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  • Felicidade (1998), de Todd Solondz

    Felicidade (1998), de Todd Solondz

    Felicidade (1998), de Todd SolondzO que você pre­cisa para ser feliz? Quan­do con­seguir aqui­lo que dese­ja, isso lhe fará real­mente feliz? Talvez a per­gun­ta mais desafi­ado­ra seja a mais bási­ca: o que é feli­ci­dade? Todas essas per­gun­tas são, de algu­ma for­ma, feitas em Feli­ci­dade (Hap­pi­ness, USA, 1998), do dire­tor Todd Solondz. Mas, este não é nen­hum filme moti­va­cional de auto-aju­da, muito pelo con­trário, é uma críti­ca áci­da, cheia de humor negro, sobre pes­soas que de feliz, nada tem.

    Feli­ci­dade não faz car­in­ha do gat­in­ho do Shrek para ninguém. Há per­son­agens que vão des­de aque­le em trata­men­to psi­cológi­co por suas obsessões sex­u­ais, pas­san­do pelo próprio psicól­o­go em si, uma cri­ança desco­brindo a sex­u­al­i­dade, á família per­fei­ta amer­i­cana, todos são abor­da­dos com um humor áci­do, cheio de iro­nias, para descar­car até a últi­ma cama­da das aparên­cias super­fi­ci­ais de cada um.

    Temas como vio­lên­cia, assas­si­na­to, sexo, ped­ofil­ia, estupro, mas­tur­bação, iso­la­men­to, ter­apia e remé­dios são ape­nas pon­tos de par­ti­da para explo­rar o vas­to ques­tion­a­men­to deste esta­do de espíri­to pecu­liar alme­ja­do por muitos. O inter­es­sante em Feli­ci­dade é que, ao mes­mo tem­po que estes per­son­agens bus­cam ser felizes a qual­quer cus­to, tam­bém vivem repelin­do ela, sutil­mente e das mais vari­adas maneiras.

    Feli­ci­dade é um ver­dadeiro soco no estô­ma­go não só na hipocrisia da vida feliz que muitos dizem ter, mas tam­bém um mer­gul­ho na bus­ca do que é real­mente ser feliz. Como a músi­ca Hap­pi­ness, escri­ta por Eytan Mirsky e toca­da por Michael Stipe e Rain Phoenix, da própria tril­ha sono­ra do filme diz: Feli­ci­dade, onde está você? Eu pro­curei tan­to por você. ( Hap­pi­ness, where are you? I’ve searched so long for you. )

    Trail­er (infe­liz­mente não encon­trei legendado):

    httpv://www.youtube.com/watch?v=FkQ_JxoWUP8

  • Crítica: A Suprema Felicidade

    Crítica: A Suprema Felicidade

    crítica a suprema felicidade

    A Supre­ma Feli­ci­dade (Brasil, 2010) é o novo lon­ga de Arnal­do Jabor, depois do dire­tor ter fica­do quase 25 anos sem ter pro­duzi­do nen­hu­ma obra cin­e­matográ­fi­ca. Sendo este um de seus tra­bal­hos mais biográ­fi­cos, somos con­duzi­dos a uma avalanche de memórias dos anos 50, 60 e 70.

    O enre­do foca-se prin­ci­pal­mente na tra­jetória de Paulo, des­de sua infân­cia (Caio Man­hente), pas­san­do pela pré-ado­lescên­cia (Michel Joel­sas), até o final dela (Jayme Mataraz­zo). Além dis­so é desta­ca­do o desen­volvi­men­to da relação de seus pais (Dan Stul­bach e Mar­i­ana Lima) durante todo esse tem­po, como tam­bém, com destaque espe­cial, ao seu avô Noel (Mar­co Nanini).

    Soou meio vaga, con­fusa e sem muito foco a descrição aci­ma? Pois são jus­ta­mente essas três palavras que mel­hor car­ac­ter­i­zam A Supre­ma Feli­ci­dade. Se pen­sa­do como um grande apan­hado de memórias con­tadas na ordem que elas vem surgin­do, fazen­do só muito sen­ti­do para quem con­ta, o lon­ga cumpre muito bem o seu papel. Só que para os olhos, e ouvi­dos, dos out­ros, a exper­iên­cia pode não ser tão agradáv­el e praze­rosa como para quem a está con­tan­do, o que lit­eral­mente acon­tece neste longa.

    A per­gun­ta que não quer calar o tem­po inteiro é: a supre­ma feli­ci­dade para quem? No lon­ga há o desen­volvi­men­to (super­fi­cial) da tra­jetória dos seus per­son­agens ao lon­go dos anos, cada um, é claro, pos­suin­do seu próprio con­ceito de feli­ci­dade. Mas este parece ser sem­pre o mes­mo e que podem ser divi­di­dos em prati­ca­mente (com uma peque­na exceção) duas cat­e­go­rias: a fem­i­ni­na, que quer achar o mari­do ide­al para casar e para isso abdi­ca de muitas coisas da sua vida, e mas­culi­no, que quer achar a mul­her ide­al para casar e cur­tir a vida fora de casa. A feli­ci­dade já vem acom­pan­ha­da de seus pesos e, de cer­ta for­ma, um des­ti­no já fixo para cada um dess­es per­son­agens, que vai pas­san­do de pai para fil­ho, como um kar­ma inevitáv­el. Cer­tos momen­tos em A Supre­ma Feli­ci­dade, temos a impressão de que os três per­son­agens mas­culi­nos prin­ci­pais, da mes­ma família, são a mes­ma pes­soa, só que nasci­dos em épocas difer­entes e com­par­til­han­do o mes­mo presente.

    A car­ac­ter­i­za­ção de época em A Supre­ma Feli­ci­dade foi muito bem tra­bal­ha­da e, ape­sar de ser uma visão bas­tante nos­tál­gi­ca da época, é o maior méri­to do filme. Ape­sar da super­fi­cial­i­dade ger­al dos per­son­agens, as atu­ações em ger­al ficaram bem con­vin­centes, tiran­do as sofríveis tomadas do Nani­ni “tocan­do” o trompete, desta­can­do-se o pequeno papel de pipo­queiro, vivi­do pelo ator João Miguel, com suas piadas de dup­lo sentido.

    É muito difí­cil con­seguir sin­te­ti­zar A Supre­ma Feli­ci­dade, prin­ci­pal­mente para alguém como eu que não acom­pan­hou a tra­jetória do dire­tor. Como um con­jun­to de memórias nos­tál­gi­cas, e com mui­ta lig­ação sen­ti­men­tal, trans­feri­dos para a tela dos cin­e­mas, pare­ceu uma exper­iên­cia vál­i­da. Já para quem não se sente atraí­do pelas obras do dire­tor, que geral­mente é um caso de amor ou ódio, provavel­mente não mudará de opinião des­ta vez também.

    Out­ras críti­cas interessantes:

    Trail­er:

    httpv://www.youtube.com/watch?v=jrJsoBRtCfo