas seguis­sem por esse cam­in­ho dos primeiros 20 min­u­tos, seria mais uma sequên­cia ruim, ape­nas. Mas não, as novi­dades pul­u­lam a par­tir daí. A história pas­sa a girar em torno casal, que parece ter um tipo de lig­ação cós­mi­ca tão forte que faz com que um sin­ta o out­ro quase que telepati­ca­mente. E, óbvio, durante a con­fusão ini­cial, eles se separam. 

    E o glo­rioso Kol­do vai parar numa igre­ja, onde já se refu­gia­ram alguns sobre­viventes, já que os infec­ta­dos não podem pis­ar em solo sagra­do e são feri­dos com água ben­ta. E, den­tro da igre­ja, ao ver uma está­tua de São Jorge, o herói tem a bril­hante ideia de se vestir como uma espé­cie de cav­aleiro tem­plário (???) para ir atrás de sua ama­da Clara, que ele desco­bre estar na sala de con­t­role do lugar após ela infor­má-lo, via aut­o­falante, que está grávi­da. Sur­preen­den­te­mente, ele con­segue con­vencer um out­ro sujeito a se fan­tasiar e ir com ele, aparente­mente para ensi­nar o cam­in­ho. Sujeito este que, como um bom camisa ver­mel­ha (Star Trek, lem­bram?), vai mor­rer na primeira oportunidade. 

    Mas a Clara não está soz­in­ha na tal sala de con­t­role, está com o padre que cel­e­bra­va o casa­men­to. E ele mata a chara­da na hora: os infec­ta­dos são, na ver­dade, uma espé­cie de anjos caí­dos. Assim sendo, bas­ta uma oração para que eles con­gelem e parem de atacar. Ou seja, os zumbis mais con­ve­nientes do mun­do! E tam­bém desco­b­ri­mos que, na ver­dade, todos são um só. E que, refleti­dos no espel­ho, todos eles são como a meni­na Medeiros do primeiro filme…

    E a Clara, óbvio, escapa de tudo que lhe acon­tece, com a aju­da de um sujeito fan­tasi­a­do de Bob Espon­ja (ou John Espon­ja, por causa dos dire­itos autorais), até que ela resolve virar badass zom­bie hunter, arru­ma uma moto­sser­ra, arran­ca um pedaço do vesti­do e começa a arregaçar com os zumbis. Tipo uma Alice do Res­i­dent Evil on drugs, mas com um visu­al híbri­do de Jill Valen­tine e Ash do Evil Dead. \o/

    Então, cheg­amos a cena do reen­con­tro, quan­do ela está fug­in­do por um túnel, depois de det­onar uns zumbis, que não só pas­sa bem abaixo da coz­in­ha do lugar, onde Kol­do aca­ba de enfrentar o tio do iní­cio da história com uma bat­edeira, mas que tam­bém tem uma lig­ação dire­ta com esta coz­in­ha, com esca­da e tudo! Os infec­ta­dos a seguem pela esca­da e, assim como começou, o ímpeto de matar some dela, e bate o deses­pero para que o casal con­si­ga abrir logo a grade que os sep­a­ra. E eles con­seguem, claro. E a grade fica lá aber­ta, e eles se esque­cem que os bichos eram sim capazes de subir tam­bém. Mas os infec­ta­dos aparente­mente des­en­canam e vão emb­o­ra, porque o casal tem tem­po de se bei­jar, faz­er juras de amor blá blá blá, até que a coz­in­ha seja infes­ta­da de zumbis (que vier­am de todo lugar, MENOS do túnel onde já estavam). 

    Daí pra frente, nos últi­mos min­u­tos, a coisa con­tin­ua indo ladeira abaixo, mas aí já é spoil­er demais. Não que acon­teça algo que real­mente val­ha a pena ser vis­to, mas…

    Resu­min­do, [REC]³ Gêne­sis não só é ruim, é pior do que eu sequer con­seguia con­ce­ber. E é claro que ele, assim como o segun­do, tam­bém terá seus defen­sores. Se eu já não os enten­do em relação ao [REC] Pos­suí­dos, nem sei o que pen­sar quan­do a este aqui. A ten­ta­ti­va de comé­dia é patéti­ca, o hor­ror não causa um úni­co sus­to, menos ain­da a sen­sação de descon­for­to per­ma­nente do primeiro, e o gore não acres­cen­ta nada. 

    Den­tre os prin­ci­pais prob­le­mas de [REC] Pos­suí­dos, talvez o mais incô­mo­do para mim ten­ha sido a frustra­da ten­ta­ti­va de se colo­car as questões reli­giosas, “bem con­tra o mal”, coisas do gênero. Sim, o primeiro filme já dava a dica de que a coisa seria mais ou menos assim, mas nada fica explíc­i­to, o que muito con­tribuía para a história. O segun­do escan­car­ou e jogou no ven­ti­lador. E o ter­ceiro ele­va isso a uma potên­cia constrangedora. 

    Há muito, MUITO tem­po eu não via um filme tão ruim. E olha que eu sou bem cha­to e gos­to de bas­tante porcaria… 

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  • Crítica: Doce Vingança

    Crítica: Doce Vingança

    Não é de hoje que os remakes tomam as telas dos cin­e­mas. Na déca­da de 80 tive­mos Scar­face, dirigi­do por Bri­an de Pal­ma e estre­la­do por Robert de Niro. Poucos sabem, mas este é remake de filme homôn­i­mo, data­do de 1932. Atual­mente, são vários os remakes que vemos por aí. Na maio­r­ia dos casos o resul­ta­do não é favoráv­el, mas às vezes os dire­tores “acer­tam a mão”. Um bom exem­p­lo dis­so é Doce Vin­gança (I Spit on Your Grave, USA, 2010) de Steve R. Monroe.

    A déca­da de 70 ficou con­heci­da pelos filmes que explo­ravam um lado mais vio­len­to e que­ri­am “chocar” a sociedade, para con­seguir atenção. Nes­sa déca­da tive­mos Pink Flamin­gos, Gar­gan­ta Pro­fun­da, 120 dias de Sodoma e out­ros filmes que mudaram a história do cin­e­ma, para o bem ou para o mal. Entre eles, tive­mos I Spit on your Grave (que aqui saiu como A Vin­gança de Jen­nifer). Com uma divul­gação tími­da, o VHS ficou per­di­do nas prateleiras das locado­ras, seja pela sua pés­si­ma pro­dução ou pela sua temáti­ca vio­len­ta demais até para os padrões da década.

    A escrito­ra Jen­nifer Hills se muda para uma cabana iso­la­da em uma peque­na cidade para ter­mi­nar seu livro. Um con­tratem­po num pos­to de gasoli­na faz com que ela des­perte o inter­esse e a ira de alguns moradores locais. Pouco depois, eles rumam para sua casa para estuprá-la e espancá-la. Dada como mor­ta, os home­ns esque­cem o caso e retomam suas vidas. Mas Jen­nifer esta­va viva, se recu­peran­do e plane­jan­do sua vigança. As cenas de estupro foram con­sid­er­adas fortes demais e o filme foi proibido em diver­sos país­es. Hoje ele pos­sui sta­tus de Cult e gan­hou o já cita­do remake.

    O enre­do é basi­ca­mente o mes­mo, com peque­nas mod­i­fi­cações. Doce Vin­gança foi alter­ado para cair no gos­to do públi­co que apre­cia o cin­e­ma hol­ly­wood­i­ano. As cenas de estupro foram amenizadas e as de vin­gança foram muito mais bru­tais. Há quem com­pare tais cenas com fran­quias do tipo Jogos Mor­tais e O Alber­gue, mas aqui é difer­ente. As cenas são bem encaix­adas e pos­suem um porquê de estarem lá.

    O prin­ci­pal­mente difer­en­cial entre o orig­i­nal e o remake, é que Doce Vin­gança pos­sui uma nar­ra­ti­va mais ágil. A ten­são cresce aos poucos, até cul­mi­nar na vin­gança, pro­pri­a­mente dita. Assim, prende a atenção de quem está assistin­do, fato que não acon­tece com o orig­i­nal (para que, não está acos­tu­ma­do com esse gênero de filme).

    Deixan­do a dis­cussão da éti­ca dos remakes de lado, Doce Vin­gança é um bom filme que deve agradar tan­to aos fãs xiitas do clás­si­co quan­to aos que ain­da não con­hecem o mes­mo. Um bom lon­ga de sus­pense atrai a atenção de quem está assistin­do pela cres­cente ten­são, e esse obje­ti­vo con­seguiu ser atingido.

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    httpv://www.youtube.com/watch?v=Y2YRY35WMc4

  • Crítica: Acampando no Inferno

    Crítica: Acampando no Inferno

    Para um filme do gênero sus­pense real­mente fun­cionar é necessário uma boa dose de ele­men­tos inteligentes que atra­iam o espec­ta­dor. Além dis­so, a pelícu­la deve ter um roteiro que real­mente sur­preen­da e não caia na mesmice comum ao esti­lo. Infe­liz­mente, Acam­pan­do no Infer­no (Camp Hope, E.U.A, 2010) , dirigi­do por George Van­Buskirk, é mais um sus­pense for­ja­do por preconceitos.

    O enre­do de Acam­pan­do no Infer­no con­siste em um grupo de jovens cristãos, que todo verão vão para aos arredores de Nova Jer­sey acam­par para realizarem seu retiro espir­i­tu­al, fug­in­do das dis­trações da vida comum. Um padre, aparente­mente caris­máti­co, é o guia dess­es jovens na redenção dos peca­dos, mas algo de estran­ho acon­tece com ele e coisas assus­ta­do­ras começam a sur­gir no pequeno grupo. Rec­hea­do de sím­bo­los con­sid­er­a­dos pagãos, o enre­do se envere­da para o lado dos peca­dos cometi­dos por cristãos fiéis e de que for­ma se dão as punições con­tra aque­les que não respeitam as leis divinas.

    Alguns ele­men­tos pode­ri­am, de fato, serem muito bem uti­liza­dos no roteiro de Acam­pan­do no Infer­no, mas infe­liz­mente os exageros são os pon­tos degradantes do lon­ga. O con­ceito de comu­nidade reli­giosa se resume ao extrem­is­mo dos esti­los de vida comuns aos cristãos amer­i­canos e, em muitos casos, vezes a pre­gação aos bons cos­tumes soa força­do demais. Os jovens são repreen­di­dos de for­ma vee­mente a respeito da sex­u­al­i­dade, vida além-igre­ja e, inclu­sive, os quadrin­hos são alvo dos mon­i­tores do acam­pa­men­to con­tra o pecado.

    A fotografia asso­ci­a­da aos locais de fil­magem lem­bram muito anti­gas séries americanas,bem lim­i­tadas e com pou­ca vari­abil­i­dade. Já as atu­ações, por con­ta dos ele­men­tos cita­dos, se apre­sen­taram forçadas, um exem­p­lo dis­so foi a atriz Dana Delany, con­heci­da por séries de suces­so, sur­gir como uma mãe cristã com falas e ati­tudes extrema­mente bobas. Em ger­al, no lon­ga como um todo, impera a sen­sação de fal­ta de originalidade.

    Acam­pan­do no Infer­no é um filme inter­es­sante em duas questões: para com­preen­der um pouco o extrem­is­mo pre­ga­do pelas atu­ais igre­jas evangéli­cas e para aque­les que gostam de filmes de sus­pense que tra­bal­ham com as crenças reli­giosas e alien­ações quan­to a dual­i­dade da sal­vação ver­sus peca­do. Mas, no ger­al, nem mes­mo o avi­so ¨Basea­do em fatos reais¨ causa grandes sen­ti­men­tos além do sono, durante o filme.

    Trail­er:

    httpv://www.youtube.com/watch?v=tailkPqHD2U

  • Promoção “O Último Exorcismo” ENCERRADA: ganhe convites para o filme

    Promoção “O Último Exorcismo” ENCERRADA: ganhe convites para o filme

    O sorteio já foi real­iza­do e os vence­dores serão comu­ni­ca­dos por email.

    Para mar­car o lança­men­to de O Últi­mo Exor­cis­mo, que estreia dia 24 de setem­bro, o inter­ro­gAção, jun­ta­mente com a Espaço Z, estarão sorte­an­do 5 pares de con­vite do filme. Pro­moção vál­i­da para todo Brasil.

    A pro­moção vai até dia 9 de Out­ubro e os vence­dores serão noti­fi­ca­dos por email no dia seguinte.

    Sinopse: Quan­do o rev­eren­do Cot­ton Mar­cus chega à fazen­da de Louis Sweet­zer na Louisiana, ele espera realizar mais um exor­cis­mo de roti­na. Fun­da­men­tal­ista, Sweet­zer entrou em con­ta­to com o pre­gador, como um últi­mo recur­so, cer­to de que sua fil­ha ado­les­cente Nell está pos­suí­da por um demônio que deve ser exor­ciza­do antes que uma tragé­dia inimag­ináv­el acon­teça. Cot­ton per­mite que seu últi­mo exor­cis­mo seja fil­ma­do para a real­iza­ção de um doc­u­men­tário. Mas, ao chegar à fazen­da da família, ele se sur­preende ao perce­ber que nada se com­para ao ver­dadeiro mal que encon­tra lá. Ago­ra, tarde demais para voltar, as crenças do rev­eren­do Mar­cus ficam abal­adas até o âma­go, quan­do ele e a equipe de fil­magem pre­cisam encon­trar uma maneira de sal­var Nell e sal­varem-se tam­bém, antes que seja tarde demais.

    O sorteio já foi real­iza­do e os vence­dores serão comu­ni­ca­dos por email.

    Trail­er:

    httpv://www.youtube.com/watch?v=fZGEJmrdH6M

  • Crítica: Deixa Ela Entrar

    Crítica: Deixa Ela Entrar

    As vezes eu real­mente não enten­do por que deter­mi­nadas obras não gan­ham a dev­i­da atenção da mídia brasileira. Deixa Ela Entrar (Låt Den Rätte Kom­ma In, Sué­cia, 2008), de Tomas Alfred­son, foi acla­ma­do pela críti­ca, venceu vários fes­ti­vais de cin­e­ma fan­tás­ti­co, foi indi­ca­do a tan­tos out­ros e, mes­mo assim, quase pas­sou bati­do pelos cin­e­mas brasileiros – além de ain­da não ter rece­bido a atenção de nen­hu­ma dis­tribuido­ra para o mer­ca­do doméstico.

    O per­son­agem prin­ci­pal da história é Oskar (Kåre Hede­brant), um garo­to de 12 anos, cole­cionador de mate­ri­ais sobre ser­i­al killers, que é o alvo preferi­do das provo­cações em sua esco­la. Ele vive com sua mãe na per­ife­ria de Esto­col­mo e con­cen­tra boa parte de seus dias em plane­jar uma vin­gança con­tra aque­les que o provo­cam na esco­la, mes­mo saben­do que nun­ca teria cor­agem para efe­ti­va­mente faz­er tal movimento.

    A vida de Oskar muda quan­do ele con­hece sua nova viz­in­ha, Eli (Lina Lean­der­s­son, em uma estreia fab­u­losa). Mes­mo que o espec­ta­dor sai­ba des­de o princí­pio que Eli é uma vam­pi­ra, a sutileza com que ela ten­ta mostrar sua situ­ação para Oskar chega a ser tocante, e é um dos pon­tos que fazem com que o cli­ma de Deixa Ela Entrar mes­mo que “arras­ta­do”, não deixe que per­camos o inter­esse no filme em momen­to algum, cul­mi­nan­do com a fan­tás­ti­ca cena em que Oskar final­mente entende – em parte – o que ela que­ria lhe dizer.

    A própria per­son­agem de Eli, aliás, é a força motriz de Deixa Ela Entrar. Ter­mi­namos com muito mais dúvi­das que respostas sobre quem ela de fato é, prin­ci­pal­mente sobre seu pas­sa­do e seu mis­te­rioso rela­ciona­men­to com Håkan (Per Rag­nar), o homem com quem se muda para o con­domínio de Oskar. E talvez este seja um dos meus maiores medos (den­tre tan­tos) em relação ao remake amer­i­cano: a ânsia de Hol­ly­wood por respostas que “com­pletem” seus roteiros.

    Tais respostas, aliás, são encon­tradas no livro de mes­mo nome de John Ajvide Lindqvist, de 2004 – sem tradução para o por­tuguês, ain­da. Para mim, se tra­ta de um dos mais fortes casos de com­ple­men­tari­dade entre cin­e­ma e lit­er­atu­ra. TODAS as respostas para as questões lev­an­tadas no filme estão em algum lugar do livro, mas, de algu­ma for­ma, elas real­mente não pre­cisavam estar no lon­ga. São estas respostas que, implici­ta­mente, fazem de Deixa Ela Entrar um dos filmes mais pesa­dos que tive a opor­tu­nidade de ver recen­te­mente. Poucos são os que tratam de questões tão per­tur­bado­ras, espe­cial­mente com cri­anças nos papéis principais.

    Tec­ni­ca­mente, Deixa Ela Entrar é impecáv­el. A fotografia é absur­da­mente lin­da, como é comum no cin­e­ma sue­co, e a direção de Tomas Alfred­son é exce­lente, fazen­do com que o filme não se torne cansati­vo em momen­to algum. A sen­sação que fica é de que nada do que é mostra­do na tela é desnecessário, algo cada vez mais raro no cin­e­ma, espe­cial­mente no fan­tás­ti­co. A con­sistên­cia das atu­ações dos dois atores prin­ci­pais (Hede­brant e Lean­der­s­son) tam­bém impres­siona, espe­cial­mente por se tratar do primeiro tra­bal­ho de ambos.

    O triste, nova­mente, é notar como ambas as obras (filme e livro) não gan­ham o destaque que mere­ci­am. Eu me sur­preen­do cada vez que entro em uma livraria com a quan­ti­dade de lança­men­tos sobre vam­piros que pegou carona na Saga Crepús­cu­lo, muitos dos quais eu nun­ca ouvi falar e – pos­so queimar a lín­gua um dia, mas acho difí­cil – pos­suem qual­i­dade alta­mente ques­tionáv­el, enquan­to um Deixa Ela Entrar, acla­ma­do nos mais diver­sos locais onde foi lança­do, é ignorado.

    Res­ta torcer para que o temi­do remake amer­i­cano, Let Me In, pre­vis­to para 1º de out­ubro de 2010, ao menos faça com que haja boa von­tade das dis­tribuido­ras nacionais em relação ao filme orig­i­nal, Deixa Ela Entrar.

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  • Crítica: O escritor fantasma

    Crítica: O escritor fantasma

    O escritor fan­tas­ma (The Ghost Writer, França/Reino Unido/Alemanha, 2010), de Roman Polan­s­ki, está gan­han­do bas­tante destaque da mídia, mas pelo moti­vo erra­do, a vida pes­soal do próprio dire­tor em vez da obra em si. Mas deixan­do de lado qual­quer out­ro comen­tário sobre este assun­to, temos um filme onde o enre­do é basea­do no livro, de mes­mo títu­lo, de Robert Har­ris: um escritor fan­tas­ma (Ewan McGre­gor), ou ghost writer, é con­trata­do para escr­ev­er a biografia de Adam Lang (Pierce Bros­nan), o anti­go Primeiro Min­istro Britâni­co. Mes­mo saben­do que é o segun­do escritor a ser chama­do, pois o primeiro aparente­mente come­teu suicí­dio, isto não parece inco­modá-lo, afi­nal não é seu prob­le­ma e vão pagar muito bem.

    Sem­pre quan­do um serviço envolve muito din­heiro, já é esper­a­do que vai vir com­pli­cações pela frente. Esta é a úni­ca pista que temos em O escritor fan­tas­ma, de que há algo a mais por trás do que esta­mos acom­pan­han­do. E falan­do em entre­lin­has, muito se tem cog­i­ta­do que Adam Lang seria inspi­ra­do no Tony Blair (prin­ci­pal­mente no livro), e o próprio filme faz algu­mas refer­ên­cias, às vezes bem explíc­i­tas, de out­ros per­son­agens políti­cos (vamos ver quem desco­bre eles) em situ­ações bem recentes. Ape­sar do foco não ser polit­ica­gens, este tema vai muito além de ide­l­o­gias, ques­tio­nan­do a própria noção de quem real­mente são essas fig­uras públi­cas e como elas vivem.

    Pos­suin­do um clima/ambiente que lem­brou bas­tante a Ilha do Medo, de Mar­tin Scors­ese, há tam­bém várias pis­tas espal­hadas durante todo o filme (prati­ca­mente nen­hu­ma toma­da é em vão), só que des­ta vez o resul­ta­do da tra­ma não fica logo óbvio no começo. O escritor fan­tas­ma pos­sui o tipo clás­si­co de enre­do em que todos são sus­peitos até que o cul­pa­do final seja encon­tra­do, pois o argu­men­to “até que se prove o con­trário” pode ser, e é, facil­mente for­ja­do o tem­po inteiro. Mas o lon­ga não chega a ser um poli­cial, e o próprio per­son­agem prin­ci­pal nega seu papel como a de um dete­tive par­tic­u­lar e suas ati­tudes tam­bém não con­dizem com a de um.

    A decisão de não citar em momen­to algum o nome do escritor fan­tas­ma foi mui­ta boa, pois como o mes­mo disse: “um escritor fan­tas­ma ser con­vi­da­do para a estréia de um livro que escreveu é o mes­mo que con­vi­dar sua amante para ir no seu próprio casa­men­to”. Esta é uma das várias fras­es irôni­cas que acom­pan­ham o lon­ga, trazen­do um ar sar­cás­ti­co o tem­po todo.

    O escritor fan­tas­ma não subes­ti­ma em nada a capaci­dade do seu espec­ta­dor, não se uti­lizan­do em nen­hum momen­to de flash­backs, e/ou qual­quer tipo de refer­ên­cia para enfa­ti­zar algo, deixan­do para quem assiste faz­er as próprias lig­ações e mon­tar o grande que­bra cabeça do enre­do. Este é um filme que após ter­mi­na­do, você ain­da fica ain­da por um bom tem­po pen­san­do sobre as mais prováveis teo­rias de des­do­bra­men­to que pode­ri­am ter acon­te­ci­do e que con­tin­u­am depois de seu final.

    Para quem está procu­ran­do um filme de sus­pense e de inves­ti­gação, O escritor fan­tas­ma é uma óti­ma escol­ha. Mas este­ja prepara­do para entrar no mun­do de um fan­tas­ma, onde algu­mas coisas entrarão e sairão sem mui­ta expli­cação. Elas serão ape­nas meros vul­tos de um per­son­agem que na ver­dade não existe, ou pelo menos não deveria.

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    httpv://www.youtube.com/watch?v=HqCeeiUzQP8

  • Crítica: O Lobisomem

    Crítica: O Lobisomem

    lobisomen

    Alguns per­son­agens, que já há muito tem­po fazem parte não só da cul­tura ger­al, mas dos medos mais prim­i­tivos, sem­pre estão sendo refilma­dos e adap­ta­dos. O Lobi­somem (The Wolf­man, Reino Unido/EUA, 2010), de Joe Johston, é mais um dess­es filmes.

    Difer­ente do clás­si­co orig­i­nal, dirigi­do por George Wag­gn­er, em 1941, este tem como cenário a Inglater­ra Vito­ri­ana. A história pos­sui cer­tas sim­i­lar­i­dades e, nes­ta ver­são, Lawrence Tal­bot (Beni­cio Del Toro[bb]) retor­na da Améri­ca para sua ter­ra natal, a fim de aju­dar na bus­ca de seu irmão, a pedi­do da noi­va dele, Gwen (Emi­ly Blunt[bb]). Na sua bus­ca por pis­tas, vai parar em um acam­pa­men­to cigano, que é ata­ca­do por um mon­stro “descon­heci­do”. Durante o ataque, Lawrence é mor­di­do quase que fatal­mente no pescoço, se recu­peran­do alguns dias depois, de uma maneira anor­mal­mente ráp­i­da, na man­são de seu pai (Antho­ny Hop­kins[bb]). Ele começa então a ser inves­ti­ga­do pelo Dete­tive Aber­line (Hugo Weav­ing[bb]), que aca­ba desco­brindo a sua maldição.

    Ape­sar do óti­mo elen­co, a atu­ação de cada um é muito fra­ca, mostran­do pou­ca veraci­dade nos per­son­agens, geran­do um sen­ti­men­to de mui­ta dis­tân­cia e pouco envolvi­men­to. A uti­liza­ção da tril­ha, para pro­duzir e manip­u­lar as emoções, é, de cer­ta maneira, bem exager­a­da. As cenas que dev­e­ri­am pro­duzir “sus­tos”, ape­nas o fazem dev­i­do a uma brus­ca mudança, ou aparição de um som muito alto, às vezes até antes da cena em si, de fato, real­mente acon­te­cer. Chegan­do até a tornar ridícu­lo alguns momen­tos de suspense.

    A car­ac­ter­i­za­ção do lobi­somem ficou bem no esti­lo da pelícu­la de 1941, com um ros­to mais “humanóide”, que me lem­brou muito o per­son­agem Chew­bac­ca, do Star Wars[bb], fican­do às vezes até mais engraça­do do que assus­ta­dor. Há tam­bém um per­son­agem no filme que é idên­ti­co ao Smeagol, do Sen­hor dos Anéis[bb], de Peter Jack­son[bb], só que mais pobre visual­mente. Assim como a trans­for­mação de homem para lobi­somem que, ape­sar dos avanços nas téc­ni­cas de efeitos espe­ci­ais, não sur­preen­deu nem um pouco. As tomadas do lobi­somem ata­can­do as pes­soas lem­braram aque­les filmes exploita­tion, com pedaços de cor­po voan­do para todo lado. Ape­sar de algu­mas cenas pare­cerem engraçadas, incluin­do algu­mas piad­in­has tam­bém, não eram tão boas a pon­to de provo­car risada.

    O Lobi­somem é bem sessão da tarde, para quem quer ver alguns órgãos voan­do e sus­pense, que graças aos efeitos sonoros usa­dos em dema­sia, não farão você dormir.

    Con­fi­ra tam­bém a críti­ca deste filme no blog Claque ou Cla­que­te, por Joba Tri­dente.

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