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  • Livro: As intermitências da Morte — José Saramago

    Livro: As intermitências da Morte — José Saramago

    José Saramago

    E “No dia seguinte ninguém mor­reu”, a primeira frase do livro As inter­mitên­cias da Morte (Com­pan­hia das Letras, 2005), de José Sara­m­a­go, ecoou pelos mil­hares de leitores dele, no últi­mo dia 18 de jun­ho. A Morte de fato não ces­sou e as Letras perder­am um dos escritores con­tem­porâ­neos que mais trouxe dis­cussões em torno do ser humano. Com car­ac­terís­ti­cas próprias, Sara­m­a­go escrevia sem pen­sar nas for­mal­i­dades do tex­to. Seus lon­gos (e den­sos) pará­grafos, mar­cam a sua téc­ni­ca nar­ra­ti­va úni­ca, fazen­do o leitor mais assí­duo ficar atôni­to e os desav­isa­dos lev­e­mente cansados.

    Anun­cian­do que a Morte tirou férias, somente em um pequeno país, se dá o ini­cio da saga de uma morte com tre­jeitos humanos que resolve dar aos home­ns o que pedem há sécu­los, a vida eter­na. Mas com ela ces­san­do seus serviços, o que sobra? Como um país, eco­nomi­ca­mente falan­do, fun­ciona se as pes­soas pararem de mor­rer? E a Igre­ja, vai prom­e­ter uma vida após morte para quem? Num primeiro momen­to a sen­sação era de esta­do de eufo­ria e de otimis­mo e até de fer­vor patrióti­co, afi­nal as pes­soas não mor­re­ri­am mais, acabaram-se os momen­tos depres­sivos do adeus. Mas em pouquís­si­mo tem­po essa eufo­ria se dis­si­paria em pedaços, com tre­chos descreven­do o deses­pero de pes­soas atrav­es­san­do as fron­teiras do país, para sim­ples­mente morrer.

    Na primeira parte de As inter­mitên­cias da Morte, a própria se apre­sen­ta de for­ma clás­si­ca porém exis­ten­cial­ista decidin­do não tra­bal­har por alguns dias, e sim­ples­mente nem um pouco pre­ocu­pa­da com o que andam dizen­do os home­ns. Por mais estran­ho que pos­sa pare­cer, ela decide ¨viv­er¨. A par­tir do pon­to em que resolve exper­i­men­tar as vicis­si­tudes humanas é que a nar­ra­ti­va de Sara­m­a­go toma out­ro rumo. A segun­da parte do livro surge com uma história de uma Morte apaixon­a­da, sem saber o que faz­er com um dos sen­ti­men­tos que mais ques­tion­am os home­ns, além dela própria, o amor.

    Sara­m­a­go foi min­u­cioso, como não pode­ria deixar de ser. A nar­ra­ti­va de As inter­mitên­cias da Morte é sim­ples porém detal­hista, em muitos momen­tos ele se atém a dados e resul­ta­dos de cada setor de um país (nesse caso, monar­quista), que pode sofr­er com uma coisa que pode ser tão banal como a morte, deixan­do o tex­to cheio de refer­ên­cias soan­do como um ver­dadeiro rela­to. A críti­ca é fer­ren­ha con­tra o Esta­do e a Igre­ja, e o por­tuguês não deixa por menos a sua fama de ques­tion­ador, fato que se com­pro­vou até os seus últi­mos dias escreven­do sem­pre infla­mações em relação ao mun­do no seu blog.

    A críti­ca espe­cial­iza­da banal­i­zou ao extremo a obra pub­li­ca­da em 2005. Afi­nal, Sara­m­a­go já havia escrito livros pre­mi­a­dos e polêmi­cos como o ¨Ensaio sobre a Cegueira¨ e ¨O evan­gel­ho segun­do Jesus Cristo¨ que trazia explíc­i­tas suas opiniões sobre ateís­mo e alien­ação das pes­soas. Muito se falou da solução ¨hol­ly­wood­i­ana¨ do autor usar uma Morte que encon­tra no Amor um moti­vo de tratar o seu tra­bal­ho de out­ra for­ma, de enten­der um pouco os sen­ti­men­tos humanos. Mas a ver­dade que dessa for­ma, mais uma vez, ele sur­preen­deu trazen­do a obviedade em meio todo o caos que se ger­ou e tor­na de uma úni­ca figu­ra, a Morte.

    Talvez, para a críti­ca, não cai­ba mais a dis­cussão da recepção do leitor (sem teo­rias, por favor), ou de como a exper­iên­cia da leitu­ra faz sen­ti­do para quem lê. Essa obra de José Sara­m­a­go, como em todas as suas ficções, traz a tona ques­tion­a­men­tos pro­fun­dos típi­cos dele, a econo­mia, a religião e a sociedade, afi­nal elas andam jun­tas e devem ser pen­sadas como parte de um todo. Pen­sar sobre o fim das coisas sem­pre foi um ques­tion­a­men­to que se igualou com o do porquê estar­mos aqui, e para onde mes­mo vamos.

    O autor sem­pre fora con­heci­do por ser críti­co e certeiro e, mes­mo assim, sem atacar ninguém. Não era necessário, ele pre­cisa­va sim­ples­mente escr­ev­er sobre o que con­sid­er­a­va ver­dade, sem temer. Não foi difer­ente no seu últi­mo livro, Caim. Real­mente, na lit­er­atu­ra, autores como José Sara­m­a­go farão fal­ta. Em tem­pos de cele­bri­dades instan­ta­neas tor­nan­do-se ¨escritoras¨, sem­pre sobrarão lacu­nas para aque­les que pos­sam pro­lif­er­ar seu áci­do sobre tais situações.

    As inter­mitên­cias da Morte, enfim, faz mais que o papel de uma nar­ra­ti­va cir­cu­lar e fic­cional, usan­do como per­son­agem um dos maiores temores humanos. É uma leitu­ra niti­da­mente críti­ca e que rep­re­sen­ta, além dos próprios cânones dele, uma obra tipi­ca­mente ¨sara­m­aguiana¨ que crit­i­ca além dos con­tratos soci­ais, o próprio homem, human­izan­do a própria morte.

  • Crítica: Esquadrão Classe A

    Crítica: Esquadrão Classe A

    Esquadrão Classe A

    Nos últi­mos tem­pos o que mais tem apare­ci­do, de filmes, são remakes e todos os tipos  de adap­tações, remod­e­ladas para se tornarem grandes block­busters (que muitas vezes fra­cas­saram). Parece até que se está pas­san­do por uma crise grande de cria­tivi­dade entre os roteiris­tas e pro­du­tores. Esquadrão Classe A (The A‑Team, EUA, 2010), de Joe Car­na­han, se encaixa per­feita­mente na descrição ante­ri­or, mas por con­seguir ter óti­mas sacadas e pos­suir um ar meio retrô de anti­gos filmes de ação, con­seguiu se destacar entre eles.

    Logo de iní­cio temos uma bela apre­sen­tação de como se deu a for­mação do Esquadrão Classe A: Han­ni­bal (Liam Nee­son), Face (Bradley Coop­er), Bara­cus (Quin­ton ‘Ram­page’ Jack­son) e Mur­dock (Sharl­to Cop­ley). E difer­ente de out­ros times, o difer­en­cial deste é sua cria­tivi­dade e ousa­dia, total­mente kamikaze, para elab­o­rar e efe­t­u­ar planos mirabolantes nas suas missões.

    Ao con­trário do orig­i­nal, em que eram vet­er­a­nos do Viet­nã, ago­ra eles são do Iraque. E a respeito dis­so há uma toma­da bem inter­es­sante, ape­sar de ser bem sin­gela e ráp­i­da, de quan­do estão no Iraque, mostran­do um com­pan­heiris­mo e frater­nidade entre o exérci­to amer­i­cano e os civis iraquianos. Talvez seja mais uma, das mil­hões, ten­ta­ti­vas sub­lim­inares de ten­tar “ree­scr­ev­er” a história dos EUA, que nos remete a George Orwell, no livro 1984: “Quem con­tro­la o pas­sa­do, con­tro­la o futuro; quem con­tro­la o pre­sente, con­tro­la o pas­sa­do.”. Mas difer­entes de vários out­ros filmes do gênero, os inimi­gos do Esquadrão Classe A não são estrangeiros malu­cos (rus­sos come­dores de cri­anc­in­has, viet­na­mi­tas assus­ta­dores, japone­ses psicóti­cos, …), que tor­na o enre­do bem mais sóli­do e verídico.

    Cenas de ação é que não fal­tam, acred­i­to que a frase que mel­hor resume Esquadrão Classe A é: “se você pode colo­car mais, porque não colo­car ain­da mais”? Ou seja, somos bom­bardea­d­os com uma cena de ação atrás da out­ra, bem mega­lo­manía­cas, mas seguin­do um bom esti­lo como os da série James Bond. Ape­sar de você saber que quase tudo aqui­lo nun­ca pode­ria acon­te­cer no mun­do real, é jus­ta­mente nis­so que se encon­tra a beleza e o encan­ta­men­to. Isso é claro, se deu prin­ci­pal­mente pelo humor muito bem feito, reple­to de citações de ele­men­tos do dia a dia de grande parte do públi­co. As tomadas com tiradas (piad­in­has) sobre os filmes em 3D, o Blue Man Group, e dos jogos de videogames, com a frase “Whoah, it’s just like Call of Duty!” (Nos­sa, é como em Call of Dut­ty!), são inesquecíveis.

    Esquadrão Classe A é para se diver­tir e cur­tir (muitas) boas cenas de ação. Quem con­hecia e gosta­va da séire de TV, na qual foi basea­da, acred­i­to que terá vários flash­backs dela e não dev­erá se desapon­tar com esta nova versão.

    Out­ra críti­cas interessantes:

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    httpv://www.youtube.com/watch?v=Qben_-rBE3w

  • Crítica: Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo

    Crítica: Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo

    Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo

    Um road movie pelo sertão ou uma poe­sia sobre a fuga. Via­jo por que pre­ciso, volto por que te amo (Brasil, 2009) de Karim Ain­ouz e Marce­lo Gomes, vai além da geografia dos espaços e do val­or de uma sim­ples frase de efeito surgi­da numa parede. Por ser poéti­co e fic­cional, sem deixar de doc­u­men­tar o real, pode-se diz­er que ain­da não se encaixa em um padrão do cin­e­ma brasileiro.

    Obri­ga­do a estar no ban­co do pas­sageiro, a primeira cena de Via­jo por que pre­ciso, volto por que te amo não esconde ao espec­ta­dor que embar­cará como carona ao lado do geól­o­go José Rena­to (Irand­hir San­tos). Ele tem 35 anos e é envi­a­do ao sertão nordes­ti­no a fim de pesquis­ar as condições para um pos­sív­el canal que será feito com o desvio de águas de um úni­co rio cau­daloso da região. Não vê-se o pro­tag­o­nista em momen­to algum, ele é ape­nas uma voz em off que ori­en­ta as cenas de um sertão que por horas é o mes­mo ári­do de sem­pre e por out­ros momen­tos é um descon­heci­do, um grande vazio com luzes noturnas.

    José Rena­to é um apaixon­a­do e ao mes­mo tem­po foge da decepção dessa paixão. Fazen­do refer­ên­cias inter­es­santes de momen­tos vivi­dos e pequenos detal­h­es entre ele e sua mul­her, o nar­rador con­strói o cenário que assis­ti­mos alian­do seus pen­sa­men­tos dia após dia que se afas­ta (ou se aprox­i­ma) de sua casa. Faze­mos parte desse diário de viagem.

    Durante a odis­séia encon­tra-se os mais estran­hos e incríveis per­son­agens que vão moldan­do os sen­ti­men­tos do nar­rador ao lon­go do cam­in­ho. Dess­es per­son­agens são as pros­ti­tu­tas que têm o dev­er de preencher o vazio de José Rena­to, não somente com o sexo, mas com suas histórias e tra­jetórias. Destaque para Pati que ao ser ques­tion­a­da sobre o que esper­a­va da vida, ela ape­nas resume quer­er ¨Uma vida-laz­er com sua fil­ha e um companheiro¨.

    Tratar o sertão nordes­ti­no sem mitolo­gias é um das car­ac­terís­ti­cas mais inter­es­santes dos dois dire­tores. Con­struíram, com as exper­iên­cias ante­ri­ores como em Cin­e­ma, Aspiri­nas e Urubus e O Céu de Sue­ly, um novo con­ceito sobre a região. Afi­nal, os ser­tane­jos tam­bém são afe­ta­dos pela mídia e pelas deses­per­anças do urbano, e fugir do imag­inário pop­u­lar sobre a região não é tare­fa fácil. Em entre­vista com o dire­tor Jean-Claude Bernardet, Karim Ain­ouz e Marce­lo Gomes, ambos nordes­ti­nos, falam sobre a neces­si­dade que sen­ti­am em expe­ri­en­ciar, viven­ciar de fato, tudo que ouvi­am e suposta­mente sabi­am da região. Um tra­bal­ho, aci­ma de tudo, sensorial.

    Via­jo por que pre­ciso, volto por que te amo foi grava­do num perío­do de aprox­i­mada­mente 10 anos, partin­do de um pro­je­to que ini­cial­mente seria sobre as feiras do inte­ri­or nordes­ti­no. Karim Ain­ouz e Marce­lo Gomes relatam que tin­ham uma lig­ação meio mís­ti­ca com as fil­ma­gens, mas até 2009 não tin­ham mui­ta certeza do que faz­er, até decidi­rem que seria um tra­bal­ho que envolve­ria as gravações do sertão mescladas a história de um per­son­agem, o José Rena­to, muito bem tra­bal­ha­do na voz de Irand­hir Santos.

    A fotografia do filme chama bas­tante a atenção por mesclar ima­gens de slides, de uma câmera super‑8, duas câmeras 16mm (Bolex), uma câmera tcheca (Minock­n­er) e uma mini-DV VX1000 (Sony). Essa mis­tu­ra resul­ta numa boni­ta colagem e visões sen­so­ri­ais inten­sas a quem assiste. Via­jo por que pre­ciso, volto por que te amo é sim­ples de con­cepções téc­ni­cas, porém se mostra car­rega­do de uma nar­ra­ti­va inten­sa. Um filme para ser lido, ou uma leitu­ra para ser vista.

    A sen­sação no fim do lon­ga, é a da neces­si­dade de mudança. Zé Rena­to encara a viagem como uma trans­mu­tação do seu sen­ti­men­to de per­da e vazio. Ao viven­ciar os 75 min­u­tos dessa tra­jetória, fica a von­tade de ir para qual­quer lugar, uma neces­si­dade de fuga que deixa o espec­ta­dor bus­can­do algo. Uma sen­sação de quer­er uma ¨vida-laz­er¨ e de aban­dono quan­do Zé Rena­to ces­sa a sua fala, afi­nal não ven­do o per­son­agem o espec­ta­dor se con­funde com as coisas ditas e vis­tas por ele. Impos­sív­el não sair do cin­e­ma não car­regan­do um pouco do geól­o­go den­tro de si. E mes­mo que pie­gas, o espec­ta­dor ao fim sabe que todos já via­jaram porque pre­cisavam e voltaram porque amavam algo ou alguém.

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    httpv://www.youtube.com/watch?v=wn4ZBttHVaU

  • Crítica: Robin Hood

    Crítica: Robin Hood

    Robin Hood

    Difer­ente da grande maio­r­ia dos filmes já feitos sobre este icôni­co per­son­agem, Robin Hood (Robin Hood, EUA/Inglaterra, 2010), de Rid­ley Scott, vai por um viés bas­tante difer­ente, se resu­min­do a con­tar a história do homem antes de virar a len­da. Segun­do o próprio final do lon­ga metragem, depois dis­so, todos já ouvi­ram falar de como ela continua.

    A história se pas­sa na Inglater­ra, sécu­lo XII, quan­do Ricar­do I, o atu­al rei, morre em uma batal­ha. Robin Longstride (Rus­sel Crowe) é um dos arqueiros da Coroa que, se aprovei­tan­do deste ocor­ri­do, resolve fugir com um grupo de ami­gos da batal­ha, antes que se instau­re o caos. Ten­do sorte nos acon­tec­i­men­tos que seguem, ele con­segue se esta­b­ele­cer em Not­ting­ham, onde fica na casa de Lady Mar­i­on (Cate Blanchett) e seu pai Sir Wal­ter Lox­ley (Max von Sydow). Enquan­to isto, o príncipe João (Oscar Isaac) assume o trono e ten­ta, a par­tir da vio­lên­cia, con­seguir mais din­heiro para o cofre real, cau­san­do revoltas com o seu povo.

    Ape­sar de ser um filme de ação, Robin Hood foca-se mais na con­strução do per­son­agem prin­ci­pal, ape­sar de às vezes ser um pouco atro­pela­da (por exem­p­lo: a par­tir de que momen­to Robin tornou-se tão elo­quente e poli­ti­za­do?), mas nada que atra­pal­he muito. Tam­bém não podemos esque­cer que não há qual­quer fato/documento históri­co que relate a vida deste homem, então a imag­i­nação cor­reu sol­ta para na cri­ação deste roteiro. Por isso acho que não vale muito a pena ficar dis­cutin­do cer­tos acon­tec­i­men­tos ocor­ri­dos pois, queren­do ou não, se quis dar um destaque na tra­jetória deste (anti-)herói.

    Durante as batal­has de Robin Hood não há aque­les abu­sos de efeitos espe­ci­ais, com inúmeras tomadas em câmera lenta e sangue jor­ran­do, tor­nan­do-as mais real­is­tas. Com destaque tam­bém para a car­ac­ter­i­za­ção dos per­son­agens e das locações, que tam­bém foram muito bem pro­duzi­das, incluin­do até pequenos detal­h­es como goteiras por causa da chu­va den­tro de uma casa. Tudo isso tornou a ambi­en­tação muito envolve­do­ra e fiel ao que pos­sivel­mente acon­te­cia nes­ta época.

    Além dis­so são trata­dos vários temas inter­es­santes, ape­sar de às vezes só dar uma pince­la­da ráp­i­da, como as cruzadas em si, que segun­do o próprio Robin, os tornaram home­ns sem Deus, dev­i­do a taman­ha cru­el­dade dos atos prat­i­ca­dos durante elas. O poder da Igre­ja é nova­mente ques­tion­a­do quan­do ao invés de aju­dar as pes­soas em momen­tos de neces­si­dade, preferiu con­tin­uar explo­ran­do o povo con­tin­u­a­mente. Há tam­bém todo um cli­ma de iní­cio à democ­ra­cia, com dire­itos inatos para cada cidadão, afrontan­do vários aspec­tos da monar­quia. Ape­sar de ter fica­do meio atro­pela­do este últi­mo assun­to, de cer­ta for­ma era o que Robin Hood, ten­ta­va faz­er (re)distribuindo as riquezas, mas provavel­mente de uma maneira menos con­scien­te­mente poli­ti­za­da de como foi retrata­do no filme.

    Parece que é inevitáv­el a com­para­ção deste lon­ga com Glad­i­ador ou Cruza­da, que no meu ver se dá ape­nas por tam­bém ser mais um filme épi­co feito pelo mes­mo dire­tor. Já ten­do ambi­en­ta­do várias dessas pro­duções uti­lizan­do uma cenografia e fotografia do mes­mo esti­lo, em épocas pare­ci­das, todas medievais, com todas suas guer­ras e lutas, é inevitáv­el que haja cer­tas semelhanças.

    Robin Hood é mais sobre trans­for­mação e ques­tion­a­men­to de cer­tas ver­dades, tidas como abso­lu­tas, do que sobre lutas e guer­ras. Sem entrar em todos aque­les clichês já feitos em cima des­ta len­da, ten­do como resul­ta­do uma obra, no mín­i­mo, original.

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    httpv://www.youtube.com/watch?v=EZU1AfNDGds

  • Crítica: Alice no País das Maravilhas

    alice no país das maravilhas

    Alice no País das Mar­avil­has (Alice in Won­der­land, EUA, 2010) é cer­ta­mente um dos filmes mais esper­a­dos do começo do ano. Não somente pelo fato de Tim Bur­ton ter dirigi­do o filme, o que em si já lev­an­ta as orel­has de mil­hões de fãs/seguidores/apreciadores, mas tam­bém por ele ser basea­do em dois “con­tro­ver­sos” livros de Lewis Car­roll (“As Aven­turas de Alice nos País das Mar­avil­has” e “Alice Através do Espel­ho”).

    É inter­es­sante deixar já bem claro no começo: Alice no País das Mar­avil­has não é nem um livro, nem o out­ro. Muito menos ape­nas a junção de ele­men­tos dos dois. O filme é uma releitu­ra das duas histórias, e de difer­entes ver­sões já feitas por out­ras pes­soas, pelo Tim Bur­ton. Que tam­bém é bem difer­ente do desen­ho lança­do em 1951 pela Dis­ney. Ou seja, quan­do você for assistí-lo, tente ir sem qual­quer tipo de pré-con­ceitos/­ex­pec­ta­ti­vas em relação a ess­es ele­men­tos (e con­fes­so que não foi muito fácil faz­er isso. Algu­mas vezes perce­bi que fiquei na expec­ta­ti­va de ver uma “remon­tagem” de algo que eu já conhecia).

    A releitu­ra está bem inter­es­sante, ape­sar de ter cau­sa­do ini­cial­mente um grande estran­hamen­to. Além de um ar mais sério e adul­to, assim como O Labir­in­to do Fauno, de Guiller­mo Del Toro, tudo é muito som­brio e melancóli­co, beiran­do total­mente o góti­co, car­ac­terís­ti­ca chave do próprio dire­tor. Esti­lo que reme­teu á uma ver­são de “Imag­ine”, de John Lennon, fei­ta pela ban­da A Per­fect Cir­cle, onde o tom de alegria/diversão foi total­mente trans­for­ma­do em tristeza/angústia.

    Nes­ta ver­são, Alice (Mia Wasikows­ka) fez 19 anos e está procu­ran­do por sua própria iden­ti­dade, não queren­do se con­for­mar e seguir a vida bur­gue­sa que querem lhe impor a todo cus­to. Alice no País das Mar­avil­has é sobre a descober­ta de si mes­mo, do eu inte­ri­or, que muitas vezes aca­ba sendo esquecido/ignorado dev­i­do à “vida adul­ta”. E, assim como no cur­ta A Gra­va­ta, de Ale­jan­dro Jodor­owsky, obe­de­cer aos dese­jos de uma out­ra pes­soa para sat­is­faz­er as suas próprias neces­si­dades, tor­na-se uma bus­ca total­mente vazia, sem sen­ti­do. Tudo isso acon­te­cen­do em um mun­do tam­bém total­mente sur­re­al­ista, cheio de pequenos detal­h­es e sim­bolo­gias, com per­son­agens total­mente inusi­ta­dos e car­i­catos. Que, aliás, é um fator mar­cante nos livros de Car­roll. E como muitos proces­sos des­ta bus­ca, ele tor­na-se uma ver­dadeira jor­na­da de uma saga de um herói que, neste caso, é a própria Alice. (quem quis­er se apro­fun­dar neste assun­to, recomen­do assi­s­tir o episó­dio “A saga do Herói” do documentário/entrevista O poder do mito, com Joseph Camp­bell)

    Tim Bur­ton con­seguiu de maneira extra­ordinária traz­er todo o seu mun­do do stop-motion para a “real­i­dade”, em Alice no País das Mar­avil­has. Você fica eston­tea­do ven­do toda a riqueza dos detal­h­es não só dos cenário, mas dos per­son­agens em si. Mes­mo os mais excên­tri­cos e bizarros, não pare­cem tão dis­tantes do que você pode­ria encon­trar em um lugar mais exóti­co. Prin­ci­pal­mente através da óti­ma inter­pre­tação do Chapeleiro Malu­co (John­ny Depp) e da Rain­ha Ver­mel­ha (Hele­na Bon­ham Carter) que, ape­sar de serem per­son­agens de cer­ta for­ma secundários, se desta­cam bas­tante. Tudo é tão bem encaix­a­do que todos ess­es ele­men­tos sim­ples­mente pare­cem nat­u­rais. E, segun­do o próprio filme, tudo que é impos­sív­el tor­na-se pos­sív­el no Under­land (assim que é chama­do o “mun­do” onde Alice vai parar). Sem con­trar na bela tril­ha sono­ra pro­duzi­da por Dan­ny Elf­man, que cria uma imer­são ain­da maior, sem ser em nen­hum momen­to apel­a­ti­va e “arti­fi­cial”.

    Muito se tem crit­i­ca­do a adap­tação de Alice no País das Mar­avil­has para 3D, e eu con­cor­do que este aspec­to ficou bem fra­co. O efeito é bas­tante sutil, sem nada pulan­do para “cima” de você, focan­do prin­ci­pal­mente nos ele­men­tos do cenário em si. Mas as vezes, apare­cem um ou out­ro ele­men­to que foi forçosa­mente (leia-se: gam­biar­ra mes­mo) trans­for­ma­do em 3D. Então, se você assistí-lo em 2D, sai­ba que não está per­den­do mui­ta coisa.

    Assi­s­tir ele no Cin­e­mark 3D do Muller, em Curiti­ba, me cau­sou mui­ta dor de cabeça. Esta é a segun­da vez que fui assi­s­tir um filme lá e, da out­ra vez acon­te­ceu a mes­ma coisa. Além de mim, uma ami­ga tam­bém teve o mes­mo prob­le­ma. Mais alguém sen­tiu isso tam­bém após ver algum filme 3D lá?

    Só uma coisa ain­da ficou marte­lando na min­ha cabeça. Afi­nal, alguém sabe “Por que um cor­vo se parece com uma escrivan­in­ha”?

    Esta críti­ca tam­bém foi pub­li­ca­da no site da Revista Movie.

    Out­ra críti­cas interessantes:

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    httpv://www.youtube.com/watch?v=R7ygoQRaWYY

  • Crítica: Chico Xavier

    Crítica: Chico Xavier

    chico xavier

    Chico Xavier é um per­son­agem mis­te­rioso não ape­nas por causa da psicografia, mas tam­bém pela sua própria per­son­al­i­dade. No cen­tenário do seu nasci­men­to, e Sex­ta-feira da Paixão, foi lança­do Chico Xavier (Chico Xavier, Brasil, 2010), dirigi­do por Daniel Fil­ho, em sua hom­e­nagem, basea­do no livro “As Vidas de Chico Xavier”, de Mar­cel Souto Maior.

    O enre­do foi divi­di­do em duas histórias. A primeira é a do próprio Chico e, a segun­da é a do casal Orlan­do (Tony Ramos[bb]) e Glória (Chris­tiane Tor­loni[bb]). A impressão que fica,é que as duas têm muito pouco haver uma com a out­ra, que sim­ples­mente foram jun­tadas por algum moti­vo mer­cadológi­co e não como um aden­do à história. Ape­sar de, no final do filme haver a conexão, fei­ta de for­ma apres­sa­da e atra­pal­ha­da, das duas nar­rações. O que mais inco­mo­da é o fato da tran­sição de uma para out­ra deixar em segun­do plano tre­chos da entre­vista “ao vivo” com o Chico no pro­gra­ma Pin­ga Fogo, da extin­ta TV Tupi. Qual era o tema prin­ci­pal do filme mesmo?

    Além do fato do elen­co estar reple­to de caras já muito con­heci­das das nov­e­las brasileiras, Chico Xavier, tam­bém segue bas­tante a lin­ha do cin­e­ma-nov­ela, car­ac­terís­ti­ca infe­liz de muitos filmes nacionais (e prin­ci­pal­mente do dire­tor). Quan­do apare­cem algu­mas tomadas um pouco mais difer­entes, ali­men­tan­do esper­anças de que pode­ria haver uma mudança, o esti­lo vol­ta com toda sua força. Com dire­ito a típi­cos dra­mal­hões mex­i­canos , infan­tiliza­ção total não só da história, mas da própria inteligên­cia do espec­ta­dor, e ain­da, momen­tos para causar sen­ti­men­tal­is­mos em todo o tipo de público.

    Ape­sar do per­son­agem Chico diz­er várias vezes que os espirí­tos que o cer­cam são bons, nos momen­tos que se faz alusão á pre­sença de algum deles, surge uma tril­ha sono­ra de sus­pense berrante, pare­cen­do que você está assistin­do aque­les filmes de sus­pense psi­cológi­co trash. Afi­nal, eles eram bons ou ruins? Só fazi­am o bem para quem acred­i­ta­va neles? E falan­do em trash, a impressão que fica em Chico Xavier, é que não somente ele se pas­sa por vol­ta dos anos 80, mas que tam­bém foi fil­ma­do não muito longe des­ta época. As ence­nações e os efeitos foram pobre­mente pro­duzi­dos, tor­na­do-se muitas vezes total­mente ridícu­los e às vezes exagerados.

    O inter­esse da dis­tribuido­ra hol­ly­wood­i­ana (Sony) no pro­je­to é, dig­amos, ante­ri­or ao próprio pro­je­to. “Os livros reli­giosos são tão bem ven­di­dos que sem­pre me per­gun­tei por que não viravam filme.” (via Fol­ha Online) Este tre­cho con­segue muito bem resumir, e por que não con­fir­mar, toda a agi­tação que a divul­gação (para não falar na própria pro­dução) do filme na mídia. Há uma “análise” inter­es­sante deste cenário, fei­ta por Eduar­do Escorel, chama­da Chico Xavier, Pro­moção orquestra­da I e II.

    Como cin­e­ma, Chico Xavier, não merece nen­hum destaque, mas como meio para divul­gar mel­hor esta história, tor­na-se até que váli­do (den­tro de vários lim­ites, é claro). Mas é sessão pipoca-nov­ela em tela grande garantida.

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  • Crítica: Ervas Daninhas

    Crítica: Ervas Daninhas

    ervas daninhas

    O fur­to quase que banal de uma bol­sa, um romance ao mel­hor esti­lo parisiense, e um humor alfine­tan­do o esti­lo hol­ly­wood­i­ano de faz­er filmes. Tudo isso jun­to, em Ervas Dan­in­has (Les herbes folles, França, 2009), últi­mo filme do vet­er­a­no, Alain Resnais.

    Mar­guerite (Sabine Azé­ma[bb]), não imag­i­na que o fur­to de sua bol­sa, pode­ria causar tan­tas con­tro­vér­sias em pouco tem­po. Georges (André Dus­sol­lier[bb]), um cinquen­tão que tem aparên­cia de um clás­si­co con­quis­ta­dor francês, é o homem que encon­tra a carteira per­di­da. Ele pas­sa a cri­ar mil situ­ações men­tais sobre seu pos­sív­el encon­tro com a dona, e não poupa esforços para desco­brir quem ela é de fato, crian­do uma espé­cie de obsessão por isso. Mar­guerite é uma den­tista apaixon­a­da por aviões, solteira e com cabe­los rebeldes e ver­mel­hos, o que lhe dá um ar de mul­her inde­pen­dente e livre.

    O primeiro plano do filme é uma erva dan­in­ha, cresci­da sem­pre nos lugares mais impróprios, sem mui­ta per­mis­são. Assim como a relação de Georges e Mar­guerite, uma tro­ca de con­fusões e surg­i­men­tos inesperados.

    Os dois vivem um flerte clás­si­co, deixan­do várias pis­tas suben­ten­di­das um para o out­ro no decor­rer da nar­ra­ti­va. Um pon­to forte na con­strução dos per­son­agens é como o pen­sa­men­to, numa espé­cie de nar­ração em Off, ori­en­ta a história, a deixan­do bem engraça­da em vários momen­tos. Mes­mo que o espec­ta­dor ten­ha con­sciên­cia do que o per­son­agem pen­sa, a sua ati­tude, assim como na vida real, nem sem­pre segue o pensamento.

    Inspi­ra­do no romance L’Incident, de Chris­t­ian Gail­ly[bb], Ervas Dan­in­has é um típi­co filme de um remanes­cente da Nou­velle Vague, um movi­men­to sessen­tista francês. Mar­ca­do prin­ci­pal­mente pela que­bra de nar­ra­ti­va, Resnais con­strói o enre­do de for­ma con­fusa aos não ini­ci­a­dos, man­ten­do suas próprias car­ac­terís­ti­cas. Boa parte dos even­tos se mostram, proposi­tal­mente, de for­ma exager­a­da, como o mane­jo de câmera com planos super clichês, do cin­e­ma norte-amer­i­cano, tril­ha sono­ra que beira a cafon­ice (porém dan­do um charme sar­cás­ti­co) e as várias oscilações típi­cas de tem­po e espaço.

    Alain Resnais não perdeu o charme, como muitos afir­mam. Creio estar em ple­na for­ma, aos 87 anos. Sem­pre foi car­ac­terís­ti­co na sua cria­tivi­dade e no seu ape­lo sen­so­r­i­al, mes­mo soan­do sem sen­ti­do às vezes. Não é difer­ente em Ervas Dan­in­has, que é um filme para dis­cu­tir a natureza humana, assim como uma críti­ca em relação ao cin­e­ma de puro entreten­i­men­to. Resnais con­tin­ua afir­man­do que o cin­e­ma, mes­mo sendo uma arte de ficção, traz à tona a exper­iên­cia do tele­spec­ta­dor, o con­frontan­do com ati­tudes (e pes­soas) muitos próx­i­mos da vida real.

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  • Crítica: Como Treinar Seu Dragão

    Crítica: Como Treinar Seu Dragão

    como treinar seu dragão

    Soluço, assim como a per­son­agem Alice (de Alice no País das Mar­avil­has[bb]), não quer aceitar as regras de seu mun­do, um lugar onde o medo, o ran­cor e a vio­lên­cia pros­per­am. Ele então decide mudar, jun­to com seu ami­go dragão Banguela, todo o modo de viv­er da sua paca­ta cidadez­in­ha em Como Treinar O Seu Dragão (How to Train Your Drag­on, EUA, 2010), com roteiro e direção de Chris Sanders e Dean Deblois. A história foi basea­da na série literária, de mes­mo nome, da escrito­ra Cres­si­da Cow­ell.

    Assim como várias out­ras ani­mações, que foram lançadas nos últi­mos tem­pos, esta tam­bém é para todas as idades. Neste caso, um dos prin­ci­pais temas é o ques­tion­a­men­to a respeito da tradição. “Porque guer­reamos con­tra aque­le ‘povo estran­ho’? Pois des­de a época do meu bisavô foi assim e eles mataram muitos de nos­sa família, por isso vou me vin­gar deles!”, a vio­lên­cia geran­do mais vio­lên­cia. Não have­ria uma out­ra alter­na­ti­va para este mun­do onde guer­ras e armas são retrata­dos como um jogo de videogame? Pois cada vez mais, fal­ta o descon­hec­i­men­to tão necessário para elas existirem.

    A Dream­works[bb] parece ter acer­ta­do em cheio com Como Treinar O Seu Dragão, se igua­lan­do (ou até superan­do) a sua rival Pixar em que­si­to de qual­i­dade. E não é só da ani­mação que me refiro, mas tam­bém da história, piadas e de seus per­son­agens, muito caris­máti­cos por sinal. Mere­cen­do um espe­cial destaque à qual­i­dade da tex­tu­ra dos pêlos e cabe­los, assim como seus movi­men­tos, que ficaram com uma verossim­il­hança incrív­el. É impos­sív­el não ver o filme sem ficar apre­cian­do ess­es, e out­ros, detalhes.

    Em Como Treinar O Seu Dragão cada espé­cie foi tra­bal­ha­da para que, além de pos­suírem suas próprias car­ac­terís­ti­cas de com­por­ta­men­to, terem ataques e forças difer­entes, como em um jogo de RPG[bb]. Por exem­p­lo, um dos per­son­agens faz cer­ta refer­ên­cia ao jogo quan­do fica citan­do todas as habil­i­dades deles, que ele deco­rou do ‘man­u­al’ dos dragões. E de assus­ta­dor, os dragões viram amis­tosos e bonit­in­hos, muitas vezes até com car­ac­terís­ti­cas bem feli­nas. Já pen­sou como seria ter um “gat­in­ho” voador cus­pin­do fogo den­tro do seu apartamento?

    Como Treinar O Seu Dragão mostra que se ques­tion­ar­mos o porquê das motivações/causas de cer­tos even­tos, poderíamos voar bem mais alto, o que lit­eral­mente acon­tece no filme.

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  • Crítica: O Livro de Eli

    Crítica: O Livro de Eli

    o livro de eli
    Eli (Den­zel Wash­ing­ton[bb]) é um mochileiro solitário que per­corre sem­pre em direção leste, num mun­do pós-apoc­alíp­ti­co, pro­te­gen­do um livro sagra­do em O Livro de Eli (The Book of Eli, EUA, 2010), de Albert e Allen Hugh­es.

    Ao con­trário de Faren­heit 451, o vilão des­ta história, Carnegieo (Gary Old­man[bb]), está a procu­ra de livros , em especí­fi­co o que Eli car­rega con­si­go não para destruí-lo, mas para usá-lo como uma “arma” para obter mais poder, que por sinal é a úni­ca críti­ca que o filme propões a respeito deste tema. Sobre este assun­to, há tam­bém uma piad­in­ha (pra não diz­er uma críti­ca) onde Carnegieo man­da queimar o livro “O Códi­go da Vin­ci[bb]”, jun­to com out­ros livros, pois não pos­suem nen­hum valor.

    Assim como em vários out­ros filmes amer­i­canos, tudo acon­tece nos Esta­dos Unidos e é lá que tam­bém está a sal­vação para a humanidade, como se não exis­tisse mais nada, pelo menos sig­nif­i­cante, no mun­do inteiro. Não há quase nen­hu­ma expli­cação do que pode ter acon­te­ci­do para o plan­e­ta estar naque­la situ­ação ou algum apro­fun­da­men­to nos per­son­agens do filme, fican­do tudo muito supér­fluo demais. Sem falar nos atos/conhecimentos extra­ordinários (para não diz­er de super-heróis) dos per­son­agens prin­ci­pais, que faz você pen­sar “como é que ele(a) teve tem­po de faz­er aqui­lo se.…?” ou “quan­do que ele(a) apren­deu a faz­er isso?”, entre várias out­ras perguntas.

    Em O Livro de Eli a fé, entre out­ros aspec­tos reli­giosos, é bas­tante enfa­ti­za­da. Chegan­do até a se afir­mar que a humanidade está fada­da ao caos, destru­ição e ao não desen­volvi­men­to int­elec­tu­al dev­i­do à fal­ta deste livro sagra­do. Afir­mação, no mín­i­mo, forte, mas em um momen­to em que as religiões estão cada vez mais em “crise”, tudo parece ser váli­do para reafirmá-las.

    Ape­sar de haver uma grande sur­pre­sa no final de O Livro de Eli, fica uma sen­sação estran­ha de que aque­la rev­e­lação não con­venci­men­to dela. Aliás, este sen­ti­men­to fica pre­sente durante todo o filme. Por exem­p­lo, neste futuro pós-guer­ra quase não se vê mul­heres (con­tei seis), e as exis­tentes são escravas, total­mente sub­mis­sas. Como isto é pos­sív­el se quem vai para a guer­ra são os home­ns e é sabido que elas são a maio­r­ia pop­u­la­cional no mun­do? Uma visão bem machista deste cenário que, por quase não exi­s­tirem mul­heres, fica ain­da mais apocalíptico.

    O Livro de Eli, ape­sar de tudo, con­segue ser um entreten­i­men­to razoáv­el, sem muitas pre­ten­sões, com algu­mas cenas de ação muito bem feitas e as vezes até engraçadas.

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  • Crítica: Um Sonho Possível

    Crítica: Um Sonho Possível

    um sonho possível

    Michael Oher (Quin­ton Aaron) era um ado­les­cente negro, nasci­do em um bair­ro pobre, que provavel­mente pode­ria estar pre­so ou mor­to se não fos­se por Leigh Anne Touhy (San­dra Bul­lock[bb]), que o acol­heu para den­tro de sua família, em Um Son­ho Pos­sív­el (The Blind Side, EUA, 2009), o novo filme de John Lee Han­cock[bb], basea­do em fatos reais.

    Leigh é uma mul­her bas­tante deter­mi­na­da e tra­bal­hado­ra, tem como profis­são dec­o­rado­ra, mãe de dois fil­hos e casa­da com um ex-atle­ta, Sean Tuo­hy (Tim McGraw). Eles são uma família bem suce­di­da finan­ceira­mente, pos­suem uma rede de restau­rantes, e vivem uma vida ‘nor­mal’ até o dia que se deparam com Michael, de camise­ta e bermu­da andan­do pela rua em pleno inver­no, enquan­to estavam indo para casa. Leigh, subita­mente, toma a decisão de levá-lo jun­to e, o que ini­cial­mente seria ape­nas um gesto de bon­dade na noite antes do feri­ado de Ação de Graças, tornou-se uma exper­iên­cia que mudou a vida de todos.

    Basea­do no livro The Blind Side: Evo­lu­tion of a Game, de Michael Lewis, Um Son­ho Pos­sív­el foi lança­do, apro­pri­ada­mente, nos Esta­dos Unidos na época do feri­ado de Ação de Graças, uma data para reunir as famílias e, depen­den­do da crença, agrade­cer a Deus. Só que neste caso, a religião é apre­sen­ta­da de maneira bem explíci­ta. O cris­tian­is­mo está estam­pa­do em todo lugar, às vezes mais implici­ta­mente, out­ras não. Curioso perce­ber que ape­sar de alguns per­son­agens se uti­lizarem de intenções cristãs para jus­ti­ficar seus atos, surge a dúvi­da da sua veraci­dade (out­ras são con­fir­madas fal­sas) mas, ape­sar de tudo ter­mi­nam com a imagem de bom samar­i­tano. A estru­tu­ra famil­iar tam­bém é bas­tante reforça­da, só que des­ta vez, com a mul­her no coman­do e o mari­do fazen­do, às vezes, o  papel de mãe.

    Tec­ni­ca­mente o filme ape­nas repete a fór­mu­la amer­i­can way of life and hol­ly­wood style (jeito amer­i­cano de viv­er e esti­lo hol­ly­wood­i­ano), rec­hea­do com tril­ha sono­ra para reforçar as emoções e, com uma lin­eari­dade quase impecáv­el, sem grandes sur­pre­sas, para agradar o públi­co de todas as idades (“dos 8 aos 80 anos”, como diria um pro­du­tor amer­i­cano). Mes­mo poden­do ter abor­da­do cer­tos assun­tos (pre­con­ceito, pobreza, edu­cação, dro­gas e o próprio altruís­mo), eles são rap­i­da­mente “fecha­dos” assim que apare­cem, de for­ma a não ger­ar qual­quer incô­mo­do ou inqui­etação. Afi­nal, você está lá para se entreter e ser feliz.

    Um Son­ho Pos­sív­el é politi­ca­mente cor­re­to e inspi­rador para a pro­dução de atos altruís­tas, de prefer­ên­cia por aque­les finan­ceira­mente favorecidas.

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    httpv://www.youtube.com/watch?v=qacQrxVl0Xo
  • Crítica: Os inquilinos

    Crítica: Os inquilinos

    os inquilinos

    Val­ter (Marat Descartes) mora na per­ife­ria de São Paulo e é um tra­bal­hador braçal, sem carteira assi­na­da, durante o dia, e à noite estu­da em um cur­so suple­ti­vo, para ten­tar assim con­seguir um emprego mel­hor. Mora jun­to com sua esposa, Iara (Ana Car­bat­ti), e mais dois fil­hos pequenos, um meni­no e uma meni­na, em uma casa que seu próprio pai con­stru­iu “tijo­lo por tijo­lo”, segun­do o próprio. A roti­na de toda sua família é abal­a­da quan­do três novos inquili­nos se mudam para a casa ao lado. Pode­ria ser mais um filme sobre as difi­cul­dades do cotid­i­ano, não nec­es­sari­a­mente brasileiro, de uma família ten­tan­do sobre­viv­er “decen­te­mente”, mas Os inquili­nos (Os Inquili­nos – Os inco­moda­dos que se mudem, Brasil, 2009), de Sér­gio Bianchi, vai muito mais além.

    Assim como as out­ras obras do dire­tor, aqui há tam­bém a con­tradição entre o que é fal­a­do e feito, de uma maneira cada vez mais sutil, ou seja, com situ­ações que de tão comuns, não chamam mais muito a atenção. Soco no estô­ma­go é pouco para descr­ev­er este novo filme.

    A primeira toma­da do filme exibe uma mag­ní­fi­ca árvore, cheia de fol­has verdes, no meio de um enx­ame de casas sim­ples, com seus tijo­los á mostra, crian­do já aqui uma antag­o­nia gri­tante. Seguin­do a lin­ha de pen­sa­men­to do próprio sub­tí­tu­lo do filme (os inco­moda­dos que se mudem), vem a per­gun­ta: a natureza seria a inco­moda­da com os atu­ais “inquili­nos” viz­in­hos? Ela dev­e­ria então se mudar? Mas ela já não esta­va aqui bem antes deles chegarem? A mes­ma dúvi­da fica sobrevoan­do durante toda a tra­ma da família de Val­ter. Dev­e­ria então  se mudar, prin­ci­pal­mente se foi seu pai que con­stru­iu aque­la casa, ou seja, ele chegou antes. É aí que se ini­cia um, sutil, ques­tion­a­men­to sobre a pro­priedade em si, e até onde é o seu lim­ite, com óti­mas tomadas de Val­ter ten­tan­do afir­mar em seu imag­inário, ou não, sua posição de macho-alfa per­ante os vizinhos.

    Ape­sar da vio­lên­cia ser um tema recor­rente em Os inquili­nos, não há nen­hu­ma cena explíci­ta, tudo acon­tece nas entre­lin­has. O mais inter­es­sante é que todas aque­las situ­ações são inde­pen­dentes de classe social, mas na per­ife­ria, ela parece mais óbvia. Há todo um cli­ma de ten­são, que infe­liz­mente foi pobre­mente con­duzi­do (assim como o  sus­pense em ger­al). A vio­lên­cia, além de ger­ar o medo, tam­bém insti­ga a curiosi­dade per­ante ela, por exem­p­lo em pro­gra­mas de tele­visão assis­ti­dos à noite pela família, que durante o dia faz de tudo para fugir dela.

    A sex­u­al­iza­ção infan­til, ape­sar de estar em segun­do plano, é aos poucos con­duzi­da durante a história, que começa da noti­cia tele­vi­sion­a­da do estupro de uma meni­na encon­tra­da mor­ta per­to da região, até a chocante cena de sua fil­ha, uma meni­na pos­sivel­mente com menos de 12 anos, dançan­do um funk com roupas jus­tas, na rua jun­to com as ami­gas. O sexo onde não há sexo, que pode ser detur­pa­do depen­den­do de quem o vê.

    Sem ficar apon­tan­do dedos na cara e dan­do lições de moral, Os Inquili­nos inqui­eta e provo­ca. Se for assi­s­tir, vá prepara­do para um óti­mo cin­e­ma-denún­cia de Bianchi.

    Out­ra críti­cas interessantes:

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    httpv://www.youtube.com/watch?v=EDPvBvnMlPo

    Entre­vista com Sér­gio Bianchi:

    httpv://www.youtube.com/watch?v=QgIVpo1KJ9c

  • Crítica: Ilha do Medo

    Crítica: Ilha do Medo

    ilha do medo

    O ano é 1954, auge da Guer­ra Fria, onde novos e mais extremos trata­men­tos psiquiátri­cos, talvez influ­en­ci­a­dos pelos exper­i­men­tos nazis­tas, são ado­ta­dos. Ted­dy Daniels (Leonar­do DiCaprio[bb]) é um poli­cial fed­er­al e vet­er­a­no da 2ª Guer­ra Mundi­al, que em con­jun­to com Chuck Aule (Mark Ruf­fa­lo[bb]), vai a Shut­ter Island inves­ti­gar o desa­parec­i­men­to de uma inter­na­da no man­icômio judi­cial local. Esta é a tra­ma prin­ci­pal de Ilha do Medo (Shut­ter Island, EUA, 2009), o novo filme de Mar­tin Scors­ese, um thriller psi­cológi­co mis­tu­ra­do com esti­los como poli­cial e hor­ror gótico.

    O que ini­cial­mente pare­cia ser ape­nas mais uma inves­ti­gação, em um local macabro, trans­for­ma-se em uma imer­são à loucura/sanidade humana. Não ape­nas ques­tio­nan­do difer­entes méto­dos de trata­men­to, e suas eficá­cias, o filme tam­bém inci­ta a dúvi­da sobre o próprio con­ceito de lou­cu­ra e, como tudo pode se trans­for­mar de acor­do com o pon­to de vista. Ele foi basea­do no livro Ilha do Medo, de Den­nis Lehane, lança­do aqui no Brasil pela edi­to­ra Cia das Letras.

    Ini­cial­mente, Ilha do Medo ger­ou a impressão de ser meio exager­a­do e bas­tante ten­den­cioso, prin­ci­pal­mente dev­i­do à tril­ha sono­ra impac­tante (que de tan­to ser repeti­da, aca­ba-se acos­tu­man­do). Quase da metade do filme para o final, o cli­ma enga­ta mais, fican­do tudo mais nat­ur­al, e a tra­ma fica muito inter­es­sante. Mes­mo abor­dan­do um tema já meio bati­do, con­segue envolver bas­tante em toda a bus­ca pela ver­dade na inves­ti­gação de Ted­dy com o seu par­ceiro, trazen­do ape­nas em breves momen­tos a sen­sação de estar­mos acom­pan­han­do e anal­isan­do tudo de fora. Assim como, dev­i­do à óti­ma fotografia e edição, é pos­sív­el facil­mente imer­gir den­tro do cli­ma alu­cinógeno, e às vezes claus­trofóbi­co, cri­a­do por Scorsese.

    Ilha do Medo não é para quem está bus­can­do ação e tiros, mas sim para quem quer imer­gir em uma tra­ma cheia de ram­i­fi­cações ines­per­adas. Com um óti­mo elen­co, desta­can­do a atu­ação de DiCaprio, esta é uma exce­lente opor­tu­nidade para (re)pensar na sua própria sanidade.

    Out­ra críti­cas interessantes:

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    httpv://www.youtube.com/watch?v=xruhUAK5mbo

  • Crítica: O amor segundo B. Schianberg

    Crítica: O amor segundo B. Schianberg

    Uma artista plás­ti­ca e video­mak­er, Mar­i­ana Pre­vi­a­to, e um ator, Gus­ta­vo Macha­do, são semi­con­fi­na­dos, durante 3 sem­anas, em um aparta­men­to de São Paulo, com câmeras estrate­gi­ca­mente local­izadas, receben­do ape­nas uma sinopse e algu­mas instruções do dire­tor. Parece um pro­je­to inter­es­sante, não? Este é O amor segun­do B. Schi­an­berg, o novo filme de Beto Brant.

    Basea­do num per­son­agem do livro Eu rece­be­ria as piores notí­cias dos seus lin­dos lábios, de Marçal Aquino, Ben­jamin Schi­an­berg é um psi­canal­ista e pro­fes­sor uni­ver­sitário, que tem como prin­ci­pal inter­esse, refle­tir sobre o com­por­ta­men­to amoroso a par­tir de obser­vações da real­i­dade, que está ape­nas pre­sente como nar­rador (Felipe Ehren­berg) em áudio no filme. Sua fil­ha Gala (Mar­i­ana Pre­vi­a­to), por dese­jo do pai, seduz Félix (Gus­ta­vo Macha­do) para seu aparta­men­to afim de aju­dar nas pesquisas dele.

    O amor segun­do B. Schi­an­berg cria uma sen­sação bem ínti­ma com os pseudop­er­son­agens, pois, usan­do prati­ca­mente só o som ambi­ente e oito câmeras “robo­t­i­zadas”, que foram insta­l­adas no aparta­men­to, acom­pan­hamos os momen­tos mais, e menos, ínti­mos do casal. Este não é mais um filme esti­lo real­i­ty show, ou até uma “casa (aparta­men­to) dos artis­tas”, pois o foco é a (des)construção de um amor e, não sim­ples­mente um Big Broth­er[bb]. Fica bas­tante a dúvi­da a respeito do real e do inter­pre­ta­do, e até mes­mo se há qual­quer tipo de direção. Tudo parece ser tão descom­pro­mis­sa­do e amador, crian­do a impressão de que ele pode­ria estar sendo exibido no Youtube, no canal de Schiamberg.

    Há um bur­bur­in­ho acon­te­cen­do, pois no mes­mo há cenas de nu frontal, mas­culi­no e fem­i­ni­no, sexo, e palavrões. Mas é pos­sív­el exibir, verossi­ma­mente, uma história de amor, des­de o começo ao fim, sem ess­es ele­men­tos? Acred­i­to que não! Chega a ser estran­ho ain­da se deparar com comen­tários do tipo em um tem­po onde tan­to se fala sobre a liber­dade sex­u­al e a bus­ca pela ‘ver­dade’.

    É necessário estar aber­to para uma exper­iên­cia difer­ente da nor­mal, ao se assi­s­tir O amor segun­do B. Schi­an­berg, mas para quem já viu algo do movi­men­to Dog­ma 95, não irá estran­har tan­to. Este é um filme bas­tante reflex­i­vo sobre o amor[bb], fal­so e ver­dadeiro, e, ape­sar de mais indi­re­ta­mente, a respeito de um modo mais pecu­liar de se viver.

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    httpv://www.youtube.com/watch?v=I1nB-jRZ8e4

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  • Crítica: Confissões de uma Garota de Programa

    Crítica: Confissões de uma Garota de Programa

    confissao de uma garota de programa

    Chelsea (Sasha Grey) é uma pros­ti­tu­ta de luxo em Con­fis­sões de uma Garo­ta de Pro­gra­ma (The Girl­friend Expe­ri­ence, EUA, 2009), de Steven Soder­bergh[bb], e assim como o títu­lo orig­i­nal sug­ere, ela ofer­ece uma exper­iên­cia mais difer­ente a seus clientes, a de uma namorada.

    Este não é mais um daque­les filmes que somente retra­ta a história de uma pros­ti­tu­ta que tem um namora­do, neste caso Chris (Chris San­tos[bb]), e todos os prob­le­mas que sua profis­são pode provo­car neste romance. O tema mais aparente é a crise finan­ceira, que afe­ta todas as profis­sões, inclu­sive a de Chelsea, que é con­sid­er­a­da a mais anti­ga de todas, e pes­soas ten­tan­do superá-la. O casal tam­bém está procu­ran­do maneiras de gan­har mais din­heiro, nos seus respec­tivos tra­bal­hos. Ele ten­tan­do vender planos mais caros, na acad­e­mia que tra­bal­ha, e ela queren­do inve­stir mais em seu site e obter mel­hores qual­i­fi­cações em fóruns on-line que anal­isam o seu tipo de serviço.

    Para quem não sabe, Sasha Grey é uma atriz pornô, e esta é a sua estreia como atriz. Soder­bergh ao escol­her ela, pro­duz­iu um resul­ta­do bem inter­es­sante não só no próprio per­son­agem, mas no filme inteiro tam­bém. Em uma toma­da, um repórter a per­gun­ta se é real­mente pos­sív­el um cliente con­hecer quem é a Chelsea de ver­dade e, ela responde que, se alguém quisesse que ela fos­se ela mes­ma, não estari­am pagan­do. Aí vem a per­gun­ta, é pos­sív­el real­mente saber quem é tam­bém, como pes­soa, a própria Sasha Grey? Todos que a “con­hecem”, tam­bém não estão de cer­ta for­ma pagan­do por uma personagem?

    A tra­ma ger­al em si é bem sim­ples, mas dev­i­do à edição bem fei­ta, que a exibe de for­ma total­mente não lin­ear, como se mon­tasse aos poucos um grande que­bra cabeça, esti­lo que reme­teu bas­tante ao já uti­liza­do em 21 Gra­mas, de Ale­jan­dro González-Iñár­ritu. A fil­magem de Con­fis­sões de uma Garo­ta de Pro­gra­ma, lem­bra muito um doc­u­men­tário, com movi­men­tos con­stantes na câmera que, as vezes, fica bas­tante cansati­vo. As falas dos per­son­agens, que foram semi-impro­visadas, tam­bém aju­daram a cri­ar esse aspec­to mais documental.

    Con­fis­sões de uma Garo­ta de Pro­gra­ma não é mais um caso de uma Bruna Sur­fistin­ha, em seu diário ela escreve que tipo de roupa esta­va usan­do e alguns detal­h­es do encon­tro, mas nada rela­ciona­do a sexo. O inter­es­sante é que sexo está em todo lugar no filme, exce­to que não há sexo. Uma óti­ma opor­tu­nidade para se (re)pensar sobre as relações, prin­ci­pal­mente a inco­mu­ni­ca­bil­i­dade den­tro delas.

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  • Crítica: Preciosa – Uma História de Esperança

    Crítica: Preciosa – Uma História de Esperança

    Preciosa

    A edu­cação, tan­to em casa quan­to na esco­la, é um tema que nem sem­pre é abor­da­do de maneira realís­ti­ca e ger­ado­ra de dis­cussões pro­fun­das, em filmes mais com­er­ci­ais. Difer­ente de Pre­ciosa – Uma História de Esper­ança (Pre­cious: Based on the Book “Push” by Sap­phire, EUA, 2009), de Lee Daniels, que, de for­ma crua e indi­ges­ta, não só a enfa­ti­za, como fala tam­bém de out­ros assun­tos del­i­ca­dos como: amor, abu­so e homossexualismo.

    Claireece Pre­cious Jones (Gabourey Sidibe) é uma ado­les­cente de 16 anos, obe­sa e negra. Ela vive com a sua mãe, Mary (Mo’Nique), que pas­sa o dia inteiro em casa assistin­do TV e a tratan­do como uma serviçal. A relação entre as duas é bas­tante con­fusa e vio­len­ta. A mãe a agride físi­ca e psi­cológi­ca­mente, afir­man­do que Claireece é bur­ra e que nun­ca será mel­hor do que ela em nada. Um com­por­ta­men­to que aca­ba sendo incor­po­ra­do pela garota.

    Toda vez que Claireece encon­tra-se em um momen­to difí­cil, foge para um mun­do imag­inário onde é famosa e dese­ja­da por todos. Um lugar onde a sua pre­sença real­mente impor­ta. Tudo isso acom­pan­hado de uma tril­ha sono­ra “glam­ourosa”, reme­tendo á fama e ao suces­so, que tam­bém está pre­sente nas tomadas que mostram o que real­mente está acon­te­cen­do nes­sas situ­ações, enfa­ti­zan­do a con­fusão, de cer­ta for­ma esquizofrêni­ca, da sua per­cepção da real­i­dade. Acon­tec­i­men­tos que graças a óti­ma direção, con­seguem mes­mo mostran­do pouco, diz­er tudo.

    A importân­cia de uma edu­cação mais humana e menos genéri­ca, para a for­mação e evolução pes­soal, é retrata­da pela esco­la “Cada Um Ensi­na Um”, a qual Claireece é trans­feri­da após ser expul­sa da ante­ri­or, por estar grávi­da de seu segun­do fil­ho. Lá, pela primeira vez em sua vida, sente-se como uma pes­soa, graças à ded­i­cação e atenção da pro­fes­so­ra Mrs. Rain (Paula Pat­ton). Um dos méto­dos uti­liza­do, durante e fora das aulas, é que os alunos escrevam em um cader­no os seus pen­sa­men­tos, que é muito pare­ci­do com a téc­ni­ca usa­da pela per­son­agem de Hillary Swank em Escritores da Liber­dade, de Richard LaGrave­nese, para não só estim­ulá-los á escr­ev­er, mas tam­bém para refle­tirem sobre suas próprias vidas.

    O tipo de abor­dagem uti­liza­da para retratar ess­es temas, lem­bra bas­tante out­ros sur­preen­dentes filmes como: A pro­fes­so­ra de piano, de Michael Haneke, que retra­ta tam­bém uma relação muito doen­tia, e depen­dente, entre mãe e fil­ha e, Bad Boy Bub­by, de Rolf de Heer, a história de um homem que ficou prati­ca­mente metade da sua vida tran­ca­do em um quar­to, moran­do só com a mãe, descon­hecen­do tudo que exis­tia no mun­do. O enre­do, de Pre­ciosa, foi basea­do no livro Push, de Sap­phire, lança­do no Brasil como “Pre­ciosa”, pela edi­to­ra Record.

    Pre­ciosa, ape­sar de ser um filme sobre super­ação, não cai na mesmice de apre­sen­tar os fatos sem­pre de maneira açu­cara­da, pas­san­do a impressão de que ultra­pas­sar cer­tas bar­reiras é fácil, rápi­do e que geral­mente ter­mi­nam bem. Além dis­so, deixa claro que, não faz­er nada é escol­her um dos lados.

    Out­ra críti­cas interessantes:

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    Leonar­do Campos
  • Crítica: Percy Jackson e o Ladrão de Raios

    Crítica: Percy Jackson e o Ladrão de Raios

    percy_jackson

    Per­cy Jack­son (Logan Ler­man[bb]) é um meni­no que tem difi­cul­dades na esco­la, por causa da sua dislex­ia e déficit de atenção, e de adap­tação em ger­al. Tem somente um ami­go e não con­segue enten­der porque sua mãe gos­ta do padras­to, mes­mo ele sendo um cara total­mente intol­eráv­el e repug­nante. Mas tudo muda em sua vida quan­do é ata­ca­do por sua pro­fes­so­ra sub­sti­tu­ta, Mrs Dodds (Maria Olsen), que na ver­dade é uma Fúria (tam­bém con­heci­da como Erí­nia), questionando‑o sobre o escon­der­i­jo dos Raios. Este inci­dente aca­ba rev­e­lando que ele é um semi­deus, fil­ho de Posei­don (Kevin McK­idd[bb]), e que as pes­soas mais próx­i­mas têm lig­ações com todo este mun­do de mitos e magias.

    Esta é a base do enre­do de Per­cy Jack­son e o Ladrão de Raios (Per­cy Jack­son and the Light­ning Thief, EUA, 2010), de Chris Colum­bus, inspi­ra­do na obra de Rick Rior­dan. As com­para­ções des­ta história com Har­ry Pot­ter são inevitáveis, ain­da mais pelo fato de Colum­bus ter dirigi­do os dois primeiros filmes da série. Como não li nen­hum dos livros, de ambas as séries, e só assisti ao ter­ceiro filme do Har­ry Pot­ter, fico bem lim­i­ta­do pra faz­er qual­quer tipo de com­para­ção, mas achei bem mais atraente o fato do filme ter como tema prin­ci­pal as mitolo­gias em vez de bruxaria.

    O filme mostra uma ver­são atu­al­iza­da das mitolo­gias, em con­jun­to com toda a mod­ernidade do mun­do atu­al, trazen­do alguns resul­ta­dos bem engraça­dos, como a uti­liza­ção da parte espel­ha­da de um iPod, para olhar a medusa, e um All Star com asas, para voar. O rit­mo mais acel­er­a­do, como os mitos foram abor­da­dos, seguin­do o fluxo das infor­mações de hoje em dia, sem ficar se pren­den­do a lon­gas expli­cações, tam­bém ficou bem inter­es­sante. Insti­gan­do mais facil­mente a curiosi­dade de quem vê o filme, prin­ci­pal­mente do públi­co mais novo, para depois pesquis­ar, as infor­mações, por si próprio.

    Entre­tan­to, há tam­bém uma acel­er­ação na evolução dos per­son­agens, que ficou, em cer­tos momen­tos, atro­pela­da. Não há, prati­ca­mente, aque­la fase de tran­sição que ocorre no con­hec­i­men­to e apren­diza­do de uma nova téc­ni­ca de luta, por exem­p­lo. As coisas sim­ples­mente vão acon­te­cen­do como se nada pre­cisas­se ser apren­di­do ou treina­do. Isto lem­bra bas­tante alguns jogos de videogames, onde bas­ta você ter o con­t­role em mãos que, sem nen­hu­ma ou quase nen­hu­ma instrução, é pos­sív­el faz­er coisas incríveis com o seu per­son­agem na tela. O que, de cer­ta for­ma, pode difi­cul­tar o proces­so de envolvi­men­to e pos­síveis iden­ti­fi­cações na jor­na­da do herói Per­cy Jack­son. Se a car­ac­ter­i­za­ção dos per­son­agens, prin­ci­pal­mente os deuses, e os cenários são pobre­mente elab­o­ra­dos, geran­do a impressão de que você esta assistin­do a uma mon­tagem mal fei­ta, da época gre­ga, em um teatro bara­to, os efeitos espe­ci­ais foram muito bem tra­bal­ha­dos, não haven­do aque­la sen­sação de que os seres mitológi­cos foram inseri­dos através da Chro­ma Key.

    Per­cy Jack­son e o Ladrão de Raios é um filme para quem está bus­can­do por diver­são e queren­do con­hecer, por alto, seres mitológi­cos viven­do no mun­do atu­al. Além de óti­mo, para insti­gar a curiosi­dade sobre este mun­do de mitos e con­hec­i­men­to, é per­feito para um entreten­i­men­to leve e engraçado.

    O hot­site cri­a­do para a série (e usa­do para o filme tam­bém) pos­sui infor­mações sobre vários per­son­agens, mas infe­liz­mente cria cer­ta con­fusão, pois vários detal­h­es não têm a ver com o que foi exibido no filme, mas sim com os livros. Ficou bem legal a ideia de cri­ar um “per­fil” de cada um dess­es per­son­agens, pare­ci­do com o do Orkut, só que com infor­mações adap­tadas ao mun­do atu­al, com uma lista de gos­tos para filmes, pro­gra­ma de TV, livros. Há até um espaço com comen­tário dos out­ros per­son­agens da história. Mas tiran­do esta parte, o resto do site ain­da pos­sui um con­teú­do e inter­a­tivi­dade muito fra­ca com os vis­i­tantes, uma pena. Para quem se inter­es­sar, a Fol­ha sele­cio­nou alguns per­son­agens míti­cos do filme e colo­cou uma descrição sobre eles, segun­do o Dicionário de Mitolo­gia Gre­ga e Romana (Jorge Zahar Edi­to­ra), que pode ser vista cli­can­do aqui.

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  • Crítica: O Lobisomem

    Crítica: O Lobisomem

    lobisomen

    Alguns per­son­agens, que já há muito tem­po fazem parte não só da cul­tura ger­al, mas dos medos mais prim­i­tivos, sem­pre estão sendo refilma­dos e adap­ta­dos. O Lobi­somem (The Wolf­man, Reino Unido/EUA, 2010), de Joe Johston, é mais um dess­es filmes.

    Difer­ente do clás­si­co orig­i­nal, dirigi­do por George Wag­gn­er, em 1941, este tem como cenário a Inglater­ra Vito­ri­ana. A história pos­sui cer­tas sim­i­lar­i­dades e, nes­ta ver­são, Lawrence Tal­bot (Beni­cio Del Toro[bb]) retor­na da Améri­ca para sua ter­ra natal, a fim de aju­dar na bus­ca de seu irmão, a pedi­do da noi­va dele, Gwen (Emi­ly Blunt[bb]). Na sua bus­ca por pis­tas, vai parar em um acam­pa­men­to cigano, que é ata­ca­do por um mon­stro “descon­heci­do”. Durante o ataque, Lawrence é mor­di­do quase que fatal­mente no pescoço, se recu­peran­do alguns dias depois, de uma maneira anor­mal­mente ráp­i­da, na man­são de seu pai (Antho­ny Hop­kins[bb]). Ele começa então a ser inves­ti­ga­do pelo Dete­tive Aber­line (Hugo Weav­ing[bb]), que aca­ba desco­brindo a sua maldição.

    Ape­sar do óti­mo elen­co, a atu­ação de cada um é muito fra­ca, mostran­do pou­ca veraci­dade nos per­son­agens, geran­do um sen­ti­men­to de mui­ta dis­tân­cia e pouco envolvi­men­to. A uti­liza­ção da tril­ha, para pro­duzir e manip­u­lar as emoções, é, de cer­ta maneira, bem exager­a­da. As cenas que dev­e­ri­am pro­duzir “sus­tos”, ape­nas o fazem dev­i­do a uma brus­ca mudança, ou aparição de um som muito alto, às vezes até antes da cena em si, de fato, real­mente acon­te­cer. Chegan­do até a tornar ridícu­lo alguns momen­tos de suspense.

    A car­ac­ter­i­za­ção do lobi­somem ficou bem no esti­lo da pelícu­la de 1941, com um ros­to mais “humanóide”, que me lem­brou muito o per­son­agem Chew­bac­ca, do Star Wars[bb], fican­do às vezes até mais engraça­do do que assus­ta­dor. Há tam­bém um per­son­agem no filme que é idên­ti­co ao Smeagol, do Sen­hor dos Anéis[bb], de Peter Jack­son[bb], só que mais pobre visual­mente. Assim como a trans­for­mação de homem para lobi­somem que, ape­sar dos avanços nas téc­ni­cas de efeitos espe­ci­ais, não sur­preen­deu nem um pouco. As tomadas do lobi­somem ata­can­do as pes­soas lem­braram aque­les filmes exploita­tion, com pedaços de cor­po voan­do para todo lado. Ape­sar de algu­mas cenas pare­cerem engraçadas, incluin­do algu­mas piad­in­has tam­bém, não eram tão boas a pon­to de provo­car risada.

    O Lobi­somem é bem sessão da tarde, para quem quer ver alguns órgãos voan­do e sus­pense, que graças aos efeitos sonoros usa­dos em dema­sia, não farão você dormir.

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  • Crítica: Hanami — Cerejeiras em Flor

    Crítica: Hanami — Cerejeiras em Flor

    Como dar amor e feli­ci­dade a alguém que você ama e está prestes a mor­rer, se ele é fecha­do para qual­quer aven­tu­ra e emoção? É com este desafio que começa o filme Hana­mi — Cere­jeiras em Flor (Kirschblüten, Ale­man­ha, 2008) da dire­to­ra Doris Dör­rie.

    Tru­di (Han­nelore Elsner) desco­bre que seu mari­do Rudi (Elmar Wep­per) está com uma doença ter­mi­nal e, seguin­do a sug­estão do médi­co, decide faz­er uma grande viagem de férias com ele. A questão é que Rudi gos­ta ape­nas de viv­er o con­ven­cional e de sua roti­na: casa, tra­bal­ho, cerve­ja no fim do expe­di­ente. Ape­sar da idéia de via­jar não lhe agradar muito, aca­ba con­cor­dan­do. Para ele não há grandes emoções nem von­tades e o ator Elmar Wep­per (Rudi) con­segue pas­sar muito bem essa situ­ação com sua expressão rígi­da e um olhar per­di­do den­tro de si. Tru­di sem­pre quis vis­i­tar seu fil­ho Karl (Max­i­m­il­ian Brück­n­er) que mora no Japão e con­hecer o Monte Fuji, mas Rudi nun­ca se inter­es­sou. Assim decide ir primeiro vis­i­tar seus out­ros fil­hos em Berlin para ver se seu mari­do se acos­tu­ma com a idéia de via­jar ao ori­ente. Nas suas ten­ta­ti­vas de faz­er o mari­do se sen­tir bem com a viagem, Tru­di aca­ba redesco­brindo pequenos praz­eres, como assi­s­tir a um espetácu­lo de Butoh, no teatro de Berlin, e dançar com seu mari­do, à noite. Tru­di morre subita­mente, quan­do estão vis­i­tan­do o litoral, e Rudi decide ir ao Japão para lhe prestar uma últi­ma hom­e­nagem. Lá é a época do Fes­ti­val das Cere­jeiras em Flor e, como o seu fil­ho é muito ocu­pa­do, decide con­hecer, por ele, mes­mo o país. Nes­sa sua jor­na­da encon­tra Yu (Aya Irizu­ki), uma garo­ta que dança Butoh em um par­que, com quem desco­bre o val­or da amizade, o amor no sen­ti­do mais puro e o praz­er de viver.

    Uma metá­fo­ra muito sig­ni­fica­ti­va no filme é o Butoh, onde o movi­men­to real­iza­do não é dita­do pelo que está fora, mas aparece na inter­ação entre exte­ri­or e inte­ri­or do mun­do. A essên­cia do Butoh baseia-se no mecan­is­mo em que os dançari­nos deix­am de ser eles mes­mos e tor­nam-se out­ra pes­soa ou coisa. O que pode ser rela­ciona­do com o rit­mo do filme que mostra uma face mais pro­fun­da de seus per­son­agens, assim como dos ambi­entes em que eles estão, dan­do, às vezes, a impressão de um rit­mo mais lento ou pesa­do.

    Hana­mi é um filme sobre a bre­v­i­dade da vida, assim como das flo­res de uma cere­jeira. Na cul­tura japone­sa a cere­jeira era asso­ci­a­da ao samu­rai[bb], cuja vida era tão efêmera quan­to a da flor que se despren­dia da árvore. Asso­cian­do esse sig­nifi­ca­do com o do Butoh, percebe­mos que con­hecer a nós mes­mos é tam­bém dar a chance do out­ro entrar em nos­sas vidas.

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