
No conto “O pescador e sua alma”, o escritor irlandês Oscar Wilde narra a dramática história de amor entre seres de dois mundos distintos: de um lado, o homem da terra que, consumido pela paixão, é capaz de abdicar da própria alma. Do outro, a encantadora sereia, figura mitológica que pertence ao mar. Depois de infinitos percalços e dores, o apaixonado pescador encontra a redenção através do amor.
Hans Christian Andersen, famoso criador de contos de fadas, também abordou a figura da sereia, apresentando‑a como uma criatura que ama e sofre em doses cavalares. Anos depois, adoçando consideravelmente a história, os estúdios Disney imortalizaram – e recriaram — a personagem de Andersen com o filme “A Pequena Sereia”, em que a jovem princesa Ariel, ruiva, espirituosa e travessa, vive querendo descobrir como é a vida fora do mar. Ela se apaixona perdidamente por um príncipe humano e seus problemas começam.
Em 2011, a pequena sereia ressurge sem enredos de amor; pelo contrário, ela é a atração macabra de um freak show circense comandado por um sujeito com aparência de Mágico de Oz. Esse é o pano de fundo de “A Pequena Sereia” (original The Little Mermaid), curta-metragem do diretor Nicholas Humphries em parceria com a roteirista Meagan Hotz, autora da versão.
As cenas iniciais do curta carregam nosso imaginário para dentro de um pântano abandonado, salpicado por luzes que balançam como pêndulos em meio à névoa. Uma sensação miasmática de horror e podridão começa a percorrer os olhos e descer até à garganta. Pássaros sobrevoam o lugar, passando como bólide pela tenda do circo de horrores erguida no meio do nada.
Dentro do anfiteatro em ruínas, uma dúzia de almas curiosas observam os movimentos de uma sereia dentro da diminuta banheira em que se encontra. Ao contrário da beleza estonteante imortalizada pelos contos de fadas, a sereia do circo é uma criatura híbrida: características humanas se misturam a elementos marinhos, como cauda e escamas. No lugar do rosto parnasiano, uma sequência de cortes que lembram guelras.
Diante da pequena plateia, constituída essencialmente de trabalhadores e pessoas simples, o sádico diretor do circo lança a semente da violência, brutalizando e ridicularizando a sereia. Um dos elementos mais interessantes do curta é a ausência completa de falas: todos os “diálogos” são realizados por meio de imagens visuais e comunicação corporal — no caso da sereia, o olhar significativo grita sozinho.
Diante da falta de compaixão do homem que a mantém prisioneira e da dor de ter seu coração esmagado pela indiferença, a sereia precisa descobrir uma forma de livrar-se dos constantes abusos, agarrando-se à ideia de liberdade.

No filme, o tom sépia enfatiza a nostalgia quente, refletida em um ambiente arruinado, mas que continua despertando interesse por conta da tentação humana em absorver o bizarro. Outro ponto que merece destaque – também pelo uso do sépia — é a aura de sensualidade que brota do desconhecido. A lenda do hipnótico canto da sereia também está presente no curta e tem sua primeira aparição escondida em uma cena. No momento em que o espectador a encontra, ele consegue dialogar com a criatura do mar.
Direcionando o olhar para o terror fantástico, Nicholas Humphries investe em efeitos visuais (luz, maquiagem e edição são primorosos) e na criação de uma atmosfera imaginativa e nebulosa. Para os fãs do escritor Stephen King e de séries como American Horror Story, o curta “A Pequena Sereia” é um verdadeiro banquete.
Assista o curta “A Pequena Sereia” abaixo:
http://vimeo.com/27233664








O silêncio que pesa, arrasta e guarda, transformando a ausência de palavras em uma curva mística, enevoada. Essa descrição é uma das possibilidades de “Décimo Segundo” (2007), trabalho do diretor pernambucano Leonardo Lacca. Premiado em território nacional e internacional, o curta-metragem traz um recurso ainda pouco utilizado na linguagem cinematográfica brasileira: o silêncio.












Em um pequeno vilarejo de Tohan, dois jovens vivem seus dias apenas seguindo suas rotinas comuns e sem graça. Mas um dia, um glorioso herói surge repentinamente. E enquanto os dois o observam com grande admiração, ele deixa cair acidentalmente um mapa do tesouro. Após uma pequena briga sobre quem vai ficar com o mapa, decidem encontrar juntos o misterioso tesouro. Na animação A Recompensa (The Reward, 2013), dirigido por Mikkel Mainz e Kenneth Ladekjær, acompanhamos durante nove minutos, a jornada desses personagens para conseguirem ganhar a tão desejada recompensa.




É com essa narração peculiar e sinistra que começa o curta Vinil Verde (2004), dirigido por 







Senhor Olivares é um cara bem peculiar, para não dizer outras coisas, que sofre de alguma síndrome nervosa e por conta disso recebe instruções do seu psiquiatra para tirar férias em um lugar bem calmo e paradisíaco, onde pudesse relaxar completamente. O mais importante, não importa onde ele vá, é que fique sempre calmo e relaxado!
Durante os primeiros minutos já é possível perceber um certo humor, principalmente pelo personagem principal lembrar um pouco o excêntrico Borat (


Você acorda dentro de uma sala fechada e não tem a mínima ideia do por que esta lá. A única coisa que sabe é que todo dia alguém coloca uma bandeja de comida por uma entrada na porta. Na parede há alguns riscos que parecem a contagem de alguma coisa, mas você não sabe realmente do que se trata. Será que há um meio de escapar? Esta é a trama principal de Portal: No Escape (2011), de Dan Trachtenberg.







Quando se cria uma história de rapto com dois dragões e uma mulher, normalmente um enredo onde a mocinha é mantida cativa pelos dragões já vai se formando em nossas cabeças. Mas e se a história fosse completamente diferente desse padrão? Sintel (2010), dirigido por Colin Levy, narra justamente a jornada de uma mulher na busca de seu melhor amigo, um dragão que encontrou ferido quando ele ainda era bem pequeno, que foi raptado por um grande dragão enquanto brincavam um dia pelos telhados das casas.