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  • O Resto é Silêncio

    O Resto é Silêncio

    O que você faria se não pudesse ouvir? Como se comu­nicar sem o uso da palavra fal­a­da? Garan­to que apren­de­ria a lidar com os gestos, prestaria mais atenção nas expressões das pes­soas e enx­er­garia a palavra de out­ro modo, sem o som, mas com mais sig­nifi­cação na for­ma e no sen­ti­do. E é dessas per­cepções que o cur­ta O Resto é Silên­cio (2003), de Paulo Halm, tra­ta.

    Lucas é um garo­to sur­do que vive aten­ta­mente em prestar atenção nos gestos das pes­soas, várias vezes ele vai até a loja de dis­cos somente para obser­var as expressões. Mas além dis­so, Lucas gos­ta mes­mo é das palavras e é na poe­sia que o jovem tem suas maiores sen­sações e con­segue expressá-las através da lín­gua de Libras. Ao con­hecer Clara, a nova cole­ga do colé­gio para defi­cientes audi­tivos, ele desco­bre que exis­tem muitos out­ros meios de enten­der os sons que o mun­do pos­sui e isso muda aos poucos a vida de Lucas.

    O Resto é Silên­cio é fil­ma­do todo em lín­gua de Libras e os atores são todos sur­dos. O dire­tor faz uso inten­so do silên­cio e das sen­sações de um defi­ciente audi­ti­vo comum como as tran­sições entre som e silên­cio que muitos sen­tem. Ain­da, mostra um pouco do cotid­i­ano dess­es jovens, que tem uma vida com­ple­ta­mente adap­ta­da porém em nada difer­ente dos outros.
    É a poe­sia, não somente das palavras que o garo­to encon­tra, mas nos gestos e nas for­mas que os per­son­agens reais de O Resto é Silên­cio encon­tram para explicar o mun­do. Para Lucas as palavras são sinestési­cas, elas pos­suem for­mas, cheiros e val­ores difer­entes do som. Elas se tor­nam poe­sia para ele e assim pode trans­for­má-las em mág­i­ca nas suas mãos.

  • Os Filmes Que Não Fiz

    Os Filmes Que Não Fiz

    Por quais motivos muitos filmes não são feitos no Brasil? Sem­pre há alguém a quem cul­par:, o gov­er­no, a fal­ta de apoio da pop­u­lação, algu­ma pes­soa que não aceitaram colab­o­rar e até mes­mo a fal­ta de von­tade de ter que ir em bus­ca de recur­sos e apoio. O cur­ta Os Filmes Que Não Fiz, de Gilber­to Scarpa, tra­ta jus­ta­mente dos motivos mais banais de pro­je­tos cin­e­matográ­fi­cos não terem vin­ga­do e se tor­na­do películas.

    Em Os Filmes Que Não Fiz, Scarpa inter­pre­ta a si mes­mo como um dire­tor que acred­i­ta fiel­mente em seus pro­je­tos, mas que nun­ca tirou nen­hum do papel. Nos moldes de entre­vis­tas e doc­u­men­tários de dire­tores famosos, em que os atores e colab­o­radores par­tic­i­pantes dão seus depoi­men­tos, o dire­tor con­ta da sua saga de anti-herói das telonas nacionais.

    O tom cíni­co de Os Filmes Que Não Fiz é um dos ele­men­tos mais inter­es­santes, soan­do como uma críti­ca sobre o enorme número de pseu­do dire­tores atual­mente. O diretor/personagem nar­ra em um tom saudo­sista e car­in­hoso os seus roteiros mais inter­es­santes rela­tan­do cada detal­he do que pode­ria ter sido. Ele apre­sen­ta de for­ma extrema­mente diver­ti­da, e em for­ma­to de trail­er, um a um dos pro­je­tos. O cur­ta é uma espé­cie de ¨cur­tas den­tro de um cur­ta¨ dan­do um tom met­alin­guis­ti­co ao tra­bal­ho. Afi­nal, por que mes­mo muitos filmes não são feitos no Brasil?

  • O Troco

    O Troco

    Os call-cen­ters viraram uma pra­ga já nos anos 90, não há quem nun­ca teve uma recla­mação sobre as lig­ações, sem­pre em horas em que você está sem paciên­cia, das aten­dentes com vozes mecâni­cas. Quem nun­ca son­hou em uma vin­gança deli­ciosa con­tra ess­es seres do out­ro lado do tele­fone? Esse é o gostin­ho que espec­ta­dor tem em O Tro­co (2008), cur­ta de André Rolim.

    O Tro­co traz a história de uma aten­dente que ten­ta (como sem­pre) con­vencer um casal de clientes a com­prar o seu pro­du­to, o que ela não espera é que ess­es clientes este­jam cientes de que a vin­gança é um pra­to que se come deva­gar e que ela será o már­tir das aten­dentes de telemarketing.

    O gos­to de vin­gança é a chave para O Tro­co, que rec­hea­do de ele­men­tos cômi­cos dessa situ­ação cotid­i­ana, apre­sen­ta um cur­ta-metragem de 11 min­u­tos de muitas risadas. O cur­ta é sim­ples mas riquis­si­mo em diál­o­gos diver­tidos, impos­sív­el não se iden­ti­ficar na situ­ação de víti­mas do telemarketing.