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  • Pico do Petróleo, por Stuart McMillen | Quadrinho

    Pico do Petróleo, por Stuart McMillen | Quadrinho

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    O inter­ro­gAção é o tradu­tor ofi­cial das HQs do Stu­art McMillen.

  • Mundo Fantasma, de Daniel Clowes

    Mundo Fantasma, de Daniel Clowes

    Con­sid­er­a­da uma das HQ’s mais acla­madas dos quadrin­hos alter­na­tivos norte-amer­i­canos, Mun­do Fan­tas­ma (Ghost World, Gal Edi­to­ra, 2011), cri­a­da em 1989 pelo quadrin­ista Daniel Clowes, rep­re­sen­ta de for­ma hilária e melancóli­ca as adver­si­dades da adolescência.

    As ami­gas Enid e Rebec­ca, recém saí­das do cole­gial, são duas ado­les­centes com­plexas que pos­suem uma maneira bem par­tic­u­lar de ver o mun­do. Entre per­son­agens esquizofrêni­cos como o ex-padre pedó­fi­lo, o casal de satanistas que ado­ra com­prar comi­da instan­tânea para cri­anças e o astról­o­go e médi­um Bob Skeets, as duas fazem obser­vações per­spi­cazes a respeito das pes­soas com quem con­vivem, enquan­to ten­tam adap­tar-se à sua fal­ta de práti­ca de viv­er em meio à sociedade.

    Os diál­o­gos des­ta HQ pos­suem um poten­cial incrív­el de sar­cas­mo e irreverên­cia, pois ambas as pro­tag­o­nistas, em espe­cial Enid, criti­cam a tudo e a todos de maneira cru­el mais ao mes­mo tem­po cômi­ca, expres­san­do sem rodeios, as suas opiniões. As refer­ên­cias que Enid usa em seus diál­o­gos com per­son­agens e episó­dios de seri­ados da déca­da de 60/70 como Mod Squad e Os mon­stros, além das letras de músi­ca para pon­tu­ar alguns momen­tos da nar­ra­ti­va, como o punk rock do Ramones (músi­cas que são traduzi­das ao final do livro), são alguns ele­men­tos que tor­nam Mun­do Fan­tas­ma uma HQ tão envol­vente que é capaz de mudar a nos­sa per­cepção sobre algu­mas situ­ações cotid­i­anas que vivemos. 

    A difer­ença entre as duas, é que enquan­to Enid, com suas tro­cas repenti­nas de visu­al, pen­sa em se mudar de sua cidade e viv­er de uma out­ra maneira, Becky só quer con­tin­uar com sua mes­ma condição, sem muitas expec­ta­ti­vas, isso aca­ba por con­tribuir para o inevitáv­el dis­tan­ci­a­men­to das ami­gas, que pare­cem estar se tor­nan­do mais “maduras”.

    Os oito capí­tu­los da obra que depois de reunidos em um úni­co vol­ume em 1997, resul­taram na HQ inde­pen­dente Mun­do Fan­tas­ma, relatam episó­dios comuns da vida ado­les­cente como a nar­ração da primeira vez de Enid com um hip­pie sério do últi­mo ano do colé­gio e a escol­ha dela pela fal­ta de opções de um par­tido com um bom gos­to musi­cal, Pelo menos ele não escu­ta­va Grate­ful Dead!. Difer­ente das grandes histórias de super heróis, em todos os capí­tu­los Daniel Clowes rela­ta com detal­h­es os con­fli­tos e com­plex­i­dades da vida real e desa fase cheia de insegurança.

    Depois dos inúmeros prêmios que lev­ou, Mun­do Fan­tas­ma foi adap­ta­da tam­bém para o cin­e­ma em Ghost World – Apren­den­do a Viv­er (2001) pelo cineas­ta Ter­ry Zwigoff, com roteiro próprio de Daniel Clowes. Ape­sar de algu­mas mudanças da história orig­i­nal, como de alguns per­son­agens, a atu­ação de Tho­ra Birch e Scar­lett Johans­son é bril­hante, além de con­tar com uma óti­ma tril­ha sonora.

    Mun­do Fan­tas­ma foi escol­hi­do como um dos dez mel­hores álbuns em quadrin­hos de todos os tem­pos pela Revista Time, sendo final­mente lança­do no Brasil ano pas­sa­do pela Gal Edi­to­ra. Um quadrin­ho real­ista rico em cin­is­mo e inteligên­cia que merece ser lido e reli­do. Como descreve o comen­tário pre­sente na biografia do autor ao final da obra, Mun­do Fan­tas­ma é uma pro­va de que Daniel Clowes não é só um vel­ho pervertido.

    Book­trail­er do quadrin­ho:

    httpv://youtu.be/qYwXlYa6Wmg

  • Achados e Perdidos, de Eduardo Damasceno, Luís Felipe Garrocho e Bruno Ito

    Achados e Perdidos, de Eduardo Damasceno, Luís Felipe Garrocho e Bruno Ito

    Sem­pre achei que todas as histórias em quadrin­hos têm uma tril­ha sono­ra. Quan­do eu li pela primeira vez Gen pés descalços, por exem­p­lo, do Kei­ji Nakaza­wa, achei que com­bi­na­va com Beau­ti­ful Boys das irmãs Cocorosie. Mas isso varia muito de pes­soa para pes­soa, cada um tem um repertório e uma sen­sação ao ler algu­ma coisa. 

    Mas a HQ Acha­dos e Per­di­dos foi além dis­so. Eduar­do Dam­a­s­ceno e Luís Felipe Gar­ro­cho, nas suas habil­i­dades em inven­tar histórias para diver­tir as pes­soas, cri­aram cada pági­na do livro de for­ma autên­ti­ca e inspi­rado­ra, e ain­da, se não bas­tasse, uma músi­ca especí­fi­ca foi com­pos­ta para cada capí­tu­lo da tra­ma pelo ami­go de lon­ga data dos cri­adores, o músi­co Bruno Ito.

    Quan­do li o primeiro capí­tu­lo de Acha­dos e Per­di­dos, Vácuo, o qual os meni­nos disponi­bi­lizam no site do Quadrin­hos Rasos me apaixonei no mes­mo momen­to pela obra. Nun­ca havia lido algu­ma história com uma músi­ca pen­sa­da exata­mente para cada situ­ação dela, e só fiquei queren­do mais. O negó­cio é que o livro só iria ser pro­duzi­do por com­ple­to se os autores con­seguis­sem arrecadar o din­heiro total que pre­cisavam, pois o pro­je­to esta­va den­tro do Catarse.me, uma platafor­ma de finan­cia­men­to colab­o­ra­ti­vo. Cola­bor­ei e acom­pan­hei o site durante todo o proces­so, e eis que depois de dias esperan­do o resul­ta­do, graças às mais de 500 pes­soas que colab­o­raram, o Acha­dos e Per­di­dos foi o primeiro lança­men­to do selo Quadrin­hos Rasos.

    Mas afi­nal do que se tra­ta essa HQ tão espe­cial? Imag­ine algo que englo­ba quadrin­hos, músi­ca e bura­cos negros. Em um dia comum, Dev, um garo­to um tan­to triste e solitário, acor­da com um bura­co negro no estô­ma­go. Pipo, seu mel­hor ami­go, fica deslum­bra­do com o fenô­meno e esquema­ti­za vários planos para solu­cionar o prob­le­ma de Dev. No meio das bus­cas dos dois, acabam con­hecen­do Lau­ra, uma ado­les­cente que tam­bém pos­sui um bura­co negro embaixo de sua cama.

    Acha­dos e Per­di­dos uti­liza-se de uma situ­ação extra­ordinária para tratar de prob­le­mas e con­fli­tos comuns da vida cotid­i­ana, a qual todos esta­mos condi­ciona­dos. E faz isso com taman­ha sen­si­bil­i­dade, mas sem perder o humor, através de per­son­agens como Pipo, que con­segue trans­for­mar o mis­tério do bura­co negro de Dev em uma grande aventura.

    O livro é divi­di­do em sete capí­tu­los e um epíl­o­go. Cada faixa do CD cor­re­sponde a um capí­tu­lo de Acha­dos e Per­di­dos, e, por incrív­el que pareça, ao tér­mi­no de cada capí­tu­lo, uma músi­ca ter­mi­na e out­ra começa e você nem ao menos se dá con­ta. Como no capí­tu­lo seis: Hor­i­zonte de even­tos, quan­do começa a chover na história, o barul­ho de chu­va aparece tam­bém na músi­ca. Mágica.

    Acha­dos e Per­di­dos foi ini­cial­mente pro­duzi­do em quan­ti­dade lim­i­ta­da para as pes­soas que colab­o­raram para que ele viesse a exi­s­tir, mas a boa notí­cia é que a obra será relança­da ain­da esse mês pela edi­to­ra Migu­il­im. Se eu fos­se você não perde­ria a opor­tu­nidade de via­jar por essa história inten­sa e fasci­nante e desco­brir o sig­nifi­ca­do da peque­na afir­mação de Dam­a­s­ceno: Por uma boa vida.

  • Entrevista: Pryscila Vieira

    Entrevista: Pryscila Vieira

    Neste Dia Inter­na­cional da Mul­her, nada mel­hor do que uma entre­vista com a curitibana, ilustrado­ra, design­er e car­tunista, Pryscila Vieira. Apaixon­a­da por humor grá­fi­co, Pryscila é cri­ado­ra da per­son­agem Ame­ly, a cati­vante boneca infláv­el que aparece toda terça-feira no jor­nal Fol­ha de São Paulo.

    Pryscila começou cedo sua car­reira pouco comum entre as mul­heres. Aos 14 anos já era char­gista de um jor­nal de Curiti­ba. Em 1996 ingres­sou na fac­ul­dade de Design da PUC-PR, con­cluin­do o cur­so em 1999.

    Gan­hou o primeiro lugar no Salão de Humor Uni­ver­sitário de Piraci­ca­ba, bem como nos dois anos seguintes. Em 1998 coor­de­nou a Bien­al de Humor do Mer­co­sul, com os prin­ci­pais nomes do humor grá­fi­co. Esta exposição itin­er­ante pas­sou pelas prin­ci­pais cidades do Brasil, Paraguai e Argenti­na. Na sequên­cia, ilus­trou as pági­nas da Gaze­ta do Povo, onde per­maneceu durante qua­tro anos. Atual­mente, torce para que os leitores não façam con­tas com datas citadas a fim de desco­brir sua idade, não rev­e­la­da nem com tor­tu­osas cóce­gas nos pés.

    Con­fi­ra abaixo a entre­vista com a car­tunista que com­ple­ta esse ano, duas décadas de carreira.

    Como e quan­do começou o seu envolvi­men­to com o desenho?

    Ten­ho uma história comum entre vários car­tunistas: desen­ho des­de cri­anc­in­ha. E con­tin­uo com idade men­tal de 10 anos. Só que eu desen­ha­va mel­hor aos dez anos… Eu acho. Meus famil­iares ado­ravam que eu desen­has­se quan­do cri­ança, porque assim fica­va “qui­eta”. Min­ha mãe olha­va para meus desen­hos e acha­va tudo lin­do. Meu pai ao con­trário, sem­pre acha­va um defeito. Por causa da min­ha mãe me acha­va o máx­i­mo, mas ia logo cair na real com a críti­ca con­tun­dente de meu pai.
    A par­tir do momen­to que quis seguir car­reira profis­sion­al, ficaram pre­ocu­pa­dos com meu futuro. Não tin­ham sequer ideia das infini­tas pos­si­bil­i­dades que um desen­hista pode optar ao lon­go de sua car­reira. Na ver­dade, nem eu tin­ha. Segui instintos.

    Gostaria que falasse um pouco do seu cotid­i­ano como car­tunista. Como fun­ciona o ”proces­so de cri­ação” das tir­in­has, ideias novas, inspiração,etc.

    Gos­to de saber sobre o com­por­ta­men­to humano. Faço isso com análise críti­ca e muitas vezes impiedosa. É dev­er do car­tunista ter um pon­to de vista difer­en­ci­a­do de qual­quer out­ra pes­soa e expressá-lo de maneira con­tun­dente, mas sutil. Difí­cil é encon­trar a dose exa­ta de impiedade e delicadeza.
    Já o tra­bal­ho de exe­cução não tem glam­our nen­hum. É a entre­ga de um pro­du­to todos os dias. Se eu ten­ho que man­dar uma tir­in­ha diária para um jor­nal até as seis da tarde, bas­ta pen­sar, desen­har e enviar. Não tem aque­la luz div­ina, não tem momen­to de inspi­ração, não tem estre­lin­has tilin­tan­do ao redor de quem cria.
    Faz­er tir­in­ha baseia-se em ter a per­son­al­i­dade de um amigu­in­ho imag­inário no seu con­t­role. A par­tir daí é só deitar por cin­co min­u­tos, fechar o tex­to e ir para o com­puta­dor. Às vezes esbar­ro na preguiça e fecho os olhos por mais umas horas. Mas juro que é sem querer.

    Na sua opinião, quais os prob­le­mas enfrenta­dos para pub­li­cação de quadrin­hos em Curitiba?

    Curiti­ba é um celeiro de novos tal­en­tos nos quadrin­hos, prin­ci­pal­mente os de humor. Mas mes­mo assim, ain­da é val­i­da a pre­mis­sa de que ‘san­to de casa não faz mila­gre’ então, deve-se pub­licar fora de Curiti­ba, para ser val­oriza­do em Curitiba.
    Mas os órgãos vitais de pro­dução cul­tur­al ain­da estão basea­d­os em São Paulo e no Rio de Janeiro. Qual­quer autor que queira pub­licar e faz­er suces­so deve avaliar a pos­si­bil­i­dade de pub­li­cação nesse eixo.
    Em 2011 Curiti­ba pas­sou a inve­stir mais nos quadrin­hos, orga­ni­zan­do um dos mel­hores even­tos da área, que foi a Gibi­con. Um suces­so! E em 2012 tem mais. Isso acabou um pouco com aque­la sen­sação de que a cidade pega­va carona no suces­so avali­a­do e garan­ti­do por ‘men­tores cul­tur­ais’ de SP e RJ. Temos novos tal­en­tos e com a Gibi­con, podemos projetá-los.

    O que você acha do repertório nacional de quadrinhos?

    Pos­so avaliar ape­nas os quadrin­hos de humor. E gos­to da pro­dução nacional deles. Só acho que os car­tunistas têm que fugir da for­ma enlata­da de desen­har. Para isso, devem procu­rar meios mais cria­tivos de exe­cução do desen­ho, que não seja ape­nas usar os mod­os bási­cos do Pho­to­shop. Acho que deve haver uma redescober­ta do tra­bal­ho grá­fi­co do car­tunista. Todos os desen­hos têm me pare­ci­do iguais. Com os adven­tos da inter­net, muitos procu­ram inspi­ração fácil, o que tor­na a pro­dução visual­mente repet­i­ti­va e entediante.
    Já os roteiros estão cada vez mel­hores, mais ágeis, talvez por con­ta tam­bém da inter­net e da dis­sem­i­nação do humor por pro­gra­mas de TV e pop­u­lar­iza­ção de shows stand up comedy. 

    Para você, qual a mar­ca do seu tra­bal­ho que a difer­en­cia de out­ros (as) car­tunistas?

    Acho que vem da cri­ação de um per­son­agem que deve man­ter um dis­cur­so uni­forme. O per­son­agem é inigualáv­el, úni­co. Eu cor­ro o risco de ter um dis­cur­so coin­ci­dente com out­ro profis­sion­al de humor, se não estiv­er anco­ra­da num per­son­agem. Se tiv­er, a pia­da pas­sa a ser dele e não mais de uso comum. O per­son­agem é que faz o car­tunista, não o contrário. 

    Quais as influên­cias (car­tunistas, quadrin­istas, char­gis­tas, etc) no seu tra­bal­ho? Tem admi­ração por algum profis­sion­al em especial?

    Gos­to da obra de muitos car­tunistas. Mas se for para ir para uma ilha deser­ta com um car­tunista (a obra!) seria o Ziral­do, dono do esti­lo de comu­ni­cação mais flu­i­do que con­heço. Fala com cri­ança, com adul­to, com idoso, com todo mun­do com a mes­ma maes­tria. Seus desen­hos estu­pen­dos são a per­son­ifi­cação de suas ideias fina­mente arquite­tadas com equi­líbrio cal­cu­la­do entre razão e a mais doce inteligên­cia emo­cional. Diz­er que Ziral­do é um car­tunista, um escritor, um artista… isso tudo seria lim­i­tar um dos maiores cri­adores de nos­so tem­po a um sim­ples desígnio do que insu­fi­cientes palavras alcançam. Amém. 

    Quan­do e como você começou a perce­ber a sua predileção pelo humor gráfico?

    É tão intrínseco ao meu ser, que sequer con­si­go pon­tu­ar o iní­cio. Talvez meu líqui­do amnióti­co ten­ha sido nanquim.

    Como surgiu a ideia de cri­ar a tir­in­ha Ame­ly? Fale um pouco da personagem.

    Ame­ly é uma boneca infláv­el que foi bati­za­da sob esta graça por con­ta do sam­ba de Mário Lago inti­t­u­la­do “Ai que saudades da Amélia”. A tal Amélia deix­a­va saudades por ser uma mul­her de ver­dade, ou seja, um exem­p­lo de res­ig­nação fem­i­ni­na. Só que Ame­ly destrói o mito de que a “mul­her de ver­dade” deve se anu­lar em prol do seu par­ceiro. Ame­ly chega por encomen­da à casa de seu com­prador com dois grandes e irre­ver­síveis “defeitos de fab­ri­cação” segun­do o pub­li­co mas­culi­no: o primeiro é que ela pen­sa. O segun­do defeito é que ela fala… e muito!Isto a transpõe do pata­mar de “mul­her infláv­el” para o de “mul­her infalível”.

    Ame­ly tor­na-se “a mul­her de ver­dade”. Adquire von­tade, ini­cia­ti­va e inde­pendên­cia ape­sar de seus “pro­pri­etários” não esper­arem nada dela além do que um obje­to sex­u­al pro­por­ciona. Os quadrin­hos da Ame­ly tratam dos sen­ti­men­tos e pen­sa­men­tos de alguém que não esper­amos que os ten­ha, muito menos que os expresse tão vee­mente­mente. Infe­liz­mente no mun­do machista que vive­mos, algu­mas mul­heres ain­da se deparam com situ­ações semel­hantes na sociedade e no mer­ca­do de trabalho.

    Além de Ame­ly, ain­da há out­ro per­son­agem nas tir­in­has, que inter­pre­ta o com­prador da boneca. Ele resolve adquirir uma mul­her infláv­el exata­mente porque desis­tiu de ten­tar com­preen­der as mul­heres de ver­dade. O com­prador tem a esper­ança de que Ame­ly será uma mul­her per­fei­ta, vis­to que não tem von­tade própria, logo não ten­tará jul­gá-lo. E tudo isso por um preço módi­co! Mas a solução per­fei­ta para sua crise dura pouco. Para seu deses­pero, Ame­ly recusa-se a ser um mero obje­to sex­u­al. Ela quer ser seduzi­da, quer pre­lim­inares, atenção, amor e car­in­ho como toda mul­her, afi­nal ela é uma mul­her de verdade.

    Ame­ly foi cri­a­da despre­ten­siosa­mente no natal de 2005, para ser pub­li­ca­da ape­nas no site de sua cri­ado­ra, a Pryscila. Mas a tal boneca agradou tan­to que começou a rece­ber con­vites, foi sele­ciona­da em con­cur­sos de humor grá­fi­co (Salão Car­i­o­ca, con­cur­so da Fol­ha de São Paulo) e hoje tam­bém é pub­li­ca­da diari­a­mente na maior rede de jor­nais do plan­e­ta, o grupo Metro Inter­na­cional. Tam­bém foi con­vi­da­da para várias exposições de quadrin­hos no mun­do todo (Peru, Espan­ha, Gré­cia, Colôm­bia) que tratam do uni­ver­so fem­i­ni­no e da luta pelos dire­itos iguais da mul­her, emb­o­ra Ame­ly defen­da exata­mente o con­trário: os dire­itos desiguais da mulher.

    Para quem está começan­do ago­ra a se envolver com o desen­ho, qual a dica que você daria?

    O primeiro con­sel­ho é: não dar con­sel­hos. Mas se for para sug­erir algo gener­i­ca­mente útil, acon­sel­ho que tra­bal­hem a estru­tu­ra bási­ca. Que leiam MUITO, que incansavel­mente aper­feiçoem-se na redação, no tex­to, no con­tex­to e que se esmerem na arte do desen­ho. Isso tudo nun­ca é demais. E quan­do sen­tir que o tra­bal­ho está com ess­es que­si­tos em equi­líbrio, exis­tem infini­tas pos­si­bil­i­dades de pro­jetá-lo. A inter­net é uma delas. Con­cur­sos de humor grá­fi­co, out­ra. Mas aí, o des­ti­no é uma fol­ha em bran­co que vai ser rabis­ca­da ou desen­ha­da com litros de nan­quim e suor.

  • Gibicon: Abertura da exposição ¨A Evolução em Imagens — desenhos de Jens Harder¨, em Curitiba

    Gibicon: Abertura da exposição ¨A Evolução em Imagens — desenhos de Jens Harder¨, em Curitiba

    Essa sem­ana — mais especi­fi­ca­mente na sex­ta-feira, dia 15 — começa o even­to de três dias, e em vários espaços da cap­i­tal Paranaense, denom­i­na­do Gibi­con — Con­venção Inter­na­cional de Quadrin­hos de Curiti­ba. O even­to pre­tende dar con­ta de dis­cu­tir o panora­ma atu­al dos quadrin­hos e con­ta com algu­mas ativi­dades prévias do even­to. No dia 14, acon­tece a aber­tu­ra da exposição A Evolução em Ima­gens, do ilustrador alemão Jens Hard­er con­tan­do, inclu­sive, com sua presença.

    O jovem quadrin­ista e ilustrador alemão fun­dou com alguns ami­gos o Mono­gatari, um grupo berli­nense de HQs. O esti­lo de Jens Hard­er fler­ta com o jor­nal­is­mo, design grá­fi­co, ani­mação e out­ros gêneros de ilus­tração. Segun­do o próprio, essa é mes­mo a intenção da nova safra de quadrin­hos europeus que bus­ca novas for­mas de nar­ra­ti­vas entre as ima­gens e a palavra.

    Aber­tu­ra da Exposição A Evolução em Ima­gens — Desen­hos de Jens Harder
    Às 18hs
    Local: Goethe Insti­tute — Curiti­ba — PR
    Rua Reinaldino S. de Quadros, 33, Alto da XV

  • Gibicon 2011, em Curitiba

    Gibicon 2011, em Curitiba

    De 15 a 17 de jul­ho de 2011, Curiti­ba será o des­ti­no dos fãs de quadrin­hos, HQs, Graph­ic Nov­els, Gibis ou como preferir chamar. Ness­es dias acon­te­cerá a Gibi­con — Con­venção Inter­na­cional de Quadrin­hos de Curiti­ba, com real­iza­ção da Prefeitu­ra de Curiti­ba, Quadrin­hofil­ia e ZnorT! ilustradores.

    A cap­i­tal paranaense além de con­tar com um óti­mo número de bons quadrin­istas e ilustradores de renome, tam­bém sem­pre esteve no cir­cuito de lança­men­tos de esti­lo. Con­tan­do com a primeira gib­ite­ca do Brasil, a cidade resolveu realizar o even­to com três dias rec­hea­d­os de atrações nacionais e inter­na­cionais, além de ofic­i­nas e muitas ativi­dades voltadas aos fãs de quadrin­hos. Segun­do os real­izadores, o even­to é inti­t­u­la­do de número zero por ser jus­ta­mente um aque­c­i­men­to ao próx­i­mo que será em comem­o­ração aos 30 anos da Gib­ite­ca.

    Mas como diz o tex­to de intro­dução do site, não se enganem achan­do que a Gibi­con desse ano será menor, con­tan­do com nomes como Lourenço Mutarel­li, os gêmeos Fábio e Gabriel Bá, o curitibano Sol­da e mais uma trupe de peso, o even­to prom­ete ser extrema­mente inter­es­sante e inten­so durante os três dias.

    A Gibi­con acon­tece em vários lugares da cidade e vai ser gra­tu­ito, para se inscr­ev­er somente é necessário a doação de um gibi ou livro sobre o assun­to. Con­fi­ra maiores infor­mações no site do even­to e acom­pan­he a cober­turas de algu­mas ativi­dades aqui, no inter­ro­gAção!

  • Crítica: Padre

    Crítica: Padre

    crítica padreBasea­do na famosa HQ core­ana de mes­mo nome, Padre (Priest, USA, 2011), dirigi­do por Scott Charles Stew­art, é mais uma das várias adap­tações de Histórias em Quadrin­hos feitas pelo cin­e­ma amer­i­cano. Pos­suin­do belos efeitos espe­ci­ais para rep­re­sen­tar a já vel­ha luta entre home­ns e vam­piros, temos um filme visual­mente atraente, mas nar­ra­ti­va­mente e cine­tografi­ca­mente pobres.

    Em um mun­do pós-apoc­alíp­ti­co, onde des­de o começo dos tem­pos há guer­ras entre home­ns e vam­piros — que nes­ta ver­são são seres cin­zas e sem olhos- os humanos tin­ham pou­cas chances de vencer esta luta até sur­girem os Padres, exímios exter­mi­nadores de vam­piros. Tem­pos depois, quan­do se acred­i­ta­va que não havia mais peri­go, uma família é suposta­mente ata­ca­da por vam­piros e a sua fil­ha, Lucy (Lily Collins), rap­ta­da. Seu tio, um Padre (Paul Bet­tany), ten­ta aler­tar seus supe­ri­ores des­ta ameaça e vai atrás de vin­gança jun­to com Hicks (Cam Gigan­det), par român­ti­co de Lucy.

    É inegáv­el que o cin­e­ma e as HQs estão estre­i­tan­do seus laços cada vez mais, onde um aca­ba ali­men­tan­do o uni­ver­so do out­ro que, em segui­da, aca­ba servin­do de ali­men­to para o primeiro, um ver­dadeiro ciclo de retro-ali­men­tação. Isto não é nen­hu­ma novi­dade, Osamu Tezu­ka — cri­ador do Astro Boy, Speed Rac­er, … — inovou os mangás na sua época, quan­do inseriu nar­ra­ti­vas mais cin­e­matográ­fi­cas em seu tra­bal­ho, que mais tarde acabaram influ­en­cian­do muitas obras do cin­e­ma. Quan­do uma obra é adap­ta­da para um out­ro meio, é dese­jáv­el que se explore as novas pos­si­bil­i­dades deste e não que sim­ples­mente se faça uma trans­posição de um para o out­ro. Infe­liz­mente, é jus­ta­mente neste pon­to que Padre não soube explorar.

    Antes que você comece a se per­gun­tar, já vou respon­der: não, não sou daque­les chatos que fica procu­ran­do tudo que tem em uma HQ no filme e, neste caso em par­tic­u­lar, até nem teria como faz­er isto pois ain­da não tive ain­da a opor­tu­nidade de ler a obra. Muitas cenas do Padre, havi­am ele­men­tos que pare­ci­am ser niti­da­mente trans­pos­tos de um desen­ho, mas que não fun­cionavam efe­ti­va­mente nas telas, só se a imagem fos­se estáti­ca. A trans­fo­mação na mudança de expressão e gestos dos atores, tril­ha sono­ra, movi­men­tação da câmera de um pon­to ao out­ro, … todos ess­es ele­men­tos impor­tantes para a lin­guagem cin­e­matográ­fi­ca pare­cem não ter tido tan­ta importân­cia quan­to o de ter cenas “fiéis” aos quadrin­hos. Me per­gun­to, de que adi­anta você ver uma cena muito bem pro­duzi­da visual­mente se o ator tem expressão de peixe e movi­men­tos mecânicos?

    Os momen­tos de cli­max das cenas de ação em Padre ficaram sim­ples­mente fra­cos, dev­i­do a fal­ta da uti­liza­ção mais elab­o­ra­da destes ele­men­tos, ficou difí­cil haver aque­le envolvi­men­to com ten­são e emoções que o cin­e­ma per­mite. O roteiro fra­co cer­ta­mente aju­dou neste que­si­to tam­bém, não que seja necessário muitas expli­cações em uma tra­ma de padres matan­do vam­piros, mas um pouco mais de desen­volvi­men­to teria feito grande diferença.

    Padre provavel­mente é daque­las obras que por enquan­to — uma sequên­cia é deix­a­do em aber­to no final — deve fun­cionar mais como HQ do que como filme. Aliás, fiquei bem curioso de ler ela, aqui no Brasil foi pub­li­ca­da pela Lumus Edi­to­ra.

    Out­ras críti­cas interessantes:

    Trail­er Legendado:

    httpv://www.youtube.com/watch?v=_nOxYl80FDA

  • Lançamento ¨Caderno Listrado¨ na Itiban Comic Shop, em Curitiba

    Lançamento ¨Caderno Listrado¨ na Itiban Comic Shop, em Curitiba

    Neste sába­do, dia 11/06, às 16hs, na Itiban Com­ic Shop, a edi­to­ra Cader­no Listra­do estará lançan­do sua nova edição de sketch­books . O edi­tor e encader­na­do Daniel Bar­bosa con­vi­dou três quadrin­istas para pro­duzirem a arte dos sketch­books: Fábio Lyra (RJ), Samuel Casal (SC) e Rafael Sica (RS).

    A Itiban vai abrir espaço para bate-papo com os artis­tas e sessão de autó­grafos. Os cader­nos poderão ser com­pra­dos lá mes­mo e cus­tarão R$52,00 cada.

    Lança­men­to Cader­no Listrado
    Dia 11 de junho
    Local: Itiban Com­ic Shop — Av. Sil­va Jardim, 845 — Curiti­ba, Paraná
    16h

  • Dica de leitura: Macanudo

    Dica de leitura: Macanudo

    Macanudo, em espan­hol: extra­ordinário, exce­lente, estu­pen­do, magnífico.

    E é essa palavra que é usa­da para o títu­lo da coleção de tir­in­has do car­tunista argenti­no Lin­iers, ou mel­hor, Ricar­do Siri Lin­iers, nasci­do em Buenos Aires, que quan­do cur­sou pub­li­ci­dade perce­beu que o que mais gosta(va) de faz­er é desenhar.

    Dono de um traço encan­ta­dor, é difí­cil diz­er qual per­son­agem é o mais inter­es­sante, porque todos trazem um pouco da questão do exis­ten­cial­is­mo e quase sem­pre faz refer­ên­cia a out­ros artis­tas. Nada mel­hor que palavras de uma car­tunista para explicar mel­hor quem é Lin­iers:

    foto por Juliana via Flickr

    Qual­quer um pode desen­har um gato, qual­quer um pode desen­har uma garo­ta ou um homem com chapéu, mas não é qual­quer um que pode faz­er com que esse gato, essa garo­ta ou esse homem com chapéu sejam difer­entes de todos os que tivésse­mos vis­to ante­ri­or­mente e passem a faz­er parte do mun­do como se os conhecêssemos.
    Lin­iers desen­ha per­son­agens, e seus per­son­agens são extra­ordinários. E os desen­ha tão bem que são todos lin­dos, até os feios são tão per­feita­mente feios que são belos. Solitários, com uma inocên­cia pop à vezes meio per­ver­sa, movem-se com elegân­cia entre a tris­teza e o assom­bro, como atores anôn­i­mos de pequenos filmes B caseiros.
    Lápis, nan­quim e aquarela se unem habil­mente com a poe­sia e o absur­do em um mun­do cheio de sur­pre­sas. Qual­quer coisa pode acon­te­cer em Macanudo. Suas histórias caem no humor inocente com a pureza de quem des­fru­ta das coisas mais bobas da vida.
    Lin­iers desen­ha um mun­do duro com abso­lu­ta del­i­cadeza. Uma ale­gria melancóli­ca que con­trasta com a feli­ci­dade boba. Seu tra­bal­ho é belo e diver­tido. E ele é um rapaz macanudo.”
    (Mait­e­na in: Macanudo n. 1 / por Lin­iers. Camp­inas, SP: Zara­batana Books, 2008.)

    Quem quis­er con­hecer um pouco mais desse car­tunista, pode vis­i­tar seu site ou espi­ar a Ilustra­da do jor­nal Fol­ha de S. Paulo, de segun­da a sexta.

    Aqui no Brasil suas tir­in­has são pub­li­cadas pela Zara­batana, e infe­liz­mente só tem pub­li­ca­do até o vol­ume 3. Infe­liz­mente, porque na Argenti­na as tir­in­has estão no 8º volume.

  • Ar Condicionado

    Ar Condicionado

    Ar Condicionado

    O inter­ro­gAção tem per­mis­são exclu­si­va do autor, Stu­art McMillen, para traduzir as suas HQs.