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  • Café Literário: As múltiplas faces da narrativa

    Café Literário: As múltiplas faces da narrativa

    Deixe-me ver quais de mim vou usar hoje… (Elvi­ra Vigna)

    A nar­ra­ti­va é sim­ples­mente um dos meios de um escritor colo­car no papel todo o vas­to mun­do em que os seus eus vivem. E segun­do eles próprios, o ato de escr­ev­er é lidar com obsessões, deslo­ca­men­to e a neces­si­dade extrema de expressão. Essas afir­mações, feitas pelos escritores Elvi­ra Vigna, Max Mall­man e Menal­ton Braff, na mesa As múlti­plas faces da nar­ra­ti­va, na Bien­al do Livro Rio 2011, per­me­ar­am as opiniões de três fic­cionistas bem difer­entes entre si.

    Um dos aspec­tos mais inter­es­santes é que com a respos­ta de cada escritor, alguns assun­tos se desen­volver­am com várias fac­etas. Para, o tam­bém roteirista, Max Mall­mann, escr­ev­er é deslo­car-se para muitos lugares e se colo­car naque­las situ­ações. Já Menal­ton encara a escri­ta como uma expressão con­tínua do que sente e vê, sua própria ver­bor­ra­gia. E Elvi­ra Vigna luta com suas obsessões quan­do escreve, inclu­sive, aque­las não tão pos­síveis no real como a neces­si­dade de sem­pre matar alguém em suas ficções.

    Obser­van­do as três respostas dadas, se percebe que lidar com os per­son­agens diari­a­mente é quase uma pre­mis­sa para um escritor. Mes­mo que na hora da escri­ta todos eles mudem de nome e posição, per­manecem refletindo um lugar do real, talvez um dos pon­tos que per­mitem a cri­ação de laços entre leitor e a palavra den­tro da ficção. Elvi­ra Vigna admite que não inven­ta abso­lu­ta­mente nada nos seus livros pois não tem imag­i­nação para cri­ar, afir­man­do que todas aque­las pes­soas e vivên­cias estão aqui fora. Afi­nal, nada mais fic­cional que a vida real.

    A per­gun­ta, até aparente­mente clichê, de onde ficam os lim­ites entre escritor e ficção é respon­di­da de ime­di­a­to: O autor é aque­le que escol­he qual ou quais dele próprio irão parar em deter­mi­na­da obra, como se fos­sem peças de ves­tuário para cada situ­ação. Cabe ao escritor a liber­dade de cri­ar, recri­ar, imag­i­nar e enfim, enx­er­gar a vas­ta real­i­dade fornece­do­ra de ficção.

    Elvi­ra Vigna diz que há muito glam­our em torno da roti­na do escritor. Deixa claro que odeia roti­na e por isso mes­mo não escreve todos os dias, mes­mo que con­vi­va diari­a­mente com os per­son­agens das suas ficções. Já Max, que é roteirista de tele­visão, e Menal­ton dizem que sen­tem a neces­si­dade de escr­ev­er todos os dias, mas tam­bém acred­i­tam que cada escritor tem seu próprio tem­po. Alguns escritores garan­tem que pos­suem sua própria roti­na como o amer­i­cano Philip Roth e Luiz Ruffa­to, que já declar­ou isso em entre­vista para o inter­ro­gAção.

    Mes­mo que as roti­nas sejam dis­tin­tas, em um pon­to os três escritores con­cor­dam: escr­ev­er é trans­gredir. E para se ir além não há muitas regras, inclu­sive, Elvi­ra faz menção a um tex­to do escritor norte-amer­i­cano Kurt Von­negut que ele fala sobre a importân­cia de se escr­ev­er e de como ofic­i­nas de pro­dução literária não são milagrosas.

    Há um cer­to glam­our míti­co em saber as for­mas que um autor dá vida aos seus livros e per­son­agens, mas o mais bacana mes­mo é saber que cada um tem os seus méto­dos tão par­tic­u­lares entre si. A nar­ra­ti­va é uma for­ma tão par­tic­u­lar que sem dúvi­da nen­hu­ma tem várias faces, e claro, refleti­das, de uma for­ma ou out­ra, pela face de seus autores.

    Ouça a palestra com­ple­ta: (clique no link abaixo para ouvir ou faça o down­load)

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  • O Futuro do Livro: Elvira Vigna

    O Futuro do Livro: Elvira Vigna

    A dis­cussão em torno dos dire­itos autorais vem gan­han­do um destaque impor­tante nas mídias e, inclu­sive, nos meios políti­cos, como vem acon­te­cen­do na dis­cussão da reti­ra­da do selo Cre­ative Com­mons no site do Min­istério da Cul­tura (lei mais sobre aqui). Pen­san­do na polêmi­ca sobre o futuro do livro, é impor­tante saber como um escritor, profis­sion­al que vive das palavras em um país em que os índices de leitu­ra são baixís­si­mos, vê todo esse alarde sobre o fim do livro impresso.

    As for­mas de encar­ar essas pre­visões podem vari­ar bas­tante, há quem pule da ponte sem antes nem pen­sar, e há os otimis­tas, pron­tos para qual­quer nova empre­ita­da. Essa segun­da visão é o caso da escrito­ra Elvi­ra Vigna, que além de romancista tra­bal­ha com tradução e arte.

    Elvi­ra cedeu essa breve entre­vista na Bien­al do livro Paraná 2010 , no dia a escrito­ra par­ticipou do Café Literário, pro­movi­do no even­to, jun­ta­mente com o escritor Luiz Ruffa­to. O assun­to da mesa era Lit­er­atu­ra: um ato de resistên­cia? Nesse momen­to a auto­ra afir­mou que acred­i­ta que a Inter­net é hoje o mel­hor meio de fomen­tar e incen­ti­var a Cri­ação Literária, prin­ci­pal­mente pela cria­tivi­dade que ela per­mite ao escritor a ousar no esti­lo e cita, inclu­sive, os 140 car­ac­teres do Twit­ter como uma dessas novas téc­ni­cas de criação.

    Um dos pon­tos mais inter­es­santes na fala de Elvi­ra é a afir­mação que a Inter­net não atra­pal­ha e nem vai destru­ir o livro impres­so, pelo con­trário, ela vê a web como um canal de divul­gação impor­tan­tís­si­mo do mes­mo. E ain­da, pede para que os artis­tas não se assustem com as novas for­mas de se encar­ar a auto­ria, com as licenças livres, e que sim, apren­dam a lidar com isso a seu favor.

    Elvi­ra, fale um pouco mais sobre a sua ideia de inter­net, de que for­ma isso se comu­ni­ca com a lit­er­atu­ra? Mui­ta gente acha que a inter­net vai matar o livro, que ela está embur­recen­do as pes­soas. Inclu­sive, há um escritor chama­do Steven John­son que escreve sobre a inter­net e os videogames estarem crian­do um novo tipo de inteligên­cia. Mas ain­da e há mui­ta gente que ain­da pre­cisa do livro físico…
    Elvi­ra: Uma coisa que se vê muito é a inter­net, ain­da sob o pon­to de vista cap­i­tal­ista, como um canal de ven­da de livro. Então você fala: ¨Não, aju­da a lit­er­atu­ra porque é um canal de ven­da e de dis­tribuição. Ao invés de você dis­tribuir o papel, man­da o arqui­vo para a pes­soa imprim­ir lá”. Aí tem vários exem­p­los, como a bib­liote­ca do Google e a Ama­zon, que é a maior vende­do­ra de livros e não sei o quê. O meu pon­to não é esse, o meu pon­to é que a inter­net, por revi­talizar uma maneira de resig­nifi­cação, que é através da palavra, é absur­da­mente rev­olu­cionária. Não porque ela ain­da tá venden­do livro, que isso ain­da é uma função do pon­to de vista cap­i­tal­ista, de quem ain­da tá pen­san­do na ven­da tradi­cional. Tan­to faz se você está venden­do o arqui­vo eletrôni­co ou em papel, você está venden­do. O meu pon­to de vista é que a inter­net está for­man­do uma maneira de ver o mun­do abso­lu­ta­mente nova e isso para mim é mar­avil­hoso. Que bom que eu estou viven­do nes­sa época!

    Isso lem­bra muito a dis­cussão de pirataria, o que você acha dis­so na Internet?
    Elvi­ra: Como eu já te disse, eu ten­ho uma for­mação em Arte. Se você pega a História da Arte, você vai ver que a função estéti­ca nem sem­pre foi remu­ner­a­da, nem sem­pre foi val­oriza­da como uma coisa sep­a­ra­da. Então se você fazia cerâmi­ca, uma boni­ta cerâmi­ca ou de uma for­ma boni­ta, como um tatu boni­to de cerâmi­ca, você era um bom ceramista, você não era um artista porque você sabia faz­er um tatu, você só era um bom ceramista. Então, na história da humanidade você vai pegar épocas, e épocas lon­gas, em que a função do cri­ador não esta­va nec­es­sari­a­mente desvin­cu­la­da de uma utilidade.

    Então eu acho assim, que hoje a nar­ra­ti­va pode estar voltan­do para uma neces­si­dade de ¨con­tar¨, que pode ser inclu­sive oral. Porque quan­do eu falo que a inter­net é um instru­men­to de lit­er­atu­ra, eu não estou nec­es­sari­a­mente falan­do só da escri­ta, pode ser a oral tam­bém. Oral nesse sen­ti­do: de você trans­mi­tir ao out­ro uma nar­ra­ti­va, uma história, que é uma maneira de você dar sig­nifi­ca­do ao mun­do. Então, não nec­es­sari­a­mente, o cara que inven­ta pre­cisa ser remu­ner­a­do por isso dire­ta­mente, pode ser indi­re­ta­mente. Eu acho que está mudan­do. O que que vai acon­te­cer? Eu não sei, se eu soubesse esta­va rica, não sei. A gente pre­cisa ficar aber­to, porque a defe­sa incondi­cional do copy­right, hoje, me parece deslocada.

    Falan­do nis­so, você con­hece as licenças Copy­left e Cre­ative Com­mons?
    Pois é, tem maneiras de você flex­i­bi­lizar isso, porque eu acho que a função exclu­si­va do artista é uma coisa que pode estar mudan­do. Já foi assim antes, a gente não pre­cisa mor­rer de susto.

    Você usa algu­ma dessas licenças?
    Elvi­ra: No meu site, todos os livros que não estão mais em cat­a­l­o­go estão disponíveis. Você entra lá, você baixa, você curte, se quis­er gan­har din­heiro com isso tem que me pedir licença e se não for gan­har din­heiro com isso, aprovei­ta a vontade!

    Links inter­es­santes:

  • Resumo da Bienal do Livro Paraná 2010

    Resumo da Bienal do Livro Paraná 2010

    A for­mação de leitores é tema con­stante nas dis­cussões sobre as for­mas de mel­ho­rar a edu­cação no país. A média de livros lidos pelo brasileiro é de dois vol­umes por habi­tante, um número extrema­mente baixo se com­para­do com país­es europeus e out­ros país­es con­sid­er­a­dos desen­volvi­dos. Com isso se tem pro­lif­er­a­do, em razoáv­el escala, o número de feiras, jor­nadas e bien­ais literárias pelo país. Não difer­ente, em out­ubro desse ano acon­te­ceu a primeira Bien­al do Livro Paraná 2010, em Curiti­ba, con­tan­do com 10 dias de pro­gra­mação cul­tur­al para fomen­tar o setor e, prin­ci­pal­mente, aprox­i­mar os vis­i­tantes do uni­ver­so da literatura.

    Pen­san­do nis­so, as atrações foram muitas e ten­taram abranger as mais diver­sas dis­cussões em torno do livro e da lit­er­atu­ra com temas volta­dos a con­tem­po­ranei­dade e as exper­iên­cias do leitor. Alguns destaques foi o Café Literário, que com a curado­ria de João Pereira, do jor­nal Ras­cun­ho, trouxe autores con­tem­porâ­neos dis­cutin­do temas per­ti­nentes não só aos escritores, mas tam­bém aos leitores, os aprox­i­man­do da lit­er­atu­ra como obje­to de estu­do e dis­cussão. O Even­to Nobre trouxe, no sex­to dia da Bien­al do Livro Paraná 2010, o escritor Rubem Alves defend­en­do uma edu­cação pelos sen­ti­dos e, no últi­mo dia, acon­te­ceu uma bela hom­e­nagem ao críti­co Wil­son Mar­tins. Já os debates mais ide­ológi­cos acon­te­ce­r­am no Espaço Livre, que no últi­mo dia deba­teu a liber­dade de impren­sa com Marce­lo Madureira e o pro­mo­tor Rodri­go Chemin. Além dis­so, a qual­i­dade na pro­dução artís­ti­ca para as cri­anças e jovens foi tema em dois dias do Fórum de Debates. Ain­da, o Ter­ritório Jovem, no déci­mo dia de Bien­al, dis­cu­tiu o mun­do da meni­na, um dos temas mais pre­sentes na lit­er­atu­ra infan­to-juve­nil atual.

    Um dos pon­tos fra­cos da Bien­al do Livro Paraná 2010 foi a fal­ta de pre­sença das grandes edi­toras de vários seg­men­tos literários, sendo que muitas daque­las anun­ci­adas estavam somente pre­sentes em estantes na for­ma de pro­du­to e não com uma rep­re­sen­tação ofi­cial, o que era de fato real­mente esper­a­do pelos vis­i­tantes. Dev­i­do a forte pre­sença de sebos e livrarias de pon­ta de estoque, a sen­sação era mais de se estar em uma feira de livros. Além dis­so, muitos leitores que bus­cav­am descon­tos e difer­en­ci­ações de com­pras, além de pro­du­tos mais inédi­tos, se decep­cionaram com preços iguais com os encon­tra­dos fora dele e com a mes­ma ofer­ta de opções, o que deses­tim­u­lou o dese­jo de com­pra em ger­al. Será que ain­da não foi perce­bido que se hou­ver um descon­to espe­cial, por ser uma Bien­al, have­ria um aumen­to sig­ni­fica­ti­vo nas vendas?

    Há uma importân­cia muito grande em apoiar, como vis­i­tantes, colab­o­radores, divul­gadores e etc, even­tos como a Bien­al do Livro Paraná 2010 sim­ples­mente pelo fato de ser em prol da mul­ti­pli­cação de val­ores cul­tur­ais em um país que vive, e é for­ma­do, pela mul­ti­cul­tur­al­i­dade. Pois a lit­er­atu­ra é uma das fer­ra­men­tas mais impor­tantes para a for­mação de cidada­nia e do faz­er-se ser humano.

    Quem teve a opor­tu­nidade de par­tic­i­par dos bate-papos e dis­cussões da Bien­al do Livro Paraná 2010 difi­cil­mente se sen­tiu de algu­ma for­ma arrepen­di­do, pois havi­am muitas opções de óti­ma qual­i­dade. Mas, infe­liz­mente, para muitos que foram em bus­ca de preços mais baratos e diver­si­dade nas escol­has, saíram de mãos vazias e o dese­jo não saci­a­do de adquirir algu­mas obras.

    Out­ras opiniões de quem tam­bém participou:

  • Café Literário: Elvira Vigna e Luiz Ruffato

    Café Literário: Elvira Vigna e Luiz Ruffato

    A dis­cussão se a lit­er­atu­ra é de fato um obje­to trans­for­mador ou não, sendo sim­ples­mente pas­si­va per­ante o leitor, existe há sécu­los e é um dos assun­tos mais per­ti­nentes nos meios literários. Foi com esse ques­tion­a­men­to, den­tro do tópi­co Lit­er­atu­ra: um ato de resistên­cia?, que os escritores Luiz Ruffa­to e Elvi­ra Vigna con­ver­saram no Café Literário, medi­a­do por Luis Hen­rique Pel­lan­da, do dia 08 de out­ubro, na Bien­al do Livro Paraná 2010.

    Luiz Ruffa­to é ex-jor­nal­ista e escritor profis­sion­al, entre vários títu­los escreveu o pre­mi­a­do Eles eram muitos cav­a­l­os (leia a críti­ca deste livro) e o atu­al Estive em Lis­boa e lem­brei de você (leia a críti­ca deste livro), pelo pro­je­to Amores Expres­sos. Elvi­ra Vigna é escrito­ra, desen­hista e tem uma empre­sa de tradução. Tam­bém escreveu livros pre­mi­a­dos, gan­hou o Prêmio Jabu­ti com a obra infan­til Lã de Umbi­go, e lançou recen­te­mente a obra Nada a Diz­er.

    O debate deu ini­cio com os autores falan­do sobre as for­mas de resistên­cia que a lit­er­atu­ra se apre­sen­tou em suas vidas. Para Elvira Vigna, a sua vida sem­pre esteve à margem de algo, e foi a própria exper­iên­cia que a lev­ou até a leitu­ra. Esta se trans­for­mou em obje­to de resistên­cia a tudo que ela vivia, e fun­cio­nou como o mel­hor meio de se encon­trar. Já para Luiz Ruffa­to, o livro foi e é trans­for­mador. Ele con­ta que a lit­er­atu­ra ampliou os hor­i­zontes pequenos que ele enx­er­ga­va quan­do cri­ança em Cataguas­es e, inclu­sive, lança a ideia da Igre­ja do Livro Trans­for­mador, como uma for­ma de levar a sério o poder da literatura.

    Dan­do con­tinuidade a ideia de trans­for­mação que Ruffa­to propõe, Pel­lan­da o ques­tiona se é esse sen­ti­men­to de resistên­cia que o faz sem­pre usar a classe operária como plano de fun­do e per­son­agem de suas obras. O mineiro responde dizen­do que de cer­ta for­ma sim, essa escol­ha é uma opção políti­ca, uma neces­si­dade de dar voz a quem ele acred­i­ta­va estar dis­tante e que tam­bém se sente por­ta­dor de meios de ter essa visão mais real­ista. Ain­da, afir­ma que com esse tipo de lit­er­atu­ra, ele foi apre­sen­ta­do a um novo uni­ver­so de leitores, pes­soas de fora dos cír­cu­los literários, alcançan­do uma das neces­si­dades que ele con­sid­era bási­ca à lit­er­atu­ra: ser acessív­el a todos.

    Para a escrito­ra car­i­o­ca, Ruffa­to é um otimista em relação ao poder da obra literária. Ela expli­ca que só con­segue ver isso com pes­simis­mo. Elvi­ra acred­i­ta que por tra­bal­har com a asso­ci­ação palavra + imagem, o poder da obra aca­ba por se tornar efêmero e que sim­ples­mente ¨bal­ança¨, mas não muda nen­hu­ma estru­tu­ra. Aliás, a escrito­ra car­i­o­ca, ape­sar de bem humora­da, se apre­sen­ta bem resistente a todo o val­or apli­ca­do sobre a obra literária como meio de transformação.

    Mes­mo que Elvi­ra Vigna não veja a lit­er­atu­ra da mes­ma for­ma que Luiz Ruffa­to, ela mes­ma diz que se con­tradiz ao afir­mar que a Lit­er­atu­ra pode ser sim um meio de ataque, de resistên­cia a estru­tu­ra nor­mal impos­ta pela lóg­i­ca do romance tradi­cional. Ela usa seu livro Nada a Diz­er para exem­pli­ficar as for­mas que um autor pode pro­duzir a iden­ti­fi­cação do leitor com a obra sem se focar tan­to no enre­do, e sim, na estéti­ca da palavra.

    Ain­da, a escrito­ra vê a inter­net como a maior fer­ra­men­ta para se fomen­tar a cul­tura literária. Para ela a tela do com­puta­dor é o antôn­i­mo da TV, prin­ci­pal­mente por ser um meio ati­vo, onde é o usuário que cria os links e refer­ên­cias con­tra­stan­do com o segun­do apar­el­ho em que somos usuários total­mente pas­sivos e con­sum­i­dores . Há a neces­si­dade de leitu­ra e escri­ta na web, mes­mo os famosos, e muito crit­i­ca­dos, ¨140 car­ac­teres¨ é um dos meios mais cria­tivos de se pas­sar uma men­sagem. Se há esti­los de escri­ta com lim­i­tações muito rig­orosas, como o Haikai, qual o prob­le­ma em ter algo pare­ci­do na inter­net? O escritor mineiro con­cor­da com a cole­ga de mesa dizen­do que cada história tem uma maneira de ser escri­ta e nada mel­hor do que a cria­tivi­dade da web para isso.

    Muitos out­ros assun­tos acabaram entran­do na dis­cussão sobre a lit­er­atu­ra como meio de resistên­cia. O tópi­co é de fato vas­to e pode englo­bar questões que partem des­de da relação autor-leitor, até as políti­cas sobre o incen­ti­vo da leitu­ra no país. Luíz Ruffa­to e Elvi­ra Vigna afir­mam que o próprio escritor sofre crises de iden­ti­dade, prin­ci­pal­mente quan­do bus­ca faz­er uma lit­er­atu­ra mais util­i­tarista. Ambos ressaltam dois pon­tos prin­ci­pais: a neces­si­dade do autor se assumir no cam­po estéti­co da escri­ta e da neces­si­dade social de fomen­tar a cul­tura literária. A mesa com os dois escritores foi uma das mais agradáveis do Café Literário na Bien­al do Livro Paraná 2010 jus­ta­mente por traz­er o antag­o­nis­mo bem-humora­do dos dois escritores, crian­do um debate muito inter­es­sante sem ser ten­den­cioso ou agressivo.

    O inter­ro­gAção gravou em áudio todo esse bate-papo e se você quis­er pode escu­tar aqui pelo site, logo abaixo, ou baixar para o sue com­puta­dor e ouvir onde preferir.

    Ouça a palestra com­ple­ta: (clique no link abaixo para ouvir ou faça o down­load)

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