Tag: Paulo Halm

  • O Resto é Silêncio

    O Resto é Silêncio

    O que você faria se não pudesse ouvir? Como se comu­nicar sem o uso da palavra fal­a­da? Garan­to que apren­de­ria a lidar com os gestos, prestaria mais atenção nas expressões das pes­soas e enx­er­garia a palavra de out­ro modo, sem o som, mas com mais sig­nifi­cação na for­ma e no sen­ti­do. E é dessas per­cepções que o cur­ta O Resto é Silên­cio (2003), de Paulo Halm, tra­ta.

    Lucas é um garo­to sur­do que vive aten­ta­mente em prestar atenção nos gestos das pes­soas, várias vezes ele vai até a loja de dis­cos somente para obser­var as expressões. Mas além dis­so, Lucas gos­ta mes­mo é das palavras e é na poe­sia que o jovem tem suas maiores sen­sações e con­segue expressá-las através da lín­gua de Libras. Ao con­hecer Clara, a nova cole­ga do colé­gio para defi­cientes audi­tivos, ele desco­bre que exis­tem muitos out­ros meios de enten­der os sons que o mun­do pos­sui e isso muda aos poucos a vida de Lucas.

    O Resto é Silên­cio é fil­ma­do todo em lín­gua de Libras e os atores são todos sur­dos. O dire­tor faz uso inten­so do silên­cio e das sen­sações de um defi­ciente audi­ti­vo comum como as tran­sições entre som e silên­cio que muitos sen­tem. Ain­da, mostra um pouco do cotid­i­ano dess­es jovens, que tem uma vida com­ple­ta­mente adap­ta­da porém em nada difer­ente dos outros.
    É a poe­sia, não somente das palavras que o garo­to encon­tra, mas nos gestos e nas for­mas que os per­son­agens reais de O Resto é Silên­cio encon­tram para explicar o mun­do. Para Lucas as palavras são sinestési­cas, elas pos­suem for­mas, cheiros e val­ores difer­entes do som. Elas se tor­nam poe­sia para ele e assim pode trans­for­má-las em mág­i­ca nas suas mãos.

  • Crítica: Histórias de amor duram apenas 90 minutos

    Crítica: Histórias de amor duram apenas 90 minutos

    historias de amor duram apenas 90 minutos

    Nes­sa últi­ma déca­da o cin­e­ma brasileiro vem ten­tan­do cri­ar novas iden­ti­dades audi­v­io­suais e, optan­do pela ten­ta­ti­va de nar­ra­ti­vas e enre­dos que fujam do já bati­do favela-sertão do país, muitos filmes surgem com enre­dos con­tem­porâ­neos e urbanos. Histórias de amor duram ape­nas 90 min­u­tos (Brasil, 2009), de Paulo Halm é mais um dess­es filmes com car­ac­terís­ti­cas fiéis a essa nova fase.

    Em Histórias de amor duram ape­nas 90 min­u­tos tudo gira em torno da crise de cri­ação do aspi­rante a escritor Zeca (Caio Blat). Ele já está na casa dos 30 anos, é casa­do com a aparente­mente bem resolvi­da Julia (Maria Ribeiro) e ain­da vive com o din­heiro que seu pai dá todo mês. Zeca pas­sa a acred­i­tar que sua mul­her o trai e vai mais além, ele acha que ela o trai com uma out­ra mul­her, a bela dança­ri­na Car­ol (Luz Cipri­o­ta). O fetiche mas­culi­no está com­ple­to a par­tir do momen­to em que Zeca pas­sa a se sen­tir atraí­do pela sexy dança­ri­na argentina.

    Quem nos con­ta a angús­tia da fal­ta de pro­dução e as aven­turas sex­u­ais-amorosas é o próprio Zeca, que apre­sen­ta o seu insuces­so de sair da pági­na 50 do seu futuro livro e aca­ba por ser escra­vo de suas próprias paranóias e ócio. O nar­rador de Histórias de amor duram ape­nas 90 min­u­tos vive o para­doxo de dese­jar uma vida sem pudores e, por out­ro lado, fica lamen­ta­do os seus atos, o que aca­ba, infe­liz­mente, soman­do pon­tos con­tra a con­ven­ci­bil­i­dade do personagem.

    Zeca é o estereótipo mod­er­no de algum escritor mar­gin­al da déca­da de 60 ou 70, só com a difer­ença de ter quem sus­tente sua vida alter­na­ti­va. Mas Caio Blat sabe ori­en­tar o per­son­agem jus­ta­mente pela fal­ta de aut­en­ti­ci­dade e dependên­cia do Zeca e tam­bém pela nar­ra­ti­va diver­ti­da que ele apre­sen­ta o desen­ro­lar da história. O que não con­vence muito, e aparenta muitas vezes força­da, é a sen­su­al­i­dade da per­son­agem Car­ol, que abusa do sotaque e das cur­vas argenti­nas para dar charme a interpretação.

    A pro­dução de arte no Histórias de amor duram ape­nas 90 min­u­tos tem um quê de orig­i­nal­i­dade desta­can­do os dois ambi­entes mais impor­tantes do filme, os aparta­men­tos do casal e da argenti­na, ambos muito legais e fiéis ao esti­lo dos per­son­agens. A fotografia das ruas de boêmia car­i­o­ca tam­bém é óti­ma e dá charme à película.

    Histórias de amor duram ape­nas 90 min­u­tos não é nen­hu­ma pro­dução grandiosa, sem ousa­dias de enre­do ou de lin­guagem, mas é um filme que vai além do cin­e­ma atu­al, que ten­ta ser pseu­do críti­co e extrema­mente expos­i­ti­vo sobre as defi­ciên­cias soci­ais do país.

    Out­ra críti­cas interessantes:

    Trail­er:

    httpv://www.youtube.com/watch?v=jC1CxN_61kw