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  • Crítica: O Vingador do Futuro (2012)

    Crítica: O Vingador do Futuro (2012)

    A últi­ma frase do con­to Lem­bramos para você a preço de ata­ca­do (Real­i­dades Para­le­las, Edi­to­ra Aleph), de Philip Dick, diz que a ver­dade não tar­dará a chegar, deixan­do para o leitor uma var­iedade de pos­si­bil­i­dades quan­to ao futuro de Dou­glas Quaid, um homem que tem son­hos repet­i­tivos com Marte como se fos­se uma lem­brança recor­rente na sua mente. E essas pos­si­bil­i­dades do uni­ver­so de Dick nun­ca pas­saram bati­das pelas mãos de cineas­tas que já adap­taram boa parte da obra do escritor. O con­to em questão ficou espe­cial­mente con­heci­do em 1990, quan­do o dire­tor Paul Ver­ho­even lev­ou às telas O Vin­gador do Futuro, pro­tag­on­i­za­do por Arnold Schwarzeneg­ger. O filme dava sequên­cia aos fatos apre­sen­ta­dos no enre­do, levan­do Quaid até Marte para enten­der os son­hos de perseguição.

    A ver­são dos anos 90 era típi­ca da época, cheia de exageros e uma visão bem suja — e bas­tante inter­es­sante para fãs do gênero — do futuro, trazen­do o icôni­co Schwarzeneg­ger com Sharon Stone, a musa da época, no papel da esposa de Quaid. Os fãs dessa primeira ver­são de Total Recall ficaram bas­tante apreen­sivos quan­do o dire­tor Len Wise­man, con­heci­do pela saga Anjos da Noite, anun­ciou um remake, ou mel­hor, uma nova visão para o Vin­gador do Futuro (Total Recall, EUA/Canada, 2012).

    Man­ten­do o mes­mo títu­lo e vários out­ros ele­men­tos do ante­ri­or — soan­do como uma pos­sív­el hom­e­nagem — o lon­ga ten­ta se sus­ten­tar por suas próprias opções de roteiro, assi­na­do por Kurt Wim­mer. Levan­do em con­sid­er­ação que ambas as ver­sões tratam do futuro, cada um com as tec­nolo­gias de sua época, nes­sa nova ver­são são usa­dos todas as pos­si­bil­i­dades de efeitos, cenários requin­ta­dos e manip­u­lações da real­i­dade. Mas ninguém sai da Ter­ra, que aliás vive numa distopia típi­ca de ficção cien­tí­fi­ca. Depois de uma ter­ceira guer­ra mundi­al o plan­e­ta está divi­di­do em duas grandes con­glom­er­ações de pes­soas. Uma, a Euroamer­i­ca, alta­mente tec­nológ­i­ca, desen­volvi­da e rica. Out­ra, New Shangai, na anti­ga Ocea­nia, onde vivem todas as pop­u­lações per­iféri­c­as do globo. Obser­va-se uma ver­dadeira mis­tu­ra de cul­turas, pla­cas com ideogra­mas enfeitam habitações enfileiradas e precárias, já ditas pelo dire­tor que foram inspi­radas nas fave­las brasileiras.

    Dou­glas Quaid (Collin Far­rel) tra­bal­ha como operário na Euroamer­i­ca e é assom­bra­do por um son­ho repet­i­ti­vo em que é um agente em fuga, acom­pan­hado de uma mul­her que escapa enquan­to ele é pre­so. Son­han­do sem­pre com a mes­ma cena o homem se sente cada vez mais inco­moda­do e com­par­til­ha isso com sua mul­her Lori (Kate Beck­in­sale), uma espé­cie de bombeira em New Shang­hai. Quaid decide ir até a Rekall, empre­sa que adi­ciona memórias em seres humanos, com a ideia de parar de ser persegui­do pelo pesade­lo. A ver­dade é que o pesade­lo nada mais é que uma lem­brança mal apa­ga­da de Quaid e é então que as ver­dadeiras fac­etas do operário entram em ação.

    Nada fácil con­vencer o públi­co do poten­cial do remake de um filme que foi gan­han­do sta­tus cult com o pas­sar do tem­po. Wise­man ten­ta tra­bal­har jun­ta­mente com o roteiro para que o espec­ta­dor não tire os olhos da tela, mas o que con­segue mais é uma chu­va de ações e revi­ra­voltas que acabam ente­dian­do. Não que Far­rel não dê con­ta da per­sona de Quaid, na ver­dade, as com­pan­heiras de cena não colab­o­raram. Kate Beck­in­sale, por exem­p­lo, esposa do dire­tor do lon­ga e estrela da saga Anjos da Noite, dá uma aula de como ser uma vilã sem sal e sem graça. Extrema­mente car­i­ca­ta de mul­her fatal, ela e Jés­si­ca Biehl (um pouco mel­hor) pro­to­ga­ni­zam uma cena extrema­mente desnecessária de duas mul­heres brig­an­do. Aliás, boa parte do elen­co fica bas­tante apa­ga­do nesse roteiro que se pre­ocu­pa em dar ares steam­punk para um futuro inevitável.

    O Vin­gador do Futuro tem tudo para ser mais um remake afo­ga­do na pra­ia. Um enre­do arras­ta­do, atrizes boni­tas com pou­ca atu­ação e a som­bra de um clás­si­co por trás. Talvez o lon­ga seja um bom entreten­i­men­to para quem está pouco famil­iar­iza­do com a ver­são ante­ri­or e com as nar­ra­ti­vas de Philip Dick. Mas a dica é, veja sem muitas espec­ta­ti­vas e gaste bas­tante tem­po lendo os con­tos do autor.

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  • Crítica: Doce Vingança

    Crítica: Doce Vingança

    Não é de hoje que os remakes tomam as telas dos cin­e­mas. Na déca­da de 80 tive­mos Scar­face, dirigi­do por Bri­an de Pal­ma e estre­la­do por Robert de Niro. Poucos sabem, mas este é remake de filme homôn­i­mo, data­do de 1932. Atual­mente, são vários os remakes que vemos por aí. Na maio­r­ia dos casos o resul­ta­do não é favoráv­el, mas às vezes os dire­tores “acer­tam a mão”. Um bom exem­p­lo dis­so é Doce Vin­gança (I Spit on Your Grave, USA, 2010) de Steve R. Monroe.

    A déca­da de 70 ficou con­heci­da pelos filmes que explo­ravam um lado mais vio­len­to e que­ri­am “chocar” a sociedade, para con­seguir atenção. Nes­sa déca­da tive­mos Pink Flamin­gos, Gar­gan­ta Pro­fun­da, 120 dias de Sodoma e out­ros filmes que mudaram a história do cin­e­ma, para o bem ou para o mal. Entre eles, tive­mos I Spit on your Grave (que aqui saiu como A Vin­gança de Jen­nifer). Com uma divul­gação tími­da, o VHS ficou per­di­do nas prateleiras das locado­ras, seja pela sua pés­si­ma pro­dução ou pela sua temáti­ca vio­len­ta demais até para os padrões da década.

    A escrito­ra Jen­nifer Hills se muda para uma cabana iso­la­da em uma peque­na cidade para ter­mi­nar seu livro. Um con­tratem­po num pos­to de gasoli­na faz com que ela des­perte o inter­esse e a ira de alguns moradores locais. Pouco depois, eles rumam para sua casa para estuprá-la e espancá-la. Dada como mor­ta, os home­ns esque­cem o caso e retomam suas vidas. Mas Jen­nifer esta­va viva, se recu­peran­do e plane­jan­do sua vigança. As cenas de estupro foram con­sid­er­adas fortes demais e o filme foi proibido em diver­sos país­es. Hoje ele pos­sui sta­tus de Cult e gan­hou o já cita­do remake.

    O enre­do é basi­ca­mente o mes­mo, com peque­nas mod­i­fi­cações. Doce Vin­gança foi alter­ado para cair no gos­to do públi­co que apre­cia o cin­e­ma hol­ly­wood­i­ano. As cenas de estupro foram amenizadas e as de vin­gança foram muito mais bru­tais. Há quem com­pare tais cenas com fran­quias do tipo Jogos Mor­tais e O Alber­gue, mas aqui é difer­ente. As cenas são bem encaix­adas e pos­suem um porquê de estarem lá.

    O prin­ci­pal­mente difer­en­cial entre o orig­i­nal e o remake, é que Doce Vin­gança pos­sui uma nar­ra­ti­va mais ágil. A ten­são cresce aos poucos, até cul­mi­nar na vin­gança, pro­pri­a­mente dita. Assim, prende a atenção de quem está assistin­do, fato que não acon­tece com o orig­i­nal (para que, não está acos­tu­ma­do com esse gênero de filme).

    Deixan­do a dis­cussão da éti­ca dos remakes de lado, Doce Vin­gança é um bom filme que deve agradar tan­to aos fãs xiitas do clás­si­co quan­to aos que ain­da não con­hecem o mes­mo. Um bom lon­ga de sus­pense atrai a atenção de quem está assistin­do pela cres­cente ten­são, e esse obje­ti­vo con­seguiu ser atingido.

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    httpv://www.youtube.com/watch?v=Y2YRY35WMc4

  • Crítica: Deixe-me Entrar

    Crítica: Deixe-me Entrar

    Que Hol­ly­wood pas­sa por uma crise pro­fun­da já virou frase de repetição quan­do sen­to para escr­ev­er sobre algum filme. Mas ver­dade seja dita, sem­pre que os amer­i­canos ten­tam trans­for­mar em seus toda e qual­quer obra sen­sa­cional do cin­e­ma mundi­al algo se perde. Há pouco menos de um ano saiu a notí­cia das gravações de Deixe-me Entrar (Let me in, USA, 2010) dirigi­do por Matt Reeves, do fraquís­si­mo Clover­field. O orig­i­nal — já clás­si­co — Deixe Ela Entrar , do dire­tor Tomas Alfred­son, adap­ta­do do livro de mes­ma nacional­i­dade inti­t­u­la­do Låt Den Rätte Kom­ma In, foi um dos filmes mais cul­tua­dos nos últi­mos anos, e por isso mes­mo havia o temor na adaptação.

    Na história amer­i­cana Owen é um garo­to que sofre de fortes ações de bul­ly­ing na esco­la, em casa con­vive com uma mãe alcoóla­tra divor­ci­a­da de um pai ausente e essas situ­ações o tor­nam muito soz­in­ho. Quan­do não está espiando a vida de seus viz­in­hos, o garo­to gos­ta de sen­tar no play­ground do con­domínio e com­er alguns doces enquan­to can­taro­la ou brin­ca no inver­no rig­oroso da cidade de Los Alam­os, no Novo Méx­i­co. Ao notar que duas pes­soas se mudam para o aparta­men­to ao lado, Owen ini­cia uma amizade com Abby uma garo­ta esquisi­ta e solitária que aparente­mente não sente frio e aparece e desa­parece de for­ma estran­ha. A garo­ta aos poucos vai mostran­do a sua real natureza e Owen fica cada vez mais envolvi­do nes­sa amizade que vai se tor­nan­do, para ambos, necessária e até obsessiva.

    A adap­tação, quase que ger­al, do roteiro orig­i­nal para visões com­ple­ta­mente amer­i­canas é o que mais inco­mo­da em Deixe-me Entrar. Por exem­p­lo, em muitos momen­tos é dado um tom reli­gioso para a situ­ação de vam­piris­mo de Abby, que é visivel­mente mais bru­tal e ao mes­mo tem­po mais meiga que a orig­i­nal Eli. Chloe Moretz não car­rega o olhar maduro e ao mes­mo tem­po sagaz de Lina Lean­der­s­son, já Kodi Smit-Mcphee aparenta ser mais vul­neráv­el que o orig­i­nal o que dá uma ar inter­es­sante a Owen ape­sar de muitas out­ras car­ac­terís­ti­cas — que fazem boa difer­ença — de Oskar estarem ausentes nes­sa ver­são. Nas duas ver­sões do lon­ga o rela­ciona­men­to entre as duas cri­anças é trata­da de for­ma inter­es­sante e pon­tu­al. Existe uma relação de tro­cas obses­si­vas entre os dois, e isso ficou man­ti­do nes­sa ver­são, prin­ci­pal­mente a dependên­cia que a amizade vai cri­ar em Abby e Owen, os tor­nan­do inevitáveis um ao outro.

    As locações e toda a fotografia de Deixe-me Entrar estão bem mais som­brias que a ver­são sue­ca, per­den­do a lev­eza e nat­u­ral­i­dade do orig­i­nal, e ali­a­do a tril­ha sono­ra — bem exager­a­da — deixou essa ver­são muito mais dramáti­ca, e diga-se de pas­sagem, san­guinária. O charme de Deixe Ela Entrar esta­va em jus­ta­mente pare­cer nat­ur­al e faz­er sus­pense com situ­ações mais psi­cológ­i­cas do que visuais, de atu­ação, e a Sué­cia por si só pos­sui um cli­ma som­brio e árti­co para se exi­s­tir vam­piros com uma vida aparente­mente normal.

    Para quem real­mente se impres­sio­nou com a história orig­i­nal e as maneiras em que Tomas Alfred­son tra­bal­hou com o Deixe Ela Entrar, vai se desapon­tar com o Deixe-me Entrar, uma ver­são tipi­ca­mente exager­a­da e amer­i­cana. Ao exces­so de ele­men­tos de sus­pense e a fal­ta de detal­h­es inter­es­santes, a ver­são de Matt Reeves é ape­nas mais uma no grande vol­ume de remakes desnecessários. Espero que com esse lança­men­to, a aces­si­bil­i­dade a pro­duções alter­na­ti­vas fora do eixo comum de cin­e­ma, se tornem mais acessíveis, através de dis­tribuido­ras com olhares atentos.

    No mais, recomen­do a ver­são orig­i­nal de 2008, Deixe Ela Entrar, pois é um dos filmes mais orig­i­nais e psi­cológi­cos sobre vam­piros, um clás­si­co con­tem­porâ­neo do cin­e­ma sueco.

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  • Crítica: O Turista

    Crítica: O Turista

    Se Angeli­na Jolie havia fun­ciona­do, mes­mo que de for­ma bem pre­vi­siv­el, em Salt , em O Tur­ista (The Tourist, EUA, França, 2010), dirigi­do por Flo­ri­an Henck­el von Don­ners­mar­ck, ela não con­vence na repetição do papel de mais uma agente super poderosa. Fazen­do dupla com John­ny Depp, Jolie sim­ples­mente des­fi­la com lin­das jóias e mod­eli­tos de fina cos­tu­ra pelo filme, seduzin­do com seu olhar, e só. 

    O lon­ga, que é um remake do francês Antho­ny Zim­mer — A Caça­da, de Jérôme Salle, traz a belís­si­ma Elise (Angeli­na Jolie), persegui­da pela polí­cia britâni­ca por rece­ber um supos­to bil­hete de seu amante, o este­lion­atário procu­ra­do Alexan­der Pearce. Enquan­to a polí­cia mon­ta um esque­ma de bus­ca, Elise procu­ra aleato­ri­a­mente alguém que se passe por Pearce, para usá-lo como laran­ja e despistá-los. É então que ela encon­tra o esquisi­to pro­fes­sor Frank Tupe­lo (John­ny Depp), um tur­ista amer­i­cano via­jan­do soz­in­ho que pas­sará a enfrentar situ­ações inusi­tadas ao lado da bela mul­her que o seduziu.

    Diga-se de pas­sagem que o forte dos amer­i­canos não é a cri­ação. Claro, muito da história do cin­e­ma se deve a gênios amer­i­canos como Alfred Hitch­cock (que era anglo-amer­i­cano), mas o que a indús­tria cin­e­matográ­fi­ca de lá nun­ca negou foi a paixão em amer­i­canizar obras sen­sa­cionais, sejam elas européias, ori­en­tais ou lati­no-amer­i­canas, e deixá-las com todas as car­ac­terís­ti­cas que somente a tec­nolo­gia e os orça­men­tos amer­i­canos podem dar. Com O Tur­ista, acon­tece o mes­mo de sem­pre, ou seja, tudo soa com um tom que não per­tence às nar­ra­ti­vas comuns do cin­e­ma hol­ly­wood­i­ano. Um dos pon­tos em que isso fica mais níti­do é a veloci­dade e a for­ma em que tudo transcorre, com mui­ta cal­ma, sem mui­ta ação, tiroteios e perseguições. Isso, inclu­sive, deixa O Tur­ista um tan­to quan­to super esti­ma­do, pri­or­izan­do somente o glam­our das situ­ações, além de pos­suir um enre­do muito super­fi­cial. Aliás, não somente a história foi impor­ta­da da Europa, o dire­tor alemão Flo­ri­an Henck­el von Don­ners­mar­ck, que já gan­hou Oscar com o Vida dos Out­ros, estreia sua car­reira amer­i­cana com esse longa.

    Mes­mo sendo um remake, O Tur­ista incor­po­ra out­ros ele­men­tos de filmes clás­si­cos de perseguição como os da déca­da de 40 e out­ros de Alfred Hitch­cock. Belas mul­heres sem­pre são per­son­agens prin­ci­pais e moti­vações char­mosas para roubarem a cena das peripé­cias mas­culi­nas. E Angeli­na Jolie, com sua beleza a la Rita Hay­worth e Gre­ta Gar­bo, cumpre seu papel de for­ma sedu­to­ra. Inclu­sive, O Tur­ista me reme­teu a várias cenas de Gil­da, de 1946, claro que com a ver­são atu­al­iza­da de um esti­lo de diva clás­si­ca, mas mar­ca­do por grandes revi­ra­voltas dos enre­dos dess­es períodos.

    Claro que hou­ve uma super­es­ti­mação do lon­ga jus­ta­mente por reunir duas grandes e atu­ais estre­las do cin­e­ma amer­i­cano. Mas a ver­dade é que a sexy Angeli­na Jolie não com­bi­na em nada com o esquisi­to Depp, que reforça um papel bobo com algu­mas piad­in­has diver­tidas no decor­rer da história. O Tur­ista, como um todo, não é ruim e tam­bém não é nen­hu­ma mar­avil­ha da séti­ma arte, mas cumpre o papel de entreter sem cansar muito o espec­ta­dor, se tor­nan­do um filme pre­visív­el sem grandes méri­tos como esper­a­va a mídia.

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  • Crítica: Karate Kid

    Crítica: Karate Kid

    karate kid

    Karate Kid (Karate Kid, USA/China, 2010), de Har­ald Zwart, é um remake do filme homôn­i­mo da déca­da de 80, com suas dev­i­das atu­al­iza­ções para chamar mais atenção ao públi­co infan­to-juve­nil atu­al, como Lady Gaga e Justin Bieber na tril­ha sonora.

    Dre Park­er (Jaden Smith), um garo­to de 12 anos, se muda com a mãe (Tara­ji P. Hen­son) para Pequim, dev­i­do ao tra­bal­ho dela. Enquan­to ten­ta se adap­tar, con­hece Meiy­ing (Han Wen­wen) e logo se inter­es­sa por ela, chaman­do a atenção de Cheng (Zhen­wei Wang) que começa a persegui-lo e bater nele jun­to com sua peque­na gangue. Para se defend­er con­tra o bul­ly­ing, Dre decide apren­der Kung Fu e o Sr.Han (Jack­ie Chan), zelador do pré­dio que mora, parece ser o mestre ide­al para ele.

    É claro que não pode­ria fal­tar o “inglês onipresente” no filme. O tem­po inteiro, Dre não mostra inter­esse em apren­der chinês e quase todos os diál­o­gos são em inglês (e ain­da vai ter amer­i­cano recla­man­do que foi difí­cil acom­pan­har as leg­en­das nas pou­cas cenas que exis­tem). Karate Kid, em cer­tos momen­tos, é mais uma apre­sen­tação visu­al de cer­tos lugares da Chi­na e da sua cul­tura, mas tudo de maneira muito super­fi­cial e bas­tante turística.

    Por falar em super­fi­cial­is­mo, isto é algo que car­ac­ter­i­za grande parte do filme. Dre mes­mo treinan­do e dom­i­nan­do as téc­ni­cas, parece que a filosofia da arte mar­cial é pouco (ou nada) incor­po­ra­da por ele. Quan­do parece que algo mudou, na cena seguinte ele vol­ta a ser quem sem­pre foi, um garo­to mima­do e exibido. Karate Kid é um ver­dadeiro cur­so de téc­ni­cas de arte mar­cial instan­tâ­neo, esti­lo o mio­jo: práti­co e rápi­do, mas total­mente artificial.

    Ape­sar de não con­hecer nada sobre o Jaden Smith, parece que ele está ape­nas inter­pre­tan­do ele mes­mo, um garo­to mima­do que se acha o cen­tro das atenções e total­mente cool (será que pux­ou o pai?). O que aca­ba sendo engraça­do em Karate Kid de tão ridícu­lo que é. Já Jack­ie Chan está com uma inter­pre­tação dramáti­ca, ele teve pou­cas opor­tu­nidades de inter­pre­tar um papel assim, e a toma­da em que luta con­tra 6 meni­nos, que estavam perseguin­do Dre, fazen­do com que eles se acertem mutu­a­mente, ficou ótima.

    A úni­ca coisa real­mente desnecessária em Karate Kid, foi uma cena em que Meiy­ing (Han Wen­wen) dança para Dre, com uma músi­ca da Lady Gaga no fun­do. Ficou uma sex­u­al­iza­ção da garo­ta total­mente dis­pen­sáv­el (tem até um vídeo dela no Youtube fazen­do algo pare­ci­do num even­to de estreia do filme com uma roupa de couro e pos­es mais ousadas). Para um filme foca­do para um públi­co mais infan­to-juve­nil não faz sen­ti­do nen­hum uma cena assim, se o foco fos­se ado­les­cente aí já é out­ra história. Qual é a sua opinião a respeito disso?

    Esta­va com um pé bem atrás para ver este Karate Kid, que na ver­dade dev­e­ria ser Kung Fu Kid porque de Karate não tem prati­ca­mente nada, mas me sur­preen­di com o resul­ta­do. Tiran­do alguns detal­h­es, não hou­ve nada que com­pro­m­etesse muito o resul­ta­do final. Ele foi bem estru­tu­ra­do, fil­ma­do e mon­ta­do. Tudo feito dire­it­in­ho, incluin­do a cena final con­ge­la­da, em hom­e­nagem aos filmes da época do orig­i­nal. Para quem con­hece a história, não terá nen­hu­ma sur­pre­sa em relação ao enre­do, mas ain­da assim é diver­tido e cativante.

    Quer assi­s­tir Karate Kid de graça e ain­da gan­har brindes? Então par­ticipe da Pro­moção Karate Kid e con­cor­ra a brindes e con­vites para ver o filme em todo o Brasil.

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  • Crítica: Esquadrão Classe A

    Crítica: Esquadrão Classe A

    Esquadrão Classe A

    Nos últi­mos tem­pos o que mais tem apare­ci­do, de filmes, são remakes e todos os tipos  de adap­tações, remod­e­ladas para se tornarem grandes block­busters (que muitas vezes fra­cas­saram). Parece até que se está pas­san­do por uma crise grande de cria­tivi­dade entre os roteiris­tas e pro­du­tores. Esquadrão Classe A (The A‑Team, EUA, 2010), de Joe Car­na­han, se encaixa per­feita­mente na descrição ante­ri­or, mas por con­seguir ter óti­mas sacadas e pos­suir um ar meio retrô de anti­gos filmes de ação, con­seguiu se destacar entre eles.

    Logo de iní­cio temos uma bela apre­sen­tação de como se deu a for­mação do Esquadrão Classe A: Han­ni­bal (Liam Nee­son), Face (Bradley Coop­er), Bara­cus (Quin­ton ‘Ram­page’ Jack­son) e Mur­dock (Sharl­to Cop­ley). E difer­ente de out­ros times, o difer­en­cial deste é sua cria­tivi­dade e ousa­dia, total­mente kamikaze, para elab­o­rar e efe­t­u­ar planos mirabolantes nas suas missões.

    Ao con­trário do orig­i­nal, em que eram vet­er­a­nos do Viet­nã, ago­ra eles são do Iraque. E a respeito dis­so há uma toma­da bem inter­es­sante, ape­sar de ser bem sin­gela e ráp­i­da, de quan­do estão no Iraque, mostran­do um com­pan­heiris­mo e frater­nidade entre o exérci­to amer­i­cano e os civis iraquianos. Talvez seja mais uma, das mil­hões, ten­ta­ti­vas sub­lim­inares de ten­tar “ree­scr­ev­er” a história dos EUA, que nos remete a George Orwell, no livro 1984: “Quem con­tro­la o pas­sa­do, con­tro­la o futuro; quem con­tro­la o pre­sente, con­tro­la o pas­sa­do.”. Mas difer­entes de vários out­ros filmes do gênero, os inimi­gos do Esquadrão Classe A não são estrangeiros malu­cos (rus­sos come­dores de cri­anc­in­has, viet­na­mi­tas assus­ta­dores, japone­ses psicóti­cos, …), que tor­na o enre­do bem mais sóli­do e verídico.

    Cenas de ação é que não fal­tam, acred­i­to que a frase que mel­hor resume Esquadrão Classe A é: “se você pode colo­car mais, porque não colo­car ain­da mais”? Ou seja, somos bom­bardea­d­os com uma cena de ação atrás da out­ra, bem mega­lo­manía­cas, mas seguin­do um bom esti­lo como os da série James Bond. Ape­sar de você saber que quase tudo aqui­lo nun­ca pode­ria acon­te­cer no mun­do real, é jus­ta­mente nis­so que se encon­tra a beleza e o encan­ta­men­to. Isso é claro, se deu prin­ci­pal­mente pelo humor muito bem feito, reple­to de citações de ele­men­tos do dia a dia de grande parte do públi­co. As tomadas com tiradas (piad­in­has) sobre os filmes em 3D, o Blue Man Group, e dos jogos de videogames, com a frase “Whoah, it’s just like Call of Duty!” (Nos­sa, é como em Call of Dut­ty!), são inesquecíveis.

    Esquadrão Classe A é para se diver­tir e cur­tir (muitas) boas cenas de ação. Quem con­hecia e gosta­va da séire de TV, na qual foi basea­da, acred­i­to que terá vários flash­backs dela e não dev­erá se desapon­tar com esta nova versão.

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